Ártico

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Então vamos lá !


Mais um ano chega ao fim, queria agradecer sua companhia aqui e compartilhar com vocês a alegria de ter uma comunidade de exatas 3.394 pessoas acompanhando o Amor ao Planeta até agora. Grupos de postagem para quem enviamos os artigos via email, e mais 82 seguidores cadastrados. Muitas contribuições de filmes, links e matérias, vários comentários recebidos e gentis pedidos de reprodução ou reenvio dos posts.

Nesta época de papéis de presente rasgados e caixas de papelão que lotam lixeiras, afetos sendo traduzidos por bens, alguns reencontrando parentes pela talvez única oportunidade no ano, outros sentindo a ausência dos que já se foram, Dezembro é um mês de muita carga simbólica para refletirmos sobre erros e acertos, e fazermos planos de melhoria. Tomara que 2010 seja menos pródigo em panetones-fantasmas, bolhas especulativas, governos tímidos em metas climáticas, enchentes e blackouts catastróficos. Para isso, cabe nossa indignação, e sobretudo nossa AÇÃO. No patrulhamento, na denúncia, no exemplo pessoal e no voto. Já se foram 10 anos do novo milênio, e ainda parecemos muito longe da anunciada "Era de Aquarius", período de harmonia e crescimento espiritual.

"Comece em você a mudança que deseja ver no mundo", dizia Ghandi. Façamos assim, como grãos de areia no oceano. Afinal, é desse jeito que se formam magníficas praias !



Até 2010 !
Patricia

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

[SOCIAL] O Descarte das Pessoas


Que as pessoas mudaram sua forma de se relacionar, não resta dúvida. Mas quem são (somos) essas novas criaturas, como elas vivenciam seus afetos?

O sociólogo Zygmunt Bauman criou a expressão “amor líquido”, para definir o novo tipo de relação de nossa época. O “líquido” se refere à condição de coisa fluida, que escorre, escapa, sem concretude. As pessoas não investem mais tanto tempo ou esforço para se conhecer, se vincular e defender o elo que conseguiram formar.

Buscar o amor é visto hoje como uma lição a ser aprendida, então quanto mais treino, mais habilidade. Assim, acreditamos “que o próximo amor será uma experiência ainda mais estimulante do que a que estamos vivendo atualmente, embora não tão emocionante ou excitante quanto a que virá depois.” Ao invés de dar uma chance e evoluir o que temos na mão, sempre nos perguntamos se não haveria alguém ainda melhor logo ali depois da próxima esquina da vida. Na nossa sociedade imediatista, compramos ilusões, e o amor é visto como mais um artigo de consumo. “Quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar a desforra na quantidade. (...) Estar em movimento, antes um privilégio e uma conquista, torna-se uma necessidade. Manter-se em alta velocidade, antes uma aventura estimulante, vira uma tarefa cansativa”, diz Bauman.


Num mundo onde cada vez mais nos comunicamos com os outros por meios não presenciais (emails, chats, torpedos via celular, cartões virtuais), transformamos nossas relações em meras conexões, que podem ser facilmente desfeitas ao apertar a tecla delete. Conectamos com muita gente, mas num nível superficial e descartável. Fazemos parte de várias redes sociais, com uma quantidade de “amigos” irreal; usamos sites de namoro tal qual um grande supermercado de gente. Ao invés de batalhar para resolver as diferenças do casal, partimos para outra. Ao invés de dar uma chance para o outro nos conhecer verdadeiramente, nos escondemos atrás do computador ou do celular, e não baixamos a guarda jamais.

Analisando bioquimicamente: a paixão estimula as glândulas supra-renais, que produzem catecolaminas, hormônios ligados à excitação e ao stress. Por isso ela é algo excitante e às vezes agressivo. Já no amor o hipotálamo recebe uma carga de feniletilamina, espécie de anfetamina natural, que estimula o sistema de prazer e produz endorfina, substância que traz calma e relaxamento. Por isso a sensação de entrega, contentamento e euforia quando estamos amando. Eu sei, não parece muito romântico se olhado dessa forma. Amar é um interesse intenso por algum objeto - desejamos estar perto, tocar, ouvir e olhar – e assim obter prazer e satisfação. Portanto, amar envolve todos os nossos sentidos profundamente.

Em nossa cultura consumista, que estimula o descarte, o prazer imediato e passageiro, tudo que não demande muito esforço, satisfação garantida ou seu dinheiro de volta e receitas testadas e aprovadas, amar se transformou num “produto” a ser comprado por seus atributos externos sedutores, consumido de preferência sem muita dedicação e com resultados comprovados. Ora, amor não é um produto, o prêmio de um concurso nem uma ciência exata; ele demanda coragem e muita disciplina, num ambiente de eterna incerteza.

As coisas estão complicadas para nós, os pós-modernos. Tal qual avatares do século 21, fazemos representações de nós mesmos, para não revelar nosso autêntico ser. Que vai ficando cada dia mais dissolvido, intangível e insatisfeito por esse nosso hábito de consumir e descartar pessoas. E estas, por sua vez, se tornam cada vez mais irrelevantes.

[PLANETA] Enquanto o COP-15 não chega, o que faz o Brasil?


O protocolo que vai substituir Kyoto virá da Conferência de Copenhagen (COP-15) em dezembro. Embora muitos considerem que Kyoto fracassou, até pela não-adesão dos EUA, pelo menos popularizou o tema e inspirou países como a Dinamarca, que de 2008 a 2012 reduzirá em 21% suas emissões e agora sediará o encontro. No Brasil, o governo comprometeu uma redução "voluntária" de 36,1% a 39,2% das emissões até 2020. A mudança de comportamento internacional fez as empresas brasileiras pressionarem o governo a adotar uma posição mais firme para a Convenção do Clima.

A ex-Ministra do Meio Ambiente e Senadora Marina Silva vai apresentar um projeto de lei para institucionalizar as metas brasileiras, porque num horizonte de 20 anos os próximos governos precisam ser obrigados a cumpri-las. O detalhamento operacional do plano deve constar no Orçamento Federal e existir um site para a sociedade acompanhar a implementação.

O Instituto Ethos e a Exame organizaram o debate “Copenhague: Desafios e Oportunidades”, e alguns problemas ficaram evidentes. No Brasil se investe apenas 1% do orçamento federal em tecnologia. Numa sociedade do conhecimento e sustentável é crítico sermos pobres em pesquisa e capital humano qualificado. Para Eduardo Viola, da UNB, o etanol é uma “energia do passado”, se comparada com a solar fotovoltaica e eólica, nas quais China e Taiwan investiram rapidamente nos últimos quatro anos. Apesar disso, 165 delegações de 80 países vieram conhecer nosso programa energético em 2009. Fernando Reinach, Diretor Executivo da Votorantim Novos Negócios, afirmou: “Temos o melhor parque energético renovável, somos líderes mundiais em tecnologia limpa e na sua implementação e metade do nosso combustível vem de fonte renovável.”

Até agora a discussão sobre o aquecimento global fica restrita ao universo científico, números e termos técnicos e o debate sobre sustentabilidade é difuso, obsoleto e politizado. A falta de entendimento de que o baixo carbono será a nova moeda das empresas atrapalha nosso avanço. É preciso saber como a sociedade reage e como o cidadão percebe isso no seu cotidiano. O presidente do Ethos, Ricardo Young, sugere uma coalizão nacional e suprapartidária para empreender as mudanças necessárias em favor do desenvolvimento sustentável no país que passa necessariamente pela inovação e ampla informação.


Fonte: Revista Digital Envolverde (http://envolverde.ig.com.br/?materia=66077&edt=1) e Revista Época nr. 600 ed. 16/11/09.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Os Maias, 2012 e Copenhagen


O blockbuster do momento é “2012”, baseado na profecia Maia(*) que prevê um cataclisma global. O Discovery Channel tentou explicar melhor os riscos, no programa “21.12.2012”, com cenas do filme e entrevistas com cientistas da NASA, geólogos e astrofísicos.

Segundo a Academia Nacional de Ciências, ao final de 2012 o sol estará pronto para atingir o máximo solar, pico do ciclo que acontece a cada 15 anos. Diariamente suas erupções empurram em nossa direção as massas coronais, partículas detidas pela magnetosfera da Terra. Um pico muito violento combinado com uma fenda no campo magnético seria desastroso: a energia telúrica fritaria tudo que é elétrico. O GPS dos aviões deixaria de funcionar; a rede de satélites seria desligada; nada de TV, telefone, elevador, ar condicionado, geladeira. Imagine isso por 4 a 10 anos, tempo que levaria para recuperar nosso sistema elétrico... um caos. A energia eletromagnética do sol desestabilizaria o núcleo, responsável por criar a magnetosfera, e a crosta terrestre, causando terremotos, mega-tsunamis e ativando supervulcões como o Cumbre Vieja e Yellowstone.

Ocorre que em 2007 uma explosão solar conseguiu abrir um buraco enorme na magnetosfera, da América do Sul até a África pelo Atlântico. Esse enfraquecimento do campo indicaria a iminente mudança nos pólos magnéticos (o N inverte com o S, a bússola gira ao contrário, mas as rotações da Terra permanecem as mesmas e os continentes não saem do lugar). Quando houvesse a inversão, a camada de Ozônio se romperia, a radiação UV acabaria com a fotossíntese e o plancton, interrompendo a cadeia alimentar e levando os ecossistemas ao colapso; os pássaros migratórios ficariam desorientados. Uma inversão de 180º já aconteceu no passado, antes de nossa civilização. Mas o cientistas não acreditam nesses cataclismas, pois levam milhões de anos para ocorrer. Seria mais provável um grande asteróide ou planeta (como o hipotético “Planeta X”) nos atingirem.

E o que a Conferência de Copenhagem em dezembro tem a ver com isso? Tudo. Se a temperatura da Terra subir mais de 2 graus até 2050, teremos problemas com colheitas, falta de água, elevação dos mares, enchentes e furacões mais violentos e frequentes. As mudanças climáticas e o aquecimento global, que deveriam ser agenda prioritária para políticos, empresários e cidadãos, parece estar sendo levada pouco a sério. China e EUA já declararam que vão deixar as decisões para depois da conferência, claro, pois são complexas e impopulares. Como se fosse possível adiar o problema e um consenso mais efetivo. Se a comunidade internacional não amarrar os governos com metas, estes não estabelecerem medidas que onerem os fabricantes pelos passivos ambientais e os empurrem rumo a inovações eco-inteligentes, não vamos precisar do sol, de asteróides nem supervulcões para nos aniquilar. A própria humanidade vai fazer esse trabalho. Enquanto isso, infelizmente as gerações do futuro estão inebriadas com a lua, vampiros e lobisomens... que só habitam este planeta no escapismo do imaginário.


(*) saiba mais em http://porque2012.com/ e filme do History Channel http://www.youtube.com/watch?v=y3vcYnZ7VBQ. Os Maias falam de "fim de um ciclo de vida", o que pode significar um recomeço.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

[PLANETA] A Tiffany e os diamantes éticos


A caixinha azul turquesa da joalheria Tiffany (fundada em 1837) é um ícone e seus diamantes trazem a promessa de eterna beleza, elegância e a qualidade de uma marca de luxo. Mas o Wall Street Journal revela que nem todos os diamantes Tiffany estão entregando essa promessa atualmente.


Em uma fábrica sem janelas de uma aldeia africana de Botwsana, a empresa ensina mais de 80 trabalhadores a transformar os diamantes brutos em pedras para anéis de noivado. À medida que o VP da unidade de diamantes, Mark Hanna, observava os novatos lapidarem pequenas pedras em lâminas giratórias, detectou um problema. "Dá para ver as linhas de polimento!”, o que é inaceitável para os padrões da empresa. Para proteger e expandir sua operação anual de US$ 2,9 bilhões, a Tiffany precisa desta fábrica africana – apesar dos seus altos custos trabalhistas, baixa produtividade e trabalhadores que fizeram dois dias de paralização em outubro/2009 [afirmando que a empresa é corrupta, racista, vulgar e as condições de trabalho abusivas].

No início da década, o setor registrou um aumento súbito na demanda. Temendo que o fornecimento de diamantes estivesse correndo riscos, e com gigantes da mineração como a De Beers entrando no varejo e para isso juntando forças com a LVMH, a Tiffany sentiu que era necessário mover as suas operações mais para baixo na cadeia de abastecimento. Assim, expandiu as operações para fornecimento, corte e polimento de diamantes, mas a um alto preço. Não apenas os executivos enxergam as linhas de polimento, mas as práticas de trabalho da empresa no exterior foram questionadas.


Com o aumento da preocupação mundial sobre os diamantes de guerra (veja o filme Diamantes de Sangue), a Tiffany tem o desafio de manter sua glamurosa imagem diante dessas notícias. Os consumidores de luxo agora se preocupam com a responsabilidade social, levando a um boicote da indústria contra a canadense Pebble Partnership, um potencial fornecedor que planejava explorar no Alasca uma mina de ouro que, segundo os ambientalistas, vai ameaçar os peixes. O CEO da Tiffany, Michael Kowalski, perdendo o bonde da sustentabilidade, afirmou que gostaria que sua clientela se concentrasse "na qualidade do anel de diamante, e não como ele se transformou no que é". Um tipo de atitude que fica cada vez mais impossível para as corporações e consumidores.

(livremente adaptado de http://www.brandchannel.com/home/post/2009/10/28/Can-Tiffany-Deliver-An-Ethical-Diamond.aspx#at)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

[PLANETA] O DILEMA DAS SACOLINHAS PLÁSTICAS


A nova e linda sacola da grife Malwee (foto) destaca que o material é de plástico Oxibiodegradável, portanto ecologicamente correto. Simpática, alerta para o cliente ter cuidado, porque o plástico começa a se decompor em 12 meses, mas não informa o “X’ da questão: durante quanto tempo isso vai acontecer. Como tudo na Sustentabilidade, as coisas não são tão simples, e malefícios podem se esconder por trás de aparentes benefícios. Fui investigar, porque um dos assuntos “da hora” é a proibição iminente das sacolinhas de supermercado.



Descobri que o plástico Oxibiodegradável é feito à base de amido de batata, e teoricamente se decompõe de 18 a 20 semanas (contra 200 anos do convencional). Mas estudo da CETESB afirma que não se pode garantir que o polímero desse plástico seja reincorporado à natureza nesse tempo, nem prever seu comportamento no meio-ambiente, até porque ele não pode ser compostado como o lixo orgânico. “Essas sacolas utilizam aditivos para que o plástico se torne oxibiodegradável. Entretanto, ao se degradar, os plásticos não desaparecem na natureza e sim se fragmentam, podendo causar riscos ambientais muito mais sérios, como contaminação de rios e subsolos”, explica Francisco Esmeraldo, presidente do Instituto SocioAmbiental do Plástico, o Plastivida. Ou seja, pode-se estar gerando uma “poluição invisível”.

Para entender as diferenças dos Plásticos:

Oxidegradáveis - degradação química que resulta da oxidação (Oxo-degradação), que pode ou não chegar à biodegradação.

Biodegradáveis - degradação biológica e natural, por ação de enzimas. Os microorganismos decompõem o material, que perde as propriedades químicas nocivas em contato com o meio ambiente.

Oxibiodegradáveis – a degradação é química e biológica e ocorre em dois estágios: pela reação com o oxigênio (combustão) é convertido em fragmentos moleculares que, ao serem umedecidos por água, se oxidam e são biodegradados (convertidos em dióxido de carbono, água e biomassa).

Qual o problema dos saquinhos de supermercado ? (que já são proibidos ou sobretaxados em vários países) O descarte de 500 bilhões a 1 trilhão de sacos/ano vai parar em rios, mares e lagos e entope bueiros. Os sacos engasgam ou sufocam animais marinhos que os confundem com alimento ou são "ensacados". Chegam tão longe quanto as Ilhas Malvinas ou o Círculo Ártico. Só os EUA lançam 4 milhões de kg de sacos ao mar anualmente. Ao se fotodegradarem, geram petro-polímeros menores e mais tóxicos. Reciclar seria bom, mas menos de 1% deles toma esse rumo, até porque é mais caro reciclar que produzir um saco novo.

Há leis em trâmite para substituir o termoplástico feito de polietileno (petróleo) por sacos biodegradáveis e recicláveis, os grandes varejistas passaram a estimular o uso das Eco-Bags e pensam em breve cobrar pelos saquinhos. Faça as contas:


1 Eco-Bag (tecido)
= 6 sacos/semana = 24/mês = 288/ano.



Ainda parecem ser a melhor opção.


Fontes: AgSolve, WWF, CNN.com/technology, National Geographic e contribuições dos ex-alunos Kelli Marcolongo do Banco Votorantim e Ivonir Bertollo da Cinquetti.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

[PLANETA] Retrocausalidade: o futuro criando o presente


Você com certeza já ouviu falar do projeto do CERN, que pretende recriar o Big Bang em laboratório. Depois de 15 anos e US$9 bilhões investidos o Large Hadron Collider ficou pronto em 2008... e explodiu. Muitos cientistas e ambientalistas tentaram barrar o projeto, temendo que um gigantesco buraco negro engolisse a Terra. Mas outros cientistas renomados, como Stephen Hawking e Lisa Randall, afirmam que as experiências foram meticulosamente estudadas e revisadas e tudo estaria sob controle. Apesar das alegações de uma suposta criação de um buraco negro, o que de fato poderia ocorrer seria a formação de strange quarks. Uma reação em cadeia na qual todo o planeta seria transformado em uma espécie de matéria estranha.

De repente, surge uma nova e inesperada teoria: a de que o futuro está impedindo o funcionamento da máquina no presente – também conhecida como Retrocausalidade (Backward Causation) - uma espécie de teoria do destino. Holger Nielsen (Niels Bohr Institute/Copenhagen) e Masao Ninomiya (Yukawa Institute for Theoretical Physics/Japão), defendem essa teoria em uma série de artigos: “Test of Effect From Future in Large Hadron Collider: a Proposal” e “Search for Future Influence From LHC”. Um evento que o Dr. Nielsen chama de "anti-milagre": "Bem, alguém poderia dizer que temos uma teoria de Deus". Com afirmações dessa ordem os cientistas prevêem que todos os estudos nessa área sofrerão fracassos, pois ELE não estaria permitindo... Isso explicaria também porque o projeto United States Superconducting Supercollider foi cancelado em 1993, depois de ter gasto bilhões de dólares.

Para nós, causa e efeito pertencem à mesma linha de tempo, e nessa ordem. Mas, desde os anos 50, filósofos e cientistas como Michael Dummett, Anthony Flew, Kant e Max Black discutem a possibilidade da Retrocausalidade (o efeito acontecer antes da causa) e suas contradições. Lançando um olhar metafísico e acreditando que existam universos paralelos (estudados pela Física Quântica), podemos considerar que passado, presente e futuro são percepções que os humanos têm do tempo que experimentam. Mas a metafísica acredita que o futuro não é algo por vir, ele existe agora, embora num outro plano, ainda que não seja possível para nós acessá-lo. Exemplo: se tentarmos impedir a causa X de gerar o efeito Y no futuro, mas ele acontecer assim mesmo por outras causas, poderíamos supor que Y já existe, é um fato imutável, não importa o que façamos. Já ouviu a frase: “Você encontra o seu destino justamente nos caminhos que tomou para evitá-lo” ou o termo “Profecia Auto-Realizável”? São a tradução intuitiva para essa questão.

Agora inverta o sentido do tempo: se o efeito Y acontecesse antes da causa X, significa que ele já existe, então será impossível impedir X. Isto é a Retrocausalidade. Não confundir com viagem no tempo. Nesta, se usássemos um relógio, ele continuaria a girar no sentido normal, seguindo a linha causa-efeito tradicional. No caso da Retrocausalidade, os ponteiros inverteriam a direção.

O assunto é complexo, fascinante, bastante embasado em demonstrações matemáticas e mecânica quântica, sobre dobras no tempo, micro-partículas como Tachyons, campos magnéticos etc.
E nós aqui só preocupados com o Aquecimento Global ...

[PLANETA] O líquido mais caro do mundo


Voce sabe o que custa R$ 13.575,00 o litro ? Não, não é o produto da foto...


Resposta: Tinta de Impressora! Já fez o cálculo?


A "Grande Sacada" dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais e mais baratas, e cartuchos cada vez mais e mais caros. Nos casos dos modelos mais baratos, o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora. Veja: pode compensar mais trocar a impressora do que fazer a reposição de cartuchos. Exemplo: uma HP DJ3845 é vendida nas lojas por aproximadamente R$ 170,00. A reposição dos dois cartuchos (10 ml o preto e 8 ml o colorido), fica em torno de R$ 130,00. Daí, você vende a sua impressora semi-nova, sem os cartuchos, por uns R$ 90,00 (para vender rápido). Junta mais R$ 80,00, e compra uma nova impressora e com cartuchos originais de fábrica.


Para piorar, de uns tempos para cá os fabricantes passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta(mantendo o preço). Um cartucho HP, com 10 ml de tinta custa R$ 55,99. Isso dá R$ 5,59 por mililitro. Só para comparação, a Champagne Veuve Clicquot City Travelle da foto custa R$ 1,29 por ml. Além disso, as impressoras HP 1410, HP J3680 e HP 3920, que usam os cartuchos HP 21 e 22, estão vindo somente com 5 ml de tinta! A Lexmark vende um cartucho para a linha de impressoras X com 5,5 ml de tinta colorida, por R$ 75,00. Fazendo as contas: 1.000 ml / 5,5 ml = 181 cartuchos a R$ 75,00 = R$ 13.575,00. Isso mesmo, R$ 13.575,00, por um litro de tinta colorida.


Com este valor, podemos comprar, aproximadamente:

- 300 gr de OURO;
- 3 TVs de Plasma de 42';
- 1 UNO Mille 2003;- 45 impressoras que utilizam este cartucho;
- 4 notebooks;
- 8 Micros Intel com 256 MB.


Conclusão: mais do que nunca evite imprimir...as florestas, o planeta e o seu bolso, agradecem!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

[PLANETA] Produtos Eco-Inamistosos nem chegam à gôndola


Quem me conhece sabe que não acredito no consumidor como mola-mestra para a adoção da responsabilidade socioambiental pelas empresas. Para mim o papel de corrigir os impactos dos produtos tem que ser do fabricante, e o de “editar” as gôndolas para nós, dos varejistas. Por um motivo simples: nós consumidores NÃO TEMOS condição de resgatar toda a cadeia produtiva de cada item que colocamos no carrinho de compras. É um levantamento demorado, complexo e o máximo que podemos checar é se existe um selo/certificação/tabela qualquer validando a correção ecológica do produto. Isso se a gente enxergá-los, o que é mais provável não acontecer (por razões cognitivas amplamente estudadas pela sociologia e comunicação).

Já elogiei num artigo anterior (16/06/09) o avanço que representou a adesão dos maiores varejistas do país (Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour, depois seguidos pela ABRAS), aos Pactos da Carne e da Soja. O golpe de misericórdia foi o estudo do Greenpeace “A Farra do Boi”, levantando toda a cadeia produtiva da carne e a relação direta dela com o desmatamento da Amazônia, instrumentalizando as empresas com fatos, para fazerem exigências aos fornecedores de carne, ração e produtos afins. Resultado: no dia 05 de outubro, com a presença do Governador do Mato Grosso e o maior plantador de soja do mundo, Blairo Maggi, foi assinado em São Paulo o Protocolo de Moratória da Carne. Nele, grandes frigoríficos como JBS Friboi, Marfrig e Bertin se comprometem a não comprar mais carne oriunda de desmatamento ou área de preservação. Mato Grosso abriga o maior rebanho bovino do país (mais de 28 milhões de cabeças, chegando a 30 milhões em 2010). Então é isso: se o varejista fecha suas portas aos eco-inamistosos de toda espécie, os fornecedores/fabricantes vão ser obrigados a se mexer.

A sustentabilidade passa necessariamente pela inovação – o novo desafio é fazer diferente, menos nocivo e de melhor qualidade, como já percebeu a indústria de eletrônicos, que avança a passos largos. E o Governo vai começar a obrigar a consideração dos custos sócio-ambientais nos balanços financeiros e no preço dos produtos (Lei do Berço ao Túmulo, taxação das emissões de CO2 e por aí vai...)

E que papel cabe a nós, os clientes?

1) mudar nossa postura de desperdício (reciclar, reutilizar, reformar)
2) adotar a cultura do “chic simple” (valorizar menos embalagens, menos frufrus, refil)
3) usar os objetos até o limite de sua vida útil efetiva (incorporar o vintage, o imperfeito, o objeto carregado de simbolismo e história)
4) empoderar as ONGs para fazerem estudos como os do Greenpeace e denunciarem as empresas alienadas
5) desconfiar de preços excessivamente baixos (quando a esmola é muita...)
6) preferir “experiências” (fruição; processo dinâmico) em detrimento de “objetos” (posse; circunstância estática)
Do jeito que vamos, onde até já estamos até "consumindo gente" (mas isto é assunto para outro post futuro), não iremos chegar muito longe.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009



O IBGEN - Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios, lançou com um talk-show o novo MBA em Sustentabilidade Empresarial que inicia ainda em 2009, chancelado pela ABRH e FIRJAN. (mais infos sobre o programa e corpo docente em www.ibgen.com.br , aba IBGEN/RJ). O curso se diferencia por não abordar o tema sob ótica ideológica ou acadêmica, mas totalmente pragmática. Para tanto, 100% dos professores serão executivos vindos de empresas como Vale, Latasa, Natura, Boticário, ONGs, Petrobras, Aracruz, EcoSecurities, entre outras, muitos deles referências no mercado em suas áreas.


O encontro foi mediado por Patricia de Sá e teve como palestrantes Orlando Lima (Presidente da Janus e ex-Diretor de Sustentabilidade e Governança Corporativa da Vale), Claudia Jeunon (Assessora de Resp. Social da Firjan) e Rosana de Rosa (Gerente de Desenvolvimento da Bradesco Seguros e Diretora da Academia da ABRH). Veja um resumo do talk-show sobre "A importância e os desafios da implementação da sustentabilidade nas empresas":






1) O que é Sustentabilidade? Provavelmente os executivos de uma empresa apresentarão as versões mais variadas. Orlando Lima viveu essa situação ao percorrer as operações da VALE mundo afora para publicar o primeiro Relatório GRI em 2008. Como foi sua experiência?


ORLANDO – Realmente as visões sobre sustentabilidade eram muito diferentes. No Canadá e na Nova Zelândia, era sinônimo de meio-ambiente, pois os problemas sociais restringiam-se às relações com comunidades aborígenes e eventuais violações de direitos humanos; na China o foco era o lado econômico, e a relação era com apenas um stakeholder: o governo. Ele decidia o que era necessário para adequar o país às demandas do cenário internacional e garantir a competitividade e o desenvolvimento econômico, que se desdobrava em ganhos sociais; na África o foco era totalmente social, com evidente desprezo pelo meio-ambiente por questões prementes de sobrevivência; finalmente no Brasil o foco é social, pois temos uma tradição de possuir um bioma riquíssimo e leis sofisticadas. Partindo da descrição mais básica do Relatório Bruntland, como se vê a realidade cultural e econômica de cada região ou setor implica em interpretações das mais diversas.

2) Existe uma idéia equivocada de que Sustentabilidade é coisa para empresa grande, e algo muito fora da realidade no universo de médias e pequenas empresas. A FIRJAN congrega associadas de todos os portes e setores. Como está a visão das empresas a esse respeito no Rio de Janeiro?


CLAUDIA –
Para essas empresas o lado mais óbvio é o econômico, porque primeiro é preciso sobreviver como negócio. Mas temos procurado mostrar que a Sustentabilidade traz na verdade redução de custos (eliminar desperdícios, diminuir riscos) e os instrumentos podem ser adaptados. Muitas já têm várias atividades implementadas, sem consciência de que estão fazendo responsabilidade social. Procuramos usar as grandes empresas como indutoras do movimento, mas trabalhar com as pequenas e médias através de um processo de educação e construção de soluções conjuntas e viáveis.

3) Qual costuma ser a maior resistência à implementação da Sustentabilidade dentro das empresas? Por que?

ORLANDO e ROSANA –
Sem dúvida o desconhecimento do tema. Os gestores não estão preparados para essas questões por deficiência de formação, mas são cobrados por resultados. Daí olham a Sustentabilidade como uma obrigação ou um custo. Some-se a isso a intangibilidade e a dificuldade de ter instrumentos que quantifiquem o retorno econômico. Por isso os relatórios (GRI, Ibase, Ethos) são importantíssimos como tangibilizadores, para amarrar metas, introduzir o tema de modo formal, educar os gestores e mudar a cultura da empresa.

4) O Bradesco apresenta-se como o “Banco do Planeta” e a área de Seguros está completamente envolvida com aspectos sociais e ambientais. A quem cabe, afinal, a tarefa de implementar a Sustentabilidade na empresa? Como envolver e alinhar o público interno e criar uma cultura voltada para a Sustentabilidade?

ROSANA – através da gestão do conhecimento, com programas de treinamento, eventos, e muita insistência. É um processo novo, e para nós da área de seguros é fundamental olhar o tema como prevenção, já que trabalhamos com saúde e sinistros. A forma de trabalhar é transdisciplinar, o que representa um desafio maior.

5) Os executivos das empresas estão suficientemente preparados para utilizar os instrumentos de controle e reporte da Sustentabilidade atualmente existentes ?

CLAUDIA E ROSANA – como “dominar” instrumentos para usar em algo ao qual nem se dá importância? Infelizmente é a realidade nas empresas. Somente quando as próprias lideranças estiverem envolvidas e comprarem a idéia é que será possível realmente implementar a sustentabilidade. Ao formalizar um relatório, isso obriga os gestores a parar, pensar no assunto, unir especialistas de diferentes áreas para refletir sobre os temas, debater e achar soluções consensadas. Precisamos, entretanto, simplificar as legislações tornando-as mais compreensíveis.

6) Vocês mencionaram que, antes de mais nada, Sustentabilidade é uma questão de Gestão de Risco. Por que ?


CLAUDIA e ORLANDO –
temos que mudar a mentalidade de que isso não é nem questão de investimento (retorno) nem de custo (algo que não agrega valor), mas de hedge. Além dos riscos envolvidos nas questões jurídicas (licenciamentos ambientais, embargos etc) o maior risco é a “Licença Social para Operar”, ou seja, a comunidade comprar a idéia e aceitar a empresa. Há muitos casos emblemáticos, como a Union Carbide, que após o acidente em Bophal/Índia, teve que pagar indenizações milionárias, fechou e acabou falindo a matriz. Ou o Instituto Italiano de Design na Urca/RJ, que está pronto mas embargado por pressão da associação de moradores, devido aos custos sociais envolvidos (estresse dos acessos viários do bairro, poluição sonora e sobrecarga do sistema de água e esgoto). A sustentabilidade tem que fazer parte do planejamento de todos os projetos e até mesmo ser incorporada aos sistemas de remuneração variável dos funcionários. É preciso inserir esses quesitos, segundo as características que impacatam cada empresa e setor mais diretamente, e estipular um percentual para eles na matriz da remuneração que realmente estimule os gestores ou, contrariamente, os penalize caso as metas não sejam atingidas.


Foi consenso de todos que o protagonismo do Brasil nos mais diversos fóruns internacionais vai nos colocar mais expostos e obrigar o governo a endurecer a cobrança sobre as empresas, que precisarão estar preparadas. Mas para isso é preciso melhorar a formação dos gestores, urgentemente. Não de forma ideologizada, pois assim um ambientalista e um diretor comercial não se sentariam juntos nem por cinco minutos. Mas quando se entende que Sustentabilidade requer um esforço cooperado, técnico e multidisciplinar, a coisa muda de figura.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

[PLANETA] A Revolução Silenciosa


Tomei contato com o THE NATURAL STEP (TNS) por dica de um amigo, ex-Diretor de Sustentabilidade da Vale. Comprei o livro do seu idealizador, o oncologista (sim!) sueco Karl-Henrik Robèrt e me encantei com esta iniciativa ultra bem-sucedida de sustentabilidade que já comemora 20 anos! Nem sei bem como classificá-lo, porque o TNS é diferente de tudo e várias coisas ao mesmo tempo. É uma ONG, é um movimento científico-empresarial, é um processo de consenso e aprendizado permanente apoiado pelo próprio Rei Carl Gustav, e uma estrutura de referência para as empresas reverem suas práticas e implementarem a sustentabilidade.

Empresas do porte de IKEA, Electrolux, Saab e McDonald’s são a prova viva de sua eficácia. Ousaram pensar diferente e mudaram completamente sua forma de trabalhar, alinhando fornecedores, conscientizando clientes e obtendo ganhos financeiros. Um exemplo: na filial da IKEA em Gottemburgo, os custos anuais de administração dos resíduos beiravam US$ 30 mil. Um ano depois haviam sido zerados e no ano posterior o IKEA teve um lucro de US$ 5 mil com seu lixo. Essa iniciativa gerou o folheto “Lixo é Dinheiro”, que foi distribuído a toda a empresa. Hoje o IKEA é uma das empresas-modelo em sustentabilidade e carro-chefe do movimento TNS na Suécia. Desenvolveu uma linha exclusiva de móveis sustentáveis e lâmpadas econômicas, conceito depois expandido para toda a sua operação. Tem cerca de 400 instrutores (gerentes) que aplicam um material pedagógico desenvolvido em conjunto com o TNS para orientar cerca de 50 mil funcionários em todo o mundo.

Como funciona o TNS? O Dr. Robèrt buscou, após um exaustivo processo de consulta e crítica com cientistas de várias áreas e intenso debate público, chegar a quatro princípios fundamentais, irrefutáveis, simples e dentro de um pensamento sistêmico, que harmonizassem ecologia e economia. Assim, as 4 Condições Sistêmicas do TNS, que precisam ser atendidas por qualquer atividade empresarial para uma sociedade sustentável são:

# 1 – A natureza não pode estar sujeita a concentrações sistematicamente crescentes de substâncias extraídas da crosta terrestre.

# 2 – A natureza não pode estar sujeita a concentrações sistematicamente crescentes de substâncias produzidas pela sociedade.

# 3 – A natureza não pode estar sujeita à degradação sistematicamente crescente por meios físicos

# 4 – As necessidades humanas devem ser satisfeitas em todo o mundo.

Portanto, se as empresas checarem seus processos e encontrarem novas formas de funcionar cumprindo essas condições, teremos um mundo sustentável. O mais interessante é que o TNS não é prescritivo. Como diz o Dr. Robèrt: ao invés de focar nas folhas e galhos, precisamos olhar o tronco e as raízes (a essência, o fundamento da questão). O mais interessante do TNS, que hoje já tem representantes em vários países, inclusive o Brasil, é que ele surgiu, cresceu e funciona como um processo de aprendizado permanente, onde é preciso nunca se conformar ou auto-limitar, e exercitar a técnica do “E se...?”, deixando as soluções brotarem das discussões e da criatividade das equipes internas, dentro da cultura, viabilidade operacional e realidade de cada empresa.

Quer ver palestra do Dr. Robèrt em inglês na universidade BTH, parceira do TNS? Entre no link http://79.136.112.58/ability/program/livepro/admin/bthfront.asp?FOLDERNAME=20090827_1303_ronneby&PRODUCER_ID=ysh

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

[DIGITAL] O admirável mundo OFF=ON

Uma revista com imagem em movimento? Uma camiseta que funciona como CD musical? Uma mureta que fornece informações tridimensionais? Todos já estão no mercado, dentro da tendência OFF=ON, mistura do offline com o online.

Por um lado, pegar ícones do mundo digital - como pixels, QR-codes ou códigos de barra - para estampar tecidos, paredes e utensílios, que podem ou não levar a algum conteúdo digital quando lidos por webcams ou celulares. Caso da “Houston Fence”, um guarda-corpo na esquina da Broadway com a Houston Av. (NY), com um padrão de QR-code que fornece infos da Prefeitura e anunciantes.





Produtos lançados online que permitem ao cliente customizá-los, como os jeans Levis Original Spin, o tênis Nike ID ou o BMW Individual; outros criados apenas em versão digital, para uso no Second Life, The Sims ou World of Warcraft, permitindo aos avatares disporem de móveis IKEA, de roupas H&M, organizadores de festas de casamento virtuais etc; ou ainda o consumidor cria desenhos online de produtos e estampas, que depois são transformados em objetos reais por impressoras em 3-D com corte a laser.

Recentemente a rede CBS inseriu um vídeo em um anúncio na revista Entertainment Weekly, para promover a estréia de uma de suas novas séries. Ação inédita, que adaptava o um vídeo digital à revista impressa (veja em http://www.youtube.com/results?search_query=cbs+embeds&search_type=&aq=fr ), usando a tecnologia VIP – Video-in-Print, composta por uma tela minúscula e fina como papel, inserida na revista, com capacidade para cerca de 40 minutos de filme. Lembrando os cartões de aniversário que tocam música, o VIP é acionado por uma bateria recarregável, mecanismo resistente e durável o suficiente para suportar todos os procedimentos de logística envolvidos.

Outro exemplo são as camisetas da LNA Clothing chamadas “Music Tees” (numa alusão a T-shirt), que trazem estampadas no peito fotos de bandas e artistas, nas costas a lista das músicas do CD e uma etiqueta com um endereço de internet e um código único, pelo qual o consumidor pode baixar uma cópia em mp3 de todas as canções, sem sequer precisar do CD físico.





Os bichos de pelúcia da Webkinz trazem uma etiqueta com um código secreto único, que dá acesso ao mundo virtual onde a criança acha uma versão digital do seu pet, um quarto exclusivo que pode decorar ao seu gosto e a loja WShop. Mochilas e maletas com painéis solares que carregam bateria do celular, ou roupas com dispositivos WiFi que permitem ouvir músicas ou conectar um site. Produtos lançados em “beta perpétuo”, que evoluem permanentemente a partir dos feedbacks dos clientes, como os chocolates da fábrica Tcho em São Francisco/EUA, vendidos apenas ali ou online. E finalmente a tendência do “espelho”, onde se procura incorporar ao mundo real a dinâmica do digital, como layouts de supermercados mais intuitivos, com endosso de clientes feitos online sobre os produtos exibidos em displays na loja.


O mundo OFF=ON cresce em direções inusitadas, e à medida que as gerações mais novas de consumidores, já nascidos na era digital, representem a totalidade do mercado, a busca por esses cruzamentos tende a aumentar. Saiba mais em http://trendwatching.com/trends/offon.htm

Bem vindo à Realidade Aumentada (RA)





Certamente você já esbarrou por aí com o termo, ou com aqueles códigos de barra quadrados (os QR-codes, de “Quick Response”, criados pela empresa japonesa Denso-Wave). A RA é a interação do mundo real com o virtual, que vai tornar o universo dos jogos, publicidade e ciência mais interativo. “Os engenheiros de software são os novos astros do marketing”, diz Tom Bedecarré, Diretor-Geral da agência digital AKQA.

A RA existe desde a década de 90, e um exemplo conhecido é o Nintendo Wii. Recentemente, passou a usar imagens com códigos especiais que contêm as informações da programação. Qualquer ícone numa superfície chapada serve para repousar o modelo matemático que irá gerar a imagem em 3-D, como um rosto ou um objeto. A imagem é capturada por uma câmera e decodificada pelo computador ou celular, que recria na tela o conteúdo tridimensional criado pelos desenvolvedores.

O projeto Skol Sensation foi a ação de RA pioneira no Brasil (março/2009). No hotsite, o internauta pode ver em 3-D os melhores momentos dos shows, ao colocar na frente da webcam o anúncio ou postal do festival, ou imprimir o que o site disponibiliza. Experimente em http://www.skolsensation.com.br/realidadeaumentada/ e veja o filme com um internauta em ação em http://www.youtube.com/watch?v=2-ye-QEiBYg .

A construtora mineira Tenda, apesar de focar no segmento econômico de baixa renda, investiu nessa ferramenta ousada. Oferece uma experiência em RA (http://www.tenda.com/ra/ ): ao aproximar da webcam o símbolo impresso em anúncio ou folheto da empresa, a maquete e o interior do apartamento tridimensionais aparecem na tela. O cliente pode ter uma noção bem próxima do real da arquitetura, infraestrutura, espaço interior e possibilidades de decoração do imóvel.


Um exemplo de campanha de RA com celular é a do Ford Ka no Reino Unido. O cliente apontava a câmera do celular para o QR-code de um outdoor e via na telinha o modelo do carro em 3-D. Para isto, o celular precisa ter instalado um programa especial para produzir as imagens. Conforme o ângulo em que se apontava o celular para o símbolo, havia uma mensagem secreta direcionando para o endereço http://www.gofindit.net/. Veja a ação em http://www.youtube.com/watch?v=PrwmHnnSXYo&feature=player_embedded e saiba mais sobre a RA em http://www.forumpcs.com.br/coluna.php?b=258579




No futuro, os objetos de RA poderão ser combinados com dados do próprio espectador, de modo a criar um anúncio totalmente direcionado a ele. Se hoje os experimentos criam experiências coletivas, no futuro serão experiências perfeitamente customizadas para cada pessoa individualmente, diz Chris Jenkins, da agência responsável por esta ação. Veja uma amostra das possibilidades dessa tecnologia no extrato do filme Minority Report em http://www.youtube.com/watch?v=NwVBzx0LMNQ

terça-feira, 25 de agosto de 2009

[PLANETA] Lavagem Ecológica


Como viajo Brasil afora, às vezes esbarro em coisas surpreendentes, como foi o caso em Porto Alegre da ECOÁGUA - pertencente aos irmãos Leandro (foto) e Juliano Forster. É uma empresa de lavagem de carros na Av. D.Pedro II que coleta, trata e reutiliza 100% da água que consome. Nasceu na incubadora da UFRGS, onde se desenvolveu um equipamento capaz de remover todas as partículas sólidas. Isso gera uma economia média de 80% no consumo de água e cerca de 60 mil litros de água potável por mês.

A reciclagem da água gera um lodo composto de óleo, graxa e da sujeira que sai dos carros, material que poderia ser enviado para um aterro sanitário, não eliminando seu potencial poluente. Ao invés disso a Ecoagua envia este passivo ambiental para uma empresa especializada, neutralizando a carga e tornando-a inofensiva ao meio ambiente. Pensa que acabou aí? Não !

Todos os fornecedores escolhidos possuem licenças de operação e certificações que declaram a aplicação de boas práticas produtivas. Os produtos são biodegradáveis e de composição neutra. O lixo recolhido do interior dos veículos é descartado de forma seletiva, para que seja facilitada sua reciclagem. Os tickets de controle dos carros, material de divulgação e apoio são todos feitos em papel reciclado, os sacos de lixo em material orgânico e só usam lâmpadas de econômicas. Resultado: a empresa funciona todos os dias da semana e já está ganhando no boca-a-boca a preferência dos gaúchos. Tomara que virem franquia ou rede, porque alguém duvida que irão longe?

(Dica do aluno Julio Soccol, Consultor de Soluções Corporativas PME da Claro e cliente fiel e engajado desse serviço)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

[JOB] Para profissionais do agronegócio

Outra oportunidade, enviada através do blog Pensando de meu amigo Cristóvão Pereira:

Prezados,

Estou buscando um Gerente de Produção para trabalhar no Mato Grosso (região de Barrado Bugres) com a seguinte missão:

Administrar e alavancar a unidade de negócios (pecuária de corte)

Com reporte ao Presidente do grupo, terá como principais responsabilidades:

• Gestão da unidade e administração estratégica da operação como orçamentos,indicadores econômicos (custo de produção, rentabilidade);
• Gerenciamento de equipe;• Saúde e nutrição animal;
• Manejo de pastagens e controle de pragas;• Manejo de recursos hídricos;• Trato e utilização de madeira;
• Conhecimentos básicos de maquinário (veículos leves e pesados, tratores eesteira, bombas elétricas e hidráulicas, motores geradores, moto serras eoutros);
• Conhecimentos básicos de construção civil rural;
• Direito rural, especialmente as normatizações do INCRA, SEMA e INDEA;
• Conhecimento de fornecedores e habilidade de negociação em compras;• Conhecimento de frigoríficos, com vistas a venda de gado;
• Conhecimento de sistemas de gestão agropecuária, inclusive informatizados,incluindo controle de estoque, patrimônio, movimentação de gado,rastreabilidade bovina;Perfil desejado:
• Pessoa de bom trato, perfil agregador, mas capaz de liderar equipe debaixo nível de formação acadêmica. Líder legítimo.
• Agrônomo ou Zootecnista, com experiência acima de 3 anos na atividade depecuária de corte.

Remuneração:
• Salário a combinar
• Bônus
• Benefícios: AM, seguro de vida, carro da empresa, combustível e moradia nafazenda

Tendo interesse na oportunidade, encaminhe seu currículo parajamile.maruchi@gmail.com.Indicações serão muito bem vindas! Conto com sua ajuda!

Abraços,
Jamile Maruchi
(17) 8123-4758

[JOB] Oportunidade no 3o. Setor

O Rio Como Vamos, organização voltada à defesa dos interesses da cidade do Rio de Janeiro, está oferecendo vaga para profissional que apresente as seguintes características:

1. Perfil:
formação em ciências sociais, economia ou estatística com forte experiência em levantamento e tratamento de dados quantitativos; boa comunicação.

2. Atribuições:
· manter atualizada a Matriz Insumo/Produto de Informações do Rio Como Vamos
· manter contato regular com órgãos produtores de informação
· apoiar a coleta de informações requeridas pela área de Comunicação
· coletar e sistematizar dados necessários ao acompanhamento dos programas/metas/indicadores definidos pela Prefeitura segundo as áreas prioritárias do Rio Como Vamos
· apoiar a análise de pesquisa de percepção· apoiar e acompanhar os trabalhos de atualização anual dos Indicadores Rio Como Vamos
· apoiar a direção na preparação de apresentações sobre o Rio Como Vamos e eventualmente representar a organização em eventos públicos

3. Dedicação:
integral; disponibilidade para viagens.

Caso conheça alguém que se interesse pela oportunidade, solicito que a pessoa envie Curriculum vitae para info@riocomovamos.org.br até o dia 15 de agosto de 2009.

Cordialmente,
Coordenação Rio Como Vamos

segunda-feira, 13 de julho de 2009

[MARCA] Afroreggae: um trabalho primoroso de branding


É sempre difícil tangibilizar o conceito de brand equity e exemplificar um trabalho bem amarrado de branding. Até porque não existe uma "receita de bolo", já que o segredo do negócio é fazer uma espécie de "psicanálise" da marca, e envolver os seus gestores num processo de reflexão profunda sobre sua visão de mundo e os valores que forjam a cultura da organização. É essa descoberta que vai desaguar no desenvolvimento de uma estética, uma linguagem, uma coerência entre todos os elementos, e projetar para o mundo externo a percepção daqueles valores como uma causa digna de ser defendida.

De repente fui brindada com o "Book da Linguagem da Marca" da ONG Afroreggae. Nada do que eu possa dizer aqui vai descrever melhor do que você ler esse documento, que é um primor de branding orientado pela Thymus, onde tive o prazer de trabalhar anos atrás quando ainda se chamava Guimarães Profissionais.
Compartilho o book com vocês no link abaixo com o nome "Afroreggae Book Linguagem". É uma verdadeira aula de bom branding. Enjoy !

http://www.slideshare.net/patsario/afroreggae-book-linguagem

terça-feira, 30 de junho de 2009

Incentivo ou Despotismo Cultural ?


(Contribuição de João Touma, da SAGRE CONSULTORIA - Elaboração e Gestão de Projetos Culturais - joaotouma@sagre.com.br e www.sagre.com.br )


O setor cultural está em pé de guerra. As mudanças propostas pelo atual ministro Juca Ferreira na Lei Rouanet estão deixando muita gente preocupada com os rumos da produção cultural brasileira. Atualmente a Lei permite que pessoas físicas e jurídicas destinem 6% e 4% respectivamente do seu IR para financiar projetos culturais, aprovados pelo MinC.

Para combater a centralização de recursos no eixo Rio-SP, o MinC propõe mudanças na lei, como “Fundos Setoriais” administrados pelo Governo e o “Vale Cultura”, além de novas faixas de renúncia fiscal para o Mecenato (as empresas é que selecionam os projetos que irão patrocinar). Hoje só há duas faixas (30% e 100%), com um critério de aprovação simples e objetivo: o segmento cultural, não permitindo qualquer análise subjetiva quanto ao mérito do projeto. Na nova Lei seriam 30%, 60%, 70%, 80%, 90% e 100% e quem determinará quanto cada projeto terá de isenção serão os novos Conselhos Setoriais.

Sem critérios pré-definidos, eles irão determinar o percentual de renúncia de cada projeto segundo o “interesse público”, critério pra lá de subjetivo e que arrepia os produtores, temendo o chamado “dirigismo cultural”, ou seja, os projetos de interesse do Governo (e dos amigos do Governo) terão maior renúncia, em detrimento dos demais. Apesar das negativas enfáticas do MinC, não há qualquer argumento que possa garantir que isso não vá ocorrer.

Analisando friamente, esta aparente concentração é relativa, afinal muitos proponentes que candidatam projetos à Lei Rouanet (e os aprovam) não batalham patrocínio, não têm condições técnicas de realizar o que propõem e terminam engrossando a estatística dos “projetos sem captação”.

Desde sua criação a Lei distribuiu aproximadamente R$ 8 bilhões. Em 2008 foram 14.400 apoiadores, um recorde histórico, em sua grande maioria empresas, que a cada ano aprendem a utilizar os mecanismos de fomento e aumentam o valor investido na Cultura. Nos últimos anos, a renúncia fiscal do Governo Federal para a Lei Rouanet subiu de R$ 200 milhões para R$ 1,2 bilhão em 2008 (dados do MinC).

Ao acabar com o modelo vigente de incentivos fiscais o Ministério estará centralizando as decisões sobre como e onde investir o dinheiro dos impostos. O Governo estará dando um “tiro no pé”: a desconfiança dos patrocinadores poderá emperrar a roda que movimenta a economia da cultura, gerando ainda mais desemprego e falta de oportunidades no Setor Cultural.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

[SOCIAL] A sobrevivência da espécie humana depende de voltarmos a ser humanos


Fiz questão de buscar várias teorias científicas consagradas no meio acadêmico, ambientalista e empresarial para embasar o que mais ouvi durante os dois importantes eventos dos quais participei – a “Conferência Internacional Ethos 2009/Rumo a uma nova Economia Global” e o “UnoMarketing/Comunicação Consciente”. Não se falou de outra coisa: CONEXÃO e CONSCIÊNCIA.

O psicólogo Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia em 2002, cunhou o termo Ciência Hedônica – estudo daquilo que torna a vida prazerosa ou não. Seus colegas Nobel, Joseph Stieglitz e Amartya Sem, trabalham para criar um “indicador de felicidade” como medida econômica para substituir o PIB. O escritor e futurista Erwin Lazlo defende que o velho paradigma da Conquista, Consumo e Colonização está se auto-destruindo, e um novo paradigma está emergindo: Conexão, Compreensão e Cooperação. A “Carta da Terra” construída durante seis anos via cooperação multidisciplinar e global fala de amor, felicidade e cuidado. Ken Wilber, criador da “Psicologia Integral”, em 97 foi considerado pelo jornal alemão Die Welt "o maior pensador no campo da evolução da consciência" e com sua “Teoria de Tudo” propõe um meta-modelo do conhecimento que unifique e estruture físico, vida, mente, alma e espírito, e portanto negócios, política, ciência e espiritualidade. Afinal, um consumidor, um executivo e um político são, antes de tudo, seres humanos com valores, espiritualidade, desejos, sonhos e sentimentos.

Isto foi apenas para preparar seu espírito para os conceitos apresentados pelo filósofo Bernardo Toro: “Quando a sobrevivência da espécie está em risco, desaparecem discussões ideológicas e fronteiras geográficas”. Só vamos sobreviver mudando totalmente o eixo de nosso comportamento e construindo uma nova ética baseada em RESPEITO e CUIDADO.

CUIDADO com o corpo (saúde, estética, expressão corporal), com o espírito (autoconhecimento, auto-estima, autonomia, controle dos sentimentos negativos, ter um projeto de vida) e com os outros (vínculos familiares, amigos, amores, redes de apoio social e profissional, organizações civis). É urgente mudar a forma como enxergamos nosso intelecto: um bem privativo que nos dá proteção e vantagem competitiva, a inteligência escolar tradicional. Ao invés, renunciar à pressão guerreira por desempenho e adotar um “altruísmo cognitivo”, questionando e refletindo sobre a realidade, sendo criativos, solidários, aprendendo a pedir ajuda e informação, fonte de moldagem do nosso caráter.

RESPEITO na forma de lidar com os outros, buscando equidade, solidariedade, formação e participação política e cuidando dos bens públicos. Claro, cuidar do planeta, adotando os 3 Rs (Reutilizar, Reciclar, Reduzir), agora austeridade é chique !

Para isso precisamos adotar três providências simples: CONVERSAR (falar a verdade, com fundamento, sinceridade e precisão), ESCUTAR (estar aberto a outras versões) e fazer SILÊNCIO (refletir). Cada um de nós é um observador diferente da realidade e não existe verdade absoluta, o que seria uma violência, uma imposição. E se toda empresa é um sistema de relacionamentos, então é de conversas – internas e externas. Nesse âmbito, buscar transações ganha-ganha; saber criar valor econômico e ético simultaneamente (Coopetência); produzir bens úteis, dignos, sustentáveis; aumentar qualidade e diminuir obsolescência; estimular consumo sustentável; e exigir transparência do Estado.

Confesso que saí com a cabeça fervilhando, porque se numa reunião do PIB nacional que reuniu 1.600 pessoas alinhadas com o fato de uma nova economia não ser opcional porque o estado do mundo é crítico, essas questões estão sendo vistas como viáveis e necessárias, logo, um tsunami de mudanças está vindo por aí.

terça-feira, 16 de junho de 2009

[PLANETA] Abaixo o PIB e Feliz Já !


Estamos roubando o futuro, vendendo-o no presente e chamando de PIB” é a frase emblemática do escritor Paul Hawken, que propôs o Capitalismo Natural. Em 2004 o ambientalista Lester Brown e Hugo Penteado, economista-chefe do Banco Real, já chamavam atenção para a Eco-Economia e a necessidade de incorporar os passivos ambientais e sociais aos balanços financeiros. Em 2008 Nikolas Sarkozy criou a Comissão para Mensuração do Desenvolvimento Econômico e Progresso Social, liderada por dois Prêmios Nobel de Economia (Joseph Stiglitz e Amartya Sen), para propôr um indicador que possa substituir de forma confiável o PIB e superar a evidente dissonância entre os “números mágicos” da Economia clássica e os fluxos de capital especulativo de um lado e a vida real, o bem-estar e a felicidade humana de outro. O PIB é apenas quantitativo: trata de medir a área de cuidados com a saúde pela venda de serviços médicos e medicamentos, em vez do número de pessoas saudáveis.

Veja só: o PIB dos EUA triplicou desde 1950, mas sua Pegada Ecológica é de 10 planetas, aumentou o número de divórcios, suicídio adolescente, crimes, depressão e 1 em cada 100 americanos está na prisão (maior população carcerária do mundo). Pesquisa de Ed Diener (Univ. Illinois) com os homens mais ricos da Forbes apontou um nível de felicidade igual ao dos Amish, esquimós Inuits e africanos Masai, comprovando o “Easterlin Paradox”, onde a curva de felicidade começa a decrescer após o ponto onde atingimos o “suficiente”, porque entramos numa escalada de não nos conformarmos com o que temos e buscar sempre mais, substituindo um vazio existencial com o consumo de bens.

Uma nova economia demanda novas medidas. E a proposta da hora é o FIB – Felicidade Interna Bruta, que incorpora elementos como uso equilibrado do tempo, fruição de cultura, proteção ambiental, vitalidade comunitária, bom padrão econômico, educação, saúde e boa governança. Ou seja, inclui dimensões subjetivas e não-materiais. Já se fala em expandir o “Triple Bottom Line” de Elkington para 9 dimensões. O Projeto FIB Brasil liderado pela Unicamp trabalha nesse sentido. E antes que você pense ser “papo-cabeça”, o reino do Butão já adota há anos uma medida semelhante por decisão governamental e é considerado um caso de vanguarda mundial.

[PLANETA] Varejo unido turbina a causa da Sustentabilidade



Tenho insistido que é irreal esperar dos consumidores a pressão central para os fabricantes se mexerem, porque não somos capazes de resgatar toda a cadeia produtiva (e portanto a responsabilidade) de cada produto que consumimos. Mas agora um torniquete real apertou na garganta das empresas: as três maiores redes varejistas do país – Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart se uniram e não vão aceitar fornecedores anti-ecológicos. A começar pelos frigoríficos cuja carne contribui para o desmatamento da Amazônia, para fazer pasto. Essa iniciativa foi viabilizada pelo relatório “Farra do Boi” produzido pelo Greenpeace, que expôs toda a cadeia produtiva da carne. O Wal-Mart já faz auditoria socioambiental de todos os fornecedores de quem compra acima de um determinado volume. O Pão de Açúcar tem gôndolas de Comércio Solidário, produtos de comunidades locais e ONGs, além de ter criado sua marca própria TAEQ de bem-estar (cama, banho, alimentos e higiene). Todos vêm aumentando seu portfolio de produtos orgânicos e naturais.

Outras providências interessantes estão sendo adotadas: a substituição das sacolas plásticas por eco-bags. Entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacos plásticos são consumidos/ano no mundo e menos de 1% é reciclado, porque é mais caro reciclar que produzir um novo. Logo, 4 milhões de quilos acaba no oceano, em regiões tão distantes como o Círculo Ártico e as Ilhas Malvinas, matando animais marinhos sufocados ou intoxicados. A eco-bag do Carrefour já está em 112 lojas ao preço de R$ 2,99 e economizou 10% de sacolas plásticas; a do Pão de Açúcar é parceria com a S.O.S. Mata Atlântica, para a qual reverte fundos.

O Wal-Mart Supercenter Granja Vianna é uma eco-loja modelo onde se gasta -17% de energia com ar condicionado (usando vidros reflexivos, uma “Parede Verde” vegetal, calibragem do equipamento na área de perecíveis) e com iluminação (lâmpadas eficientes e clarabóias). Usam -12% de água através de recaptação de águas pluviais e tratamento de esgoto, além de terem no entorno uma área de preservação, estacionamento com piso de concregrama e selo da LEED de construção sustentável.



A eco-loja Pão de Açúcar Indaiatuba tem estacionamento engajado, com placas que sinalizam preferência por carros flex, clientes que fazem reciclagem e usuários de bicicleta. Todas as gôndolas são de madeira de reflorestamento certificada pelo FSC, as bandejas de isopor foram susbtituídas por de fécula de mandioca, na entrada externa há um “Painel de Sustentabilidade” com todas as estatísticas dos ganhos ecológicos da loja e uma “Estação de Reciclagem” em parceria com a Unilever para coleta seletiva, inclusive de biodiesel. Junto aos Caixas, há uma “Caixa Verde” onde o cliente já pode descartar suas embalagens recicláveis antes mesmo de pagar a conta. E a loja neutraliza todas as suas emissões de CO2. Várias dessas ações já estão em outras lojas da rede.









Semana passada a convite da ABAP fiz palestra sobre “Varejo Sustentável” e quero enfatizar a grande importância que esse setor tem para a causa da Sustentabilidade, inclusive educativa, contribuindo para uma mudança cultural em todos os níveis: fornecedores, funcionários e consumidores.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

[DIGITAL] O “LATINO DIGITAL”


Se você ainda tinha dúvidas ou resistências sobre o uso de mídias digitais para disseminar qualquer tipo de informação (denúncias, campanhas, produtos), vários depoimentos no recente WAVE Festival trataram de demolir o preconceito.

Os latino-americanos são o povo mais presente na web, brasileiros à frente da tendência. O seu uso do celular e do computador está acima da média mundial, e no Brasil ficamos mais de 24h/mês nessas plataformas. Os 145 M de internautas nacionais passam por semana 7h lendo notícias, 3h assistindo vídeos, 11h em programas de mensagem (Skype, MSN) e 60% estão em redes sociais (por vezes mais de uma). Por isso o investimento em publicidade online cresce 30-35% ao ano enquanto as outras mídias vêm caindo.

O Portal Terra veiculou em tempo real na web e no celular os Jogos de Pequim, e teve mais internautas (1,5M) do que a rede de TV NBC americana que detinha os direitos de transmissão (1 M).

Pesquisa “O futuro da mídia” da Deloitte e Harrison Group em 2008, com pessoas das gerações Y (14-25 anos), X (26-42), Baby Boom (43-61) e Madura (62-75) confirma a dominância dos jovens nesses meios, sendo que para 81%, o computador superou a televisão como fonte de entretenimento. Games são importantes formas de diversão para 58% dos entrevistados e 83% produzem seu próprio conteúdo de entretenimento usando programas de edição de fotos, vídeos e músicas.

Segundo o Ibope/Net Ratings, só em maio de 2008, 20,6 milhões de pessoas freqüentaram sites de relacionamentos, fotologs, videologs e programas de mensagens instantâneas. As redes sociais já desempenham papel mais importante que o acesso a emails no cenário da internet mundial. No mundo, enquanto em média 65,1% dos internautas acessam emails, 66,8% acessam redes sociais. E o Brasil é o líder absoluto em redes sociais, com 85% de seus internautas que acessam pelo menos uma rede. Na prática isso reafirma a tendência de se contextualizar, analisar e organizar de forma capilar os conteúdos, inclusive os jornalísticos, em sites e blogs, deixando para trás os velhos modelos dos jornais impressos diários.

Enquanto isso, em Brasília... o Exmo. Ministro das Comunicações, perdendo o bonde da história e demonstrando sua grande expertise no assunto, afirmou no 25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão que "Essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet. Tem que assistir mais rádio e televisão". É, estamos bem servidos...


[MARCA] Sustentabilidade invade as Agências de Propaganda


Duas notícias importantes chegaram ao mercado este fim de mês: as agências de propaganda Ogilvy e África criaram estruturas inteiramente dedicadas ao branding e sustentabilidade. Antiga “usina” de resultados imediatistas para clientes capitalistas às vezes selvagens e criativos em ego-trip, o setor de propaganda finalmente acorda para a necessidade de se readequar às novas demandas de um mercado mais sócio-ambientalmente engajado, onde não cabem estereótipos, falta de ética, consumismo inconsciente e conversas superficiais.

A Ogilvy Earth vai unificar as atividades de publicidade, RP, relações governamentais, entretenimento, endocomunicação, mídia digital e consultoria sob um mesmo guarda-chuva, atuando como braço de sustentabilidade para os clientes. Foi a Ogilvy que criou a controvertida campanha “Beyond Petroleum” da BP (acusada de ser greenwash) e a “Smart Planet” para IBM. A O.Earth já começa com a campanha para a conferência de mudanças climáticas da ONU em dezembro, em Copenhagen.

A África comprou o passe de Rômulo Pinheiro, ex-diretor da Thymus (leia-se Ricardo Guimarães e branding Natura, Banco Real e TAM) e ex-BrandAnalytics, consultoria focada em avaliação financeira de marcas. Ele levará para a agência em nível de VP uma inestimável expertise em trabalhar com o DNA das marcas e processos transversais que integram criação, planejamento, atendimento e mídia de forma multidisciplinar e focada nos ativos intangíveis dos clientes.
Quem sabe agora começaremos a ver campanhas menos "engraçadinhas" e mais relevantes, onde faça diferença se tamparmos o logotipo - quantas marcas resistiriam a este teste e ainda assim seriam reconhecidas, pela sua coerência interna, seu discurso característico, a visão de mundo que defendem?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

[SOCIAL] Os Conexionistas e os Gerentes de Ecorrelações


Se já percebeu que “tudo está conectado a todas as coisas” e que “a empresa é um sistema vivo integrante de um ecossistema complexo” (Fund.Nac. Qualidade), vai achar naturais as novas profissões que apontam no horizonte. Segundo pesquisa da USP, são cargos como Ger. de Ecorrelações (cuida da sustentabilidade, trabalhando com todos os stakeholders), Chief Innovations Officer, Ger. Marketing Eletrônico, Gestor de Aprendizagem e Auto-Desenvolvimento e até Orientador de Aposentadoria (porque você estuda durante 25 anos, faz carreira por mais 30 e tem ainda 30 anos produtivos e saudáveis pela frente para desfrutar, que por sinal o sistema de previdência não vai agüentar).

Embora empresas falem de pensamento sistêmico, a educação atual trabalha com a “desconexão” - concentrar-se em maximizar retorno no mais curto prazo, para apenas um grupo: os acionistas. No futuro, ao invés de especialistas que isolam os problemas, haverá "conexionistas" que conseguem pensar de maneira criativa sobre o modo como coisas, números e pessoas se relacionam uns com os outros. Como a formação é multidisciplinar e não há curso específico, atualmente as empresas contratam pessoas com experiência prática que dominem áreas diversas como engenharia, administração, economia, sociologia e antropologia. O aprendizado baseado na experiência (raciocínio indutivo) e na reflexão abstrata (raciocínio dedutivo) deve dar lugar ao um movimento contínuo com espaço para experimentações e suposições (raciocínio abdutivo). Trocando em miúdos, ser um auto-didata curioso e investir em uma formação intelectual, física, intuitiva e ética, onde cabem coisas tão diversas quanto meditação, arte e temas fora da área de gestão para “abrir a cabeça” (como palestras de filosofia, livros sobre cognição ou psicologia). Na pior das hipóteses, haverá pessoas bem mais interessantes e cheias de assunto !

Até Daniel Goleman, o “pai” da Inteligência Emocional, já defende a tese de uma nova Inteligência Ecológica, que tem origem na ecologia industrial – o olhar holístico sobre todo o impacto causado na cadeia de produção – ampliando esse conceito para a conscientização de cada indivíduo enquanto pessoa física (consumidor) e gestor de empresas, além do exercício da empatia, que até Obama vive repetindo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

[PLANETA] O Clima e a Ruptura Tecnológica



Plantas perenes, Furfurais, Algas mutantes, Superfermentação, Filmes Fotovoltaicos, Nanobaterias Solares ??? Vá se acostumando, pois são as novas tecnologias que vêm por aí para minimizar o aquecimento global. Quando digo para meus alunos e clientes que há inúmeras oportunidades para quem se dedicar a essas novas áreas, é fato. E a crise só faz aumentar a busca por soluções criativas e mais econômicas.

Biocombustíveis a partir de celulose de algas ou gramas naturais chamadas “plantas perenes”, que não mais ameaçam a segurança alimentar transformando plantações de milho e trigo em etanol, e crescem em áreas degradadas, demandam menos insumos agrícolas e são mais baratos; catalisadores sintéticos que aumentam a produção de celulose, gramas nativas e cana-de-açúcar (a “superfermentação”); substâncias obtidas pela decomposição de resíduos agrícolas e lixo urbano que geram um combustível mais energético que o etanol, não-tóxico e que não se mistura na água (os “Furfurais”). Todos eles perfeitamente compatíveis com os veículos e postos de combustível que já existem.

Em outra frente, o vento e o sol. Os geradores eólicos produzem 1,5% da eletricidade mundial. Obama quer 30% da energia dos EUA até 2030 gerada por essa fonte e a China até 2020 vai usar o vento para gerar o equivalente ao que o Brasil inteiro consome de eletricidade. Dezenas de empresas desenvolvem soluções de energia solar. Filmes flexíveis fotovoltaicos, baratos e que podem ser instalados em telhados, tetos de carros e eletrônicos (Evergreen Solar); nanobaterias solares que absorvem centenas de vezes mais energia que as células solares atuais, tendo o Japão à frente; tubos fotovoltaicos que produzem o dobro de uma célula convencional (Solyndra).

Finalmente o badalado Hidrogênio, de alta performance, cuja queima produz apenas vapor d’água, mas ainda com produção caríssima. Nada que algas mutantes não possam resolver, projeto em parceria do Depto. Energia com várias entidades de pesquisa dos EUA. Tudo devidamente acompanhado pelas montadoras, como Toyota (Prius), GM (Buick Lacrosse) e Mazda (Premacy).

Num próximo post, contarei as metas ambiciosas (embora inevitáveis !) que os países estão estabelecendo para a questão do clima, via rupturas tecnológicas na matriz energética. As empresas de petróleo terão que se mexer, e rápido... a economia de baixo carbono vem com tudo.

[DIGITAL] A Comunicação como Risco Corporativo



A Comunicação Empresarial está vivendo uma grande revolução. As empresas perderam a centralidade das informações, porque qualquer um pode ser provedor de conteúdo sobre elas e seus produtos. O problema é que não têm mais o controle do que é falado, e até que ponto a informação é confiável ou bem intencionada. Em outubro 2008 um jovem americano postou no iReport, blog de jornalismo participativo da CNN, notícia de que Steve Jobs teve um ataque cardíaco. A Apple, que já vinha sofrendo uma crise de confiança dos investidores pelos problemas de saúde de Jobs, viu o valor de suas ações cair 5,4% e precisou se organizar rapidamente para desmentir o boato que se espalhou em minutos.

Tratar a comunicação como risco corporativo é essencial e demanda existir uma estrutura que administre essas relações, como fez a Natura, que tem uma equipe de mais de 50 pessoas internas e outros terceirizados para monitorar a blogosfera e rapidamente responder a qualquer informação distorcida. “Humanizamos o processo para explicar o que acontece e dialogamos na mesma intensidade do interlocutor do outro lado”, diz Rodolfo Gutilla, Diretor de Assuntos Corporativos.

Se o site da empresa é um espaço controlado, nos blogs e redes sociais reina o caos, mas é dali que podem vir inovação, dados de pesquisa, tendências e a construção de vínculos mais verdadeiros com a marca. O perfil do profissional que irá administrar essa área estratégica da comunicação precisará ser multidisciplinar e incluir história, antropologia, sociologia, tecnologia, comportamento humano, psicologia, economia e política, segundo Paulo Nassar, Presidente da ABERJE.

Fonte: Revista Mundo Corporativo/Deloitte – ed. Abril-Junho 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

[DIGITAL] Envolver-se e monitorar a Web 2.0 é nova obrigação corporativa

(Contribuição de Marcos Aurélio Belle, ex-aluno de Campinas, que mandou link da McKinsey, e artigo da AdAge publicado na MMbymail)

A pesquisa anual que a McKinsey faz com executivos americanos sobre o uso corporativo das ferramentas da Web 2.0, aponta que a grande maioria das empresas(94%) ainda explora mais o uso interno - endomarketing, gestão do conhecimento e treinamento - e quando usa para se relacionar com consumidores (87%) o objetivo é atendimento ao cliente e conquista de novos usuários. A participação colaborativa dos clientes nos processos de confecção de produtos e como fonte de inovação só é praticada por metade delas.



Do mix de ferramentas disponíveis mostradas no gráfico, são usados em média de 2 a 3 tipos por empresa. A mais usada (58%) são os websites, com suas funcionalidades de transações e fornecimento de informação, seguido das redes sociais (32%), blogs (31%) e wikis (26%). As maiores barreiras para o sucesso têm sido a dificuldade de medir o retorno financeiro e o baixo incentivo que as companhias dão a funcionários e clientes para aderirem. As mais bem sucedidas são as que criam um pacote amplo de ferramentas integradas às rotinas dos usuários e estruturas dentro da organização para gerenciar os esforços de modo sistemático. Quem não vê resultados é porque não adotou nada disso, e está deixando sua reputação correr grandes riscos nesse ambiente virtual irreversível. Porém, 60% já declara estar aumentando seus investimentos e se reestruturando para esse novo ambiente.

Um exemplo recente foi o escândalo envolvendo a Amazon, flagrada por blogueiros e integrantes de redes sociais ao retirar de seu catálogo livros e filmes com temática gay escritos por James Baldwin, Gore Vidal, Jeanette Winterson etc. A empresa falhou duplamente: monitorar 24 h por dia/7 dias na semana o que falam sobre ela na web e responder rapidamente às denúncias, que justificou como falha técnica depois de um silêncio de dois dias. A informação se alastrou no fim de semana feito fogo pelo Twitter com tags como #amazonfail e #glitchmyass (falha técnica o caramba!).

Segundo a AdAge, "Nesta era de comunicação instantânea, nenhuma empresa pode parar de prestar atenção ao que estão falando sobre ela na internet. Uma piada de blogueiros diz que eles podem causar diversos problemas nas finais de semana, já que as grandes empresas não monitoram suas marcas neste período."

Para ver a pesquisa completa com gráficos detalhados, entre em http://www.mckinseyquarterly.com/Business_Technology/BT_Strategy/Building_the_Web_20_Enterprise_McKinsey_Global_Survey_2174, se cadastrando gratuitamente no site da McKinsey.

[PLANETA] O mito do Carbono Neutro


Meu papel aqui é desmistificar, dar a famosa “pilulinha vermelha” para vocês verem o outro lado da Matrix. Assim, tropecei com o livro “The Carbon Neutral Myth: Offset indulgences for your climate sin” de Kevin Smith, que defende com fatos uma tese interessante: assim como a Igreja vendia indulgências na Idade Média, o mercado de carbon offsets (ou neutralização de carbono) está se transformando em algo semelhante, com as empresas comprando o direito de poluir ao invés de investir em medidas efetivas de redução das emissões – perseguir o carbono zero. Veja bem: não emitir CO2 é diferente de compensar emissões plantando mudas de árvores ou outras providências, que apaziguam as empresas com seus acionistas e consumidores e enriquecem os agentes intermediadores, mas podem gerar graves desequilíbrios sociais que ficam escondidos.

O grupo Coldplay, através da Carbon Neutral Company (CNC), neutralizou as emissões da produção e distribuição de seu álbum em 2002 com a plantação de 10.000 mudas de manga em Karnataka/Índia, que iriam gerar sustento para a comunidade local. Fãs também foram encorajados a comprar mudas que levariam seu nome. Resultado: sem fertilizantes, dinheiro e água para os agricultores manterem as mudas, a maioria delas morreu. Rolling Stones, U2, Brad Pitt & Angelina Jolie são outras celebridades que frequentemente se engajam em projetos “furados”, crentes que estão ajudando, mas no fundo desviando a atenção da opinião pública dos resultados desastrosos.

A British Airways e a British Gas ganharam créditos de carbono por um projeto de eficiência energética numa favela da Cidade do Cabo/África do Sul, onde os habitantes receberam lâmpadas econômicas, mal tendo renda para se sustentar e consumo que gerasse efetivo desequilíbrio ecológico. Na região de Elgon/Uganda, atividades tradicionais como criação de gado e extração de lenha foram tornadas ilegais para dar lugar a plantações que interessavam a projetos de neutralização, gerando êxodo da comunidade local.

Se quiser saber mais, o livro tem download em www.carbontradewatch.org

[CHAMADA GERAL] SE CADASTREM EM 2 CLICKS !

Caros,

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Abs,
Patrícia