quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Os Maias, 2012 e Copenhagen


O blockbuster do momento é “2012”, baseado na profecia Maia(*) que prevê um cataclisma global. O Discovery Channel tentou explicar melhor os riscos, no programa “21.12.2012”, com cenas do filme e entrevistas com cientistas da NASA, geólogos e astrofísicos.

Segundo a Academia Nacional de Ciências, ao final de 2012 o sol estará pronto para atingir o máximo solar, pico do ciclo que acontece a cada 15 anos. Diariamente suas erupções empurram em nossa direção as massas coronais, partículas detidas pela magnetosfera da Terra. Um pico muito violento combinado com uma fenda no campo magnético seria desastroso: a energia telúrica fritaria tudo que é elétrico. O GPS dos aviões deixaria de funcionar; a rede de satélites seria desligada; nada de TV, telefone, elevador, ar condicionado, geladeira. Imagine isso por 4 a 10 anos, tempo que levaria para recuperar nosso sistema elétrico... um caos. A energia eletromagnética do sol desestabilizaria o núcleo, responsável por criar a magnetosfera, e a crosta terrestre, causando terremotos, mega-tsunamis e ativando supervulcões como o Cumbre Vieja e Yellowstone.

Ocorre que em 2007 uma explosão solar conseguiu abrir um buraco enorme na magnetosfera, da América do Sul até a África pelo Atlântico. Esse enfraquecimento do campo indicaria a iminente mudança nos pólos magnéticos (o N inverte com o S, a bússola gira ao contrário, mas as rotações da Terra permanecem as mesmas e os continentes não saem do lugar). Quando houvesse a inversão, a camada de Ozônio se romperia, a radiação UV acabaria com a fotossíntese e o plancton, interrompendo a cadeia alimentar e levando os ecossistemas ao colapso; os pássaros migratórios ficariam desorientados. Uma inversão de 180º já aconteceu no passado, antes de nossa civilização. Mas o cientistas não acreditam nesses cataclismas, pois levam milhões de anos para ocorrer. Seria mais provável um grande asteróide ou planeta (como o hipotético “Planeta X”) nos atingirem.

E o que a Conferência de Copenhagem em dezembro tem a ver com isso? Tudo. Se a temperatura da Terra subir mais de 2 graus até 2050, teremos problemas com colheitas, falta de água, elevação dos mares, enchentes e furacões mais violentos e frequentes. As mudanças climáticas e o aquecimento global, que deveriam ser agenda prioritária para políticos, empresários e cidadãos, parece estar sendo levada pouco a sério. China e EUA já declararam que vão deixar as decisões para depois da conferência, claro, pois são complexas e impopulares. Como se fosse possível adiar o problema e um consenso mais efetivo. Se a comunidade internacional não amarrar os governos com metas, estes não estabelecerem medidas que onerem os fabricantes pelos passivos ambientais e os empurrem rumo a inovações eco-inteligentes, não vamos precisar do sol, de asteróides nem supervulcões para nos aniquilar. A própria humanidade vai fazer esse trabalho. Enquanto isso, infelizmente as gerações do futuro estão inebriadas com a lua, vampiros e lobisomens... que só habitam este planeta no escapismo do imaginário.


(*) saiba mais em http://porque2012.com/ e filme do History Channel http://www.youtube.com/watch?v=y3vcYnZ7VBQ. Os Maias falam de "fim de um ciclo de vida", o que pode significar um recomeço.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

[PLANETA] A Tiffany e os diamantes éticos


A caixinha azul turquesa da joalheria Tiffany (fundada em 1837) é um ícone e seus diamantes trazem a promessa de eterna beleza, elegância e a qualidade de uma marca de luxo. Mas o Wall Street Journal revela que nem todos os diamantes Tiffany estão entregando essa promessa atualmente.


Em uma fábrica sem janelas de uma aldeia africana de Botwsana, a empresa ensina mais de 80 trabalhadores a transformar os diamantes brutos em pedras para anéis de noivado. À medida que o VP da unidade de diamantes, Mark Hanna, observava os novatos lapidarem pequenas pedras em lâminas giratórias, detectou um problema. "Dá para ver as linhas de polimento!”, o que é inaceitável para os padrões da empresa. Para proteger e expandir sua operação anual de US$ 2,9 bilhões, a Tiffany precisa desta fábrica africana – apesar dos seus altos custos trabalhistas, baixa produtividade e trabalhadores que fizeram dois dias de paralização em outubro/2009 [afirmando que a empresa é corrupta, racista, vulgar e as condições de trabalho abusivas].

No início da década, o setor registrou um aumento súbito na demanda. Temendo que o fornecimento de diamantes estivesse correndo riscos, e com gigantes da mineração como a De Beers entrando no varejo e para isso juntando forças com a LVMH, a Tiffany sentiu que era necessário mover as suas operações mais para baixo na cadeia de abastecimento. Assim, expandiu as operações para fornecimento, corte e polimento de diamantes, mas a um alto preço. Não apenas os executivos enxergam as linhas de polimento, mas as práticas de trabalho da empresa no exterior foram questionadas.


Com o aumento da preocupação mundial sobre os diamantes de guerra (veja o filme Diamantes de Sangue), a Tiffany tem o desafio de manter sua glamurosa imagem diante dessas notícias. Os consumidores de luxo agora se preocupam com a responsabilidade social, levando a um boicote da indústria contra a canadense Pebble Partnership, um potencial fornecedor que planejava explorar no Alasca uma mina de ouro que, segundo os ambientalistas, vai ameaçar os peixes. O CEO da Tiffany, Michael Kowalski, perdendo o bonde da sustentabilidade, afirmou que gostaria que sua clientela se concentrasse "na qualidade do anel de diamante, e não como ele se transformou no que é". Um tipo de atitude que fica cada vez mais impossível para as corporações e consumidores.

(livremente adaptado de http://www.brandchannel.com/home/post/2009/10/28/Can-Tiffany-Deliver-An-Ethical-Diamond.aspx#at)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

[PLANETA] O DILEMA DAS SACOLINHAS PLÁSTICAS


A nova e linda sacola da grife Malwee (foto) destaca que o material é de plástico Oxibiodegradável, portanto ecologicamente correto. Simpática, alerta para o cliente ter cuidado, porque o plástico começa a se decompor em 12 meses, mas não informa o “X’ da questão: durante quanto tempo isso vai acontecer. Como tudo na Sustentabilidade, as coisas não são tão simples, e malefícios podem se esconder por trás de aparentes benefícios. Fui investigar, porque um dos assuntos “da hora” é a proibição iminente das sacolinhas de supermercado.



Descobri que o plástico Oxibiodegradável é feito à base de amido de batata, e teoricamente se decompõe de 18 a 20 semanas (contra 200 anos do convencional). Mas estudo da CETESB afirma que não se pode garantir que o polímero desse plástico seja reincorporado à natureza nesse tempo, nem prever seu comportamento no meio-ambiente, até porque ele não pode ser compostado como o lixo orgânico. “Essas sacolas utilizam aditivos para que o plástico se torne oxibiodegradável. Entretanto, ao se degradar, os plásticos não desaparecem na natureza e sim se fragmentam, podendo causar riscos ambientais muito mais sérios, como contaminação de rios e subsolos”, explica Francisco Esmeraldo, presidente do Instituto SocioAmbiental do Plástico, o Plastivida. Ou seja, pode-se estar gerando uma “poluição invisível”.

Para entender as diferenças dos Plásticos:

Oxidegradáveis - degradação química que resulta da oxidação (Oxo-degradação), que pode ou não chegar à biodegradação.

Biodegradáveis - degradação biológica e natural, por ação de enzimas. Os microorganismos decompõem o material, que perde as propriedades químicas nocivas em contato com o meio ambiente.

Oxibiodegradáveis – a degradação é química e biológica e ocorre em dois estágios: pela reação com o oxigênio (combustão) é convertido em fragmentos moleculares que, ao serem umedecidos por água, se oxidam e são biodegradados (convertidos em dióxido de carbono, água e biomassa).

Qual o problema dos saquinhos de supermercado ? (que já são proibidos ou sobretaxados em vários países) O descarte de 500 bilhões a 1 trilhão de sacos/ano vai parar em rios, mares e lagos e entope bueiros. Os sacos engasgam ou sufocam animais marinhos que os confundem com alimento ou são "ensacados". Chegam tão longe quanto as Ilhas Malvinas ou o Círculo Ártico. Só os EUA lançam 4 milhões de kg de sacos ao mar anualmente. Ao se fotodegradarem, geram petro-polímeros menores e mais tóxicos. Reciclar seria bom, mas menos de 1% deles toma esse rumo, até porque é mais caro reciclar que produzir um saco novo.

Há leis em trâmite para substituir o termoplástico feito de polietileno (petróleo) por sacos biodegradáveis e recicláveis, os grandes varejistas passaram a estimular o uso das Eco-Bags e pensam em breve cobrar pelos saquinhos. Faça as contas:


1 Eco-Bag (tecido)
= 6 sacos/semana = 24/mês = 288/ano.



Ainda parecem ser a melhor opção.


Fontes: AgSolve, WWF, CNN.com/technology, National Geographic e contribuições dos ex-alunos Kelli Marcolongo do Banco Votorantim e Ivonir Bertollo da Cinquetti.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

[PLANETA] Retrocausalidade: o futuro criando o presente


Você com certeza já ouviu falar do projeto do CERN, que pretende recriar o Big Bang em laboratório. Depois de 15 anos e US$9 bilhões investidos o Large Hadron Collider ficou pronto em 2008... e explodiu. Muitos cientistas e ambientalistas tentaram barrar o projeto, temendo que um gigantesco buraco negro engolisse a Terra. Mas outros cientistas renomados, como Stephen Hawking e Lisa Randall, afirmam que as experiências foram meticulosamente estudadas e revisadas e tudo estaria sob controle. Apesar das alegações de uma suposta criação de um buraco negro, o que de fato poderia ocorrer seria a formação de strange quarks. Uma reação em cadeia na qual todo o planeta seria transformado em uma espécie de matéria estranha.

De repente, surge uma nova e inesperada teoria: a de que o futuro está impedindo o funcionamento da máquina no presente – também conhecida como Retrocausalidade (Backward Causation) - uma espécie de teoria do destino. Holger Nielsen (Niels Bohr Institute/Copenhagen) e Masao Ninomiya (Yukawa Institute for Theoretical Physics/Japão), defendem essa teoria em uma série de artigos: “Test of Effect From Future in Large Hadron Collider: a Proposal” e “Search for Future Influence From LHC”. Um evento que o Dr. Nielsen chama de "anti-milagre": "Bem, alguém poderia dizer que temos uma teoria de Deus". Com afirmações dessa ordem os cientistas prevêem que todos os estudos nessa área sofrerão fracassos, pois ELE não estaria permitindo... Isso explicaria também porque o projeto United States Superconducting Supercollider foi cancelado em 1993, depois de ter gasto bilhões de dólares.

Para nós, causa e efeito pertencem à mesma linha de tempo, e nessa ordem. Mas, desde os anos 50, filósofos e cientistas como Michael Dummett, Anthony Flew, Kant e Max Black discutem a possibilidade da Retrocausalidade (o efeito acontecer antes da causa) e suas contradições. Lançando um olhar metafísico e acreditando que existam universos paralelos (estudados pela Física Quântica), podemos considerar que passado, presente e futuro são percepções que os humanos têm do tempo que experimentam. Mas a metafísica acredita que o futuro não é algo por vir, ele existe agora, embora num outro plano, ainda que não seja possível para nós acessá-lo. Exemplo: se tentarmos impedir a causa X de gerar o efeito Y no futuro, mas ele acontecer assim mesmo por outras causas, poderíamos supor que Y já existe, é um fato imutável, não importa o que façamos. Já ouviu a frase: “Você encontra o seu destino justamente nos caminhos que tomou para evitá-lo” ou o termo “Profecia Auto-Realizável”? São a tradução intuitiva para essa questão.

Agora inverta o sentido do tempo: se o efeito Y acontecesse antes da causa X, significa que ele já existe, então será impossível impedir X. Isto é a Retrocausalidade. Não confundir com viagem no tempo. Nesta, se usássemos um relógio, ele continuaria a girar no sentido normal, seguindo a linha causa-efeito tradicional. No caso da Retrocausalidade, os ponteiros inverteriam a direção.

O assunto é complexo, fascinante, bastante embasado em demonstrações matemáticas e mecânica quântica, sobre dobras no tempo, micro-partículas como Tachyons, campos magnéticos etc.
E nós aqui só preocupados com o Aquecimento Global ...

[PLANETA] O líquido mais caro do mundo


Voce sabe o que custa R$ 13.575,00 o litro ? Não, não é o produto da foto...


Resposta: Tinta de Impressora! Já fez o cálculo?


A "Grande Sacada" dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais e mais baratas, e cartuchos cada vez mais e mais caros. Nos casos dos modelos mais baratos, o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora. Veja: pode compensar mais trocar a impressora do que fazer a reposição de cartuchos. Exemplo: uma HP DJ3845 é vendida nas lojas por aproximadamente R$ 170,00. A reposição dos dois cartuchos (10 ml o preto e 8 ml o colorido), fica em torno de R$ 130,00. Daí, você vende a sua impressora semi-nova, sem os cartuchos, por uns R$ 90,00 (para vender rápido). Junta mais R$ 80,00, e compra uma nova impressora e com cartuchos originais de fábrica.


Para piorar, de uns tempos para cá os fabricantes passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta(mantendo o preço). Um cartucho HP, com 10 ml de tinta custa R$ 55,99. Isso dá R$ 5,59 por mililitro. Só para comparação, a Champagne Veuve Clicquot City Travelle da foto custa R$ 1,29 por ml. Além disso, as impressoras HP 1410, HP J3680 e HP 3920, que usam os cartuchos HP 21 e 22, estão vindo somente com 5 ml de tinta! A Lexmark vende um cartucho para a linha de impressoras X com 5,5 ml de tinta colorida, por R$ 75,00. Fazendo as contas: 1.000 ml / 5,5 ml = 181 cartuchos a R$ 75,00 = R$ 13.575,00. Isso mesmo, R$ 13.575,00, por um litro de tinta colorida.


Com este valor, podemos comprar, aproximadamente:

- 300 gr de OURO;
- 3 TVs de Plasma de 42';
- 1 UNO Mille 2003;- 45 impressoras que utilizam este cartucho;
- 4 notebooks;
- 8 Micros Intel com 256 MB.


Conclusão: mais do que nunca evite imprimir...as florestas, o planeta e o seu bolso, agradecem!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

[PLANETA] Produtos Eco-Inamistosos nem chegam à gôndola


Quem me conhece sabe que não acredito no consumidor como mola-mestra para a adoção da responsabilidade socioambiental pelas empresas. Para mim o papel de corrigir os impactos dos produtos tem que ser do fabricante, e o de “editar” as gôndolas para nós, dos varejistas. Por um motivo simples: nós consumidores NÃO TEMOS condição de resgatar toda a cadeia produtiva de cada item que colocamos no carrinho de compras. É um levantamento demorado, complexo e o máximo que podemos checar é se existe um selo/certificação/tabela qualquer validando a correção ecológica do produto. Isso se a gente enxergá-los, o que é mais provável não acontecer (por razões cognitivas amplamente estudadas pela sociologia e comunicação).

Já elogiei num artigo anterior (16/06/09) o avanço que representou a adesão dos maiores varejistas do país (Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour, depois seguidos pela ABRAS), aos Pactos da Carne e da Soja. O golpe de misericórdia foi o estudo do Greenpeace “A Farra do Boi”, levantando toda a cadeia produtiva da carne e a relação direta dela com o desmatamento da Amazônia, instrumentalizando as empresas com fatos, para fazerem exigências aos fornecedores de carne, ração e produtos afins. Resultado: no dia 05 de outubro, com a presença do Governador do Mato Grosso e o maior plantador de soja do mundo, Blairo Maggi, foi assinado em São Paulo o Protocolo de Moratória da Carne. Nele, grandes frigoríficos como JBS Friboi, Marfrig e Bertin se comprometem a não comprar mais carne oriunda de desmatamento ou área de preservação. Mato Grosso abriga o maior rebanho bovino do país (mais de 28 milhões de cabeças, chegando a 30 milhões em 2010). Então é isso: se o varejista fecha suas portas aos eco-inamistosos de toda espécie, os fornecedores/fabricantes vão ser obrigados a se mexer.

A sustentabilidade passa necessariamente pela inovação – o novo desafio é fazer diferente, menos nocivo e de melhor qualidade, como já percebeu a indústria de eletrônicos, que avança a passos largos. E o Governo vai começar a obrigar a consideração dos custos sócio-ambientais nos balanços financeiros e no preço dos produtos (Lei do Berço ao Túmulo, taxação das emissões de CO2 e por aí vai...)

E que papel cabe a nós, os clientes?

1) mudar nossa postura de desperdício (reciclar, reutilizar, reformar)
2) adotar a cultura do “chic simple” (valorizar menos embalagens, menos frufrus, refil)
3) usar os objetos até o limite de sua vida útil efetiva (incorporar o vintage, o imperfeito, o objeto carregado de simbolismo e história)
4) empoderar as ONGs para fazerem estudos como os do Greenpeace e denunciarem as empresas alienadas
5) desconfiar de preços excessivamente baixos (quando a esmola é muita...)
6) preferir “experiências” (fruição; processo dinâmico) em detrimento de “objetos” (posse; circunstância estática)
Do jeito que vamos, onde até já estamos até "consumindo gente" (mas isto é assunto para outro post futuro), não iremos chegar muito longe.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009



O IBGEN - Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios, lançou com um talk-show o novo MBA em Sustentabilidade Empresarial que inicia ainda em 2009, chancelado pela ABRH e FIRJAN. (mais infos sobre o programa e corpo docente em www.ibgen.com.br , aba IBGEN/RJ). O curso se diferencia por não abordar o tema sob ótica ideológica ou acadêmica, mas totalmente pragmática. Para tanto, 100% dos professores serão executivos vindos de empresas como Vale, Latasa, Natura, Boticário, ONGs, Petrobras, Aracruz, EcoSecurities, entre outras, muitos deles referências no mercado em suas áreas.


O encontro foi mediado por Patricia de Sá e teve como palestrantes Orlando Lima (Presidente da Janus e ex-Diretor de Sustentabilidade e Governança Corporativa da Vale), Claudia Jeunon (Assessora de Resp. Social da Firjan) e Rosana de Rosa (Gerente de Desenvolvimento da Bradesco Seguros e Diretora da Academia da ABRH). Veja um resumo do talk-show sobre "A importância e os desafios da implementação da sustentabilidade nas empresas":






1) O que é Sustentabilidade? Provavelmente os executivos de uma empresa apresentarão as versões mais variadas. Orlando Lima viveu essa situação ao percorrer as operações da VALE mundo afora para publicar o primeiro Relatório GRI em 2008. Como foi sua experiência?


ORLANDO – Realmente as visões sobre sustentabilidade eram muito diferentes. No Canadá e na Nova Zelândia, era sinônimo de meio-ambiente, pois os problemas sociais restringiam-se às relações com comunidades aborígenes e eventuais violações de direitos humanos; na China o foco era o lado econômico, e a relação era com apenas um stakeholder: o governo. Ele decidia o que era necessário para adequar o país às demandas do cenário internacional e garantir a competitividade e o desenvolvimento econômico, que se desdobrava em ganhos sociais; na África o foco era totalmente social, com evidente desprezo pelo meio-ambiente por questões prementes de sobrevivência; finalmente no Brasil o foco é social, pois temos uma tradição de possuir um bioma riquíssimo e leis sofisticadas. Partindo da descrição mais básica do Relatório Bruntland, como se vê a realidade cultural e econômica de cada região ou setor implica em interpretações das mais diversas.

2) Existe uma idéia equivocada de que Sustentabilidade é coisa para empresa grande, e algo muito fora da realidade no universo de médias e pequenas empresas. A FIRJAN congrega associadas de todos os portes e setores. Como está a visão das empresas a esse respeito no Rio de Janeiro?


CLAUDIA –
Para essas empresas o lado mais óbvio é o econômico, porque primeiro é preciso sobreviver como negócio. Mas temos procurado mostrar que a Sustentabilidade traz na verdade redução de custos (eliminar desperdícios, diminuir riscos) e os instrumentos podem ser adaptados. Muitas já têm várias atividades implementadas, sem consciência de que estão fazendo responsabilidade social. Procuramos usar as grandes empresas como indutoras do movimento, mas trabalhar com as pequenas e médias através de um processo de educação e construção de soluções conjuntas e viáveis.

3) Qual costuma ser a maior resistência à implementação da Sustentabilidade dentro das empresas? Por que?

ORLANDO e ROSANA –
Sem dúvida o desconhecimento do tema. Os gestores não estão preparados para essas questões por deficiência de formação, mas são cobrados por resultados. Daí olham a Sustentabilidade como uma obrigação ou um custo. Some-se a isso a intangibilidade e a dificuldade de ter instrumentos que quantifiquem o retorno econômico. Por isso os relatórios (GRI, Ibase, Ethos) são importantíssimos como tangibilizadores, para amarrar metas, introduzir o tema de modo formal, educar os gestores e mudar a cultura da empresa.

4) O Bradesco apresenta-se como o “Banco do Planeta” e a área de Seguros está completamente envolvida com aspectos sociais e ambientais. A quem cabe, afinal, a tarefa de implementar a Sustentabilidade na empresa? Como envolver e alinhar o público interno e criar uma cultura voltada para a Sustentabilidade?

ROSANA – através da gestão do conhecimento, com programas de treinamento, eventos, e muita insistência. É um processo novo, e para nós da área de seguros é fundamental olhar o tema como prevenