quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Video sobre Sustantabilidade / TED Conference


Alex Steffen, fundador do periódico online especializado em sustentabilidade Worldchanging.com faz apresentação na Conferência TED, onde fala como é vital a humanidade reduzir sua Pegada Ecológica, à medida em que o estilo de vida ocidental se expande para os países em desenvolvimento. Veja a palestra em Alex Steffen sees a sustainable future Video on TED.com .

TED é uma ONG devotada a idéias que valem a pena ser disseminadas - sua missão é "Fomentar e Divulgar grandes idéias". Surgiu em 1984 como uma conferência que reuniu profissionais das áreas de Tecnologia, Entretenimento e Design, e desde então vem se expandindo para outras atividades: hoje faz conferências anuais em Long Beach/EUA, Oxford/UK e Índia, sempre gratuitas e divulgadas online no premiado site TEDTalk. Há também o TED Prize, que premia iniciativas inovadoras nessas áreas, e programas comunitários, entre outros. Nas conferências, expoentes como Al Gore, Jane Goodall e nerds que estão puxando a ponta da tecnologia em laboratórios como o MIT (futuramente post a respeito).

Saiba mais em http://www.ted.com/. Há muitos videos interessantes lá.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

[PLANETA] Faça um Retrofit na sua moradia !



A construção civil é uma das atividades de maior impacto ambiental e por isso mesmo vem sofrendo uma revolução em suas práticas. Além das construções sustentáveis (mais posts com esse tag aqui no blog), em áreas metropolitanas decadentes ou imóveis de valor histórico que precisam ser preservados, a onda agora é o Retrofit. Diferente da restauração, que quer devolver o imóvel ao seu estado original, ele busca trazer o edifício para a modernidade sem descaracterizá-lo, revitalizando a estrutura com materiais avançados e tecnologias mais inteligentes. Isso aumenta a vida útil do imóvel, valoriza o patrimônio e incorpora a sustentabilidade à construção. Alguns exemplos recentes são os hotéis Glória (foto) e Serrador no Rio de Janeiro.


As soluções sustentáveis incluem eficiência energética, economia de água, menor geração de resíduos e ganhos financeiros para os habitantes. Em termos de qualidade de vida, aumento do conforto, melhoria estética e respeito ao patrimônio histórico. Intervenções no entorno do edifício, aberturas para melhor iluminação e ventilação, substituição de materiais por outros mais duráveis e recicláveis. Ainda pensar na flexibilidade futura, minimizar o impacto no entorno da obra e cuidar da segurança e saúde dos trabalhadores. Um edifício sustentável pode ser até 5% mais caro que o tradicional, mas os ganhos na operação são grandes, além de melhorar as condições de morar e trabalhar - que são indicadores qualitativos. Os sistemas de resfriamento e iluminação dos edifícios empresariais brasileiros representam 70% da energia consumida. O Retrofit pode reduzir isso em mais de 30%.

Algumas providências viáveis para apartamentos e condomínios:

· Aparelhos e metais sanitários que reduzem o consumo de água, inclusive redutores de pressão
· Eletrodomésticos e produtos com selo PROCEL
· Projetos de luminotécnica com ênfase em eficiência energética ou o simples uso de lâmpadas compactas, fluorescentes e Led
· Sensores de presença e demais automações de sistemas (como elevadores inteligentes)
· Madeiras certificadas
· Coleta seletiva de resíduos, inclusive óleo de cozinha e entulho de obra
· Medidores individualizados de consumo de água, que obtêm economia em curto espaço de tempo
· Elementos arquitetônicos que gerem absorção de carga térmica e sistemas passivos de bioclimática (como uma “parede verde” ou vidros isolantes) e melhorem o desempenho dos sistemas de ar condicionado.
· Alteração de sistemas de aquecimento de água (por exemplo, painéis solares)
· Seleção de fornecedores com diretrizes de sustentabilidade. O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável tem um comitê que oferece uma ferramenta para a seleção de materiais sustentáveis, disponíveis no http://www.cbcs.org.br/. São seis passos:


1. Verificação da formalidade das empresas fornecedoras
2. Verificação da licença ambiental da unidade fabril
3. Respeito às normas técnicas que garantem a qualidade do Produto
4. Consultar o perfil de responsabilidade socioambiental da empresa
5. Identificar a existência do “verniz verde” (Green washing)
6. Analisar a durabilidade do produto

Veja mais:

http://www.youtube.com/watch?v=gHu_r76y_is&feature=player_embedded
Cidades e Soluções - reportagem com André Trigueiro. Se não conseguir visualizar, entre em http://www.youtube.com/watch?v=gHu_r76y_is

http://peopleenvironment.wordpress.com/2009/10/07/retrofit-e-sustentabilidade/

Entrevista com a arquiteta Márcia Mikai em http://eubloger.spaces.live.com/Blog/cns!E782BA3F07323966!793.entry

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

[DIGITAL] Esqueça mísseis e caças, a próxima guerra será cyber




Mal assumiu o governo e Obama criou uma agência de Cyber Security ao custo de US$ 70 bilhões, declarando que o país definitivamente não estava preparado nem dando a devida importância a esse assunto crítico. Fatos alarmantes indicavam isso, inclusive na nossa praia. Agora, se eles não estão preparados, que dirá nós...

O Almirante Mike McConnell, ex-Diretor de Inteligência dos EUA, acredita que um ataque estratégico começaria por cortar a rede de energia. Atualmente transporte, sistema financeiro, comunicações, abastecimento de água e energia dependem de computadores e da Internet, então é previsível que na guerra do futuro não será necessário mobilizar porta-aviões, caças, mísseis nem soldados, operação cara e demorada. E se você pensa que as agências de inteligência são capazes de proteger a infraestrutura, engana-se.

Em 2007 os EUA sofreram um ataque vindo de fora, não se sabe de onde. Os Departamentos de Defesa, Estado, Comércio, Energia e a NASA tiveram seus sistemas invadidos e houve download de terabytes de dados confidenciais (equivalente a uma Biblioteca do Congresso). No seu discurso, Obama mencionou ataques conhecidos ao sistema elétrico americano e “um país estrangeiro, que deixou cidades inteiras no escuro”. Eram os dois blackouts ocorridos no Rio de Janeiro (jan/2005) e Espírito Santo (set/2007). Neste, sete fábricas de Vitória, maior produtora de minério de ferro do mundo, ficaram paradas durante dois dias, um prejuízo de US$ 7 milhões. Estima-se um prejuízo total de US$ 60 milhões no Brasil com os dois apagões. Se lembrarmos o recente blackout nacional (nov/2009) por “mau tempo” num dia de céu de brigadeiro... dá o que pensar.

Em novembro de 2008, alguém furou os firewalls e criptografias do Pentágono e entrou na rede CENTCOM do comando militar, ficando lá por vários dias – vendo todo o tráfego de dados, lendo documentos e com capacidade de interferir no sistema nuclear. A melhor suposição é de que pen-drives infectados tenham sido displicentemente deixados em locais freqüentados por militares, que ao serem conectados ao sistema inseriram nele programas maliciosos. A partir daí, os pen-drives foram banidos e até os chips são fabricados por empresas especiais, como a Sandia National Laboratories, temendo que os importados possam conter programas infiltráveis – o que já foi, de fato, encontrado.

Diariamente, propriedade intelectual, saldos bancários e tecnologia militar são sorrateiramente roubados por hackers. Mas foi-se o tempo dos nerds juvenis. A brincadeira agora é de gente grande e not just for fun.


Fonte: programa 60 Minutes da CBS, que pode ser assistido na íntegra (em inglês) em http://www.cbsnews.com/video/watch/?id=5578986n&tag=related;photovideo e recentemente passou na TV a cabo no Brasil. Ou leia sua transcrição em http://www.cbsnews.com/stories/2009/11/06/60minutes/main5555565.shtml?tag=currentVideoInfo;segmentUtilities.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

[PLANETA] Sexo, carne e aquecimento global



Você quer ver em tempo real uma simulação baseada em dados da CIA e da ONU sobre a mortalidade, natalidade e emissão de CO2 acontecendo no mundo, país a país? Entre no link http://www.breathingearth.net/ e você terá algumas surpresas !

Na Europa, só Portugal e Noruega reduziram as emissões de 2000 a 2004 (última data com estatística disponível). Na América Latina, a Bolívia e a Colômbia. E pasmem, Arábia Saudita, o berço dos poços de petróleo, também teve redução! Como os níveis de CO2 são calculados por país inteiro e não per capita, eles mascaram a poluição real dos cidadãos – Luxemburgo, Austrália e Kuwait são os povos mais poluentes do planeta, apesar do seu total ser baixo.

Nascimentos e mortes são proporcionais na maioria dos países europeus. Não encontrei nenhum país onde a mortalidade superasse a natalidade, o que significa que continuamos a procriar de forma massiva, com todos os impactos no consumo de alimentos, energia, água e, obviamente, stress dos ecossistemas. Éramos 2 bilhões em 1927, seremos 7 bilhões em 2012.

O site dá link para a ONG Goveg.com, que tem a campanha “Combata a mudança climática com mudança alimentar”, tendo Paul McCartney como garoto-propaganda do vegetarianismo. De fato, consumir carne sempre foi um indicador de quando um indivíduo cruza a linha da pobreza. À medida que a gigantesca população da China ganhe poder aquisitivo, a pressão por carne aumentará. Isso significa mais emissão de metano (gases da vaca), mais desmatamento para produzir ração e pasto, mais gasto de água. Mas antes que você precise abdicar da sua picanha, os pecuaristas acenam com soluções tecnológicas: plantio direto, recuperação dos pastos erodidos, adubação verde, reflorestamento e integração da pecuária com a lavoura (boi criado na sombra de árvores e com ração pode ser abatido com 1,5 ano, contra a média nacional de 4 anos).
Enquanto não encararmos sem demagogia o problema da explosão populacional e a má distribuição de recursos que a acompanha, rachando o planeta entre muito ricos desperdiçando e miseráveis famintos e mantidos sem acesso à educação, tudo o mais é só sambar em volta da fogueira. Nada a ver com esterilizações em massa ou punições governamentais, mas um pouco de informação, planejamento familiar e contraceptivos não fariam mal a ninguém - porque a questão é exponencial: quanto mais gente existir, mais gente nascerá.


Fontes extras: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI110165-15223,00-A+SAFRA+DE+QUE+O+PAIS+PRECISA.html, CIA World Factbook e United Nations Statistics Division. Com contribuição de Jener Tinoco, da Armação Propaganda/RN.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Então vamos lá !


Mais um ano chega ao fim, queria agradecer sua companhia aqui e compartilhar com vocês a alegria de ter uma comunidade de exatas 3.394 pessoas acompanhando o Amor ao Planeta até agora. Grupos de postagem para quem enviamos os artigos via email, e mais 82 seguidores cadastrados. Muitas contribuições de filmes, links e matérias, vários comentários recebidos e gentis pedidos de reprodução ou reenvio dos posts.

Nesta época de papéis de presente rasgados e caixas de papelão que lotam lixeiras, afetos sendo traduzidos por bens, alguns reencontrando parentes pela talvez única oportunidade no ano, outros sentindo a ausência dos que já se foram, Dezembro é um mês de muita carga simbólica para refletirmos sobre erros e acertos, e fazermos planos de melhoria. Tomara que 2010 seja menos pródigo em panetones-fantasmas, bolhas especulativas, governos tímidos em metas climáticas, enchentes e blackouts catastróficos. Para isso, cabe nossa indignação, e sobretudo nossa AÇÃO. No patrulhamento, na denúncia, no exemplo pessoal e no voto. Já se foram 10 anos do novo milênio, e ainda parecemos muito longe da anunciada "Era de Aquarius", período de harmonia e crescimento espiritual.

"Comece em você a mudança que deseja ver no mundo", dizia Ghandi. Façamos assim, como grãos de areia no oceano. Afinal, é desse jeito que se formam magníficas praias !



Até 2010 !
Patricia

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

[SOCIAL] O Descarte das Pessoas


Que as pessoas mudaram sua forma de se relacionar, não resta dúvida. Mas quem são (somos) essas novas criaturas, como elas vivenciam seus afetos?

O sociólogo Zygmunt Bauman criou a expressão “amor líquido”, para definir o novo tipo de relação de nossa época. O “líquido” se refere à condição de coisa fluida, que escorre, escapa, sem concretude. As pessoas não investem mais tanto tempo ou esforço para se conhecer, se vincular e defender o elo que conseguiram formar.

Buscar o amor é visto hoje como uma lição a ser aprendida, então quanto mais treino, mais habilidade. Assim, acreditamos “que o próximo amor será uma experiência ainda mais estimulante do que a que estamos vivendo atualmente, embora não tão emocionante ou excitante quanto a que virá depois.” Ao invés de dar uma chance e evoluir o que temos na mão, sempre nos perguntamos se não haveria alguém ainda melhor logo ali depois da próxima esquina da vida. Na nossa sociedade imediatista, compramos ilusões, e o amor é visto como mais um artigo de consumo. “Quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar a desforra na quantidade. (...) Estar em movimento, antes um privilégio e uma conquista, torna-se uma necessidade. Manter-se em alta velocidade, antes uma aventura estimulante, vira uma tarefa cansativa”, diz Bauman.


Num mundo onde cada vez mais nos comunicamos com os outros por meios não presenciais (emails, chats, torpedos via celular, cartões virtuais), transformamos nossas relações em meras conexões, que podem ser facilmente desfeitas ao apertar a tecla delete. Conectamos com muita gente, mas num nível superficial e descartável. Fazemos parte de várias redes sociais, com uma quantidade de “amigos” irreal; usamos sites de namoro tal qual um grande supermercado de gente. Ao invés de batalhar para resolver as diferenças do casal, partimos para outra. Ao invés de dar uma chance para o outro nos conhecer verdadeiramente, nos escondemos atrás do computador ou do celular, e não baixamos a guarda jamais.

Analisando bioquimicamente: a paixão estimula as glândulas supra-renais, que produzem catecolaminas, hormônios ligados à excitação e ao stress. Por isso ela é algo excitante e às vezes agressivo. Já no amor o hipotálamo recebe uma carga de feniletilamina, espécie de anfetamina natural, que estimula o sistema de prazer e produz endorfina, substância que traz calma e relaxamento. Por isso a sensação de entrega, contentamento e euforia quando estamos amando. Eu sei, não parece muito romântico se olhado dessa forma. Amar é um interesse intenso por algum objeto - desejamos estar perto, tocar, ouvir e olhar – e assim obter prazer e satisfação. Portanto, amar envolve todos os nossos sentidos profundamente.

Em nossa cultura consumista, que estimula o descarte, o prazer imediato e passageiro, tudo que não demande muito esforço, satisfação garantida ou seu dinheiro de volta e receitas testadas e aprovadas, amar se transformou num “produto” a ser comprado por seus atributos externos sedutores, consumido de preferência sem muita dedicação e com resultados comprovados. Ora, amor não é um produto, o prêmio de um concurso nem uma ciência exata; ele demanda coragem e muita disciplina, num ambiente de eterna incerteza.

As coisas estão complicadas para nós, os pós-modernos. Tal qual avatares do século 21, fazemos representações de nós mesmos, para não revelar nosso autêntico ser. Que vai ficando cada dia mais dissolvido, intangível e insatisfeito por esse nosso hábito de consumir e descartar pessoas. E estas, por sua vez, se tornam cada vez mais irrelevantes.

[PLANETA] Enquanto o COP-15 não chega, o que faz o Brasil?


O protocolo que vai substituir Kyoto virá da Conferência de Copenhagen (COP-15) em dezembro. Embora muitos considerem que Kyoto fracassou, até pela não-adesão dos EUA, pelo menos popularizou o tema e inspirou países como a Dinamarca, que de 2008 a 2012 reduzirá em 21% suas emissões e agora sediará o encontro. No Brasil, o governo comprometeu uma redução "voluntária" de 36,1% a 39,2% das emissões até 2020. A mudança de comportamento internacional fez as empresas brasileiras pressionarem o governo a adotar uma posição mais firme para a Convenção do Clima.

A ex-Ministra do Meio Ambiente e Senadora Marina Silva vai apresentar um projeto de lei para institucionalizar as metas brasileiras, porque num horizonte de 20 anos os próximos governos precisam ser obrigados a cumpri-las. O detalhamento operacional do plano deve constar no Orçamento Federal e existir um site para a sociedade acompanhar a implementação.

O Instituto Ethos e a Exame organizaram o debate “Copenhague: Desafios e Oportunidades”, e alguns problemas ficaram evidentes. No Brasil se investe apenas 1% do orçamento federal em tecnologia. Numa sociedade do conhecimento e sustentável é crítico sermos pobres em pesquisa e capital humano qualificado. Para Eduardo Viola, da UNB, o etanol é uma “energia do passado”, se comparada com a solar fotovoltaica e eólica, nas quais China e Taiwan investiram rapidamente nos últimos quatro anos. Apesar disso, 165 delegações de 80 países vieram conhecer nosso programa energético em 2009. Fernando Reinach, Diretor Executivo da Votorantim Novos Negócios, afirmou: “Temos o melhor parque energético renovável, somos líderes mundiais em tecnologia limpa e na sua implementação e metade do nosso combustível vem de fonte renovável.”

Até agora a discussão sobre o aquecimento global fica restrita ao universo científico, números e termos técnicos e o debate sobre sustentabilidade é difuso, obsoleto e politizado. A falta de entendimento de que o baixo carbono será a nova moeda das empresas atrapalha nosso avanço. É preciso saber como a sociedade reage e como o cidadão percebe isso no seu cotidiano. O presidente do Ethos, Ricardo Young, sugere uma coalizão nacional e suprapartidária para empreender as mudanças necessárias em favor do desenvolvimento sustentável no país que passa necessariamente pela inovação e ampla informação.


Fonte: Revista Digital Envolverde (http://envolverde.ig.com.br/?materia=66077&edt=1) e Revista Época nr. 600 ed. 16/11/09.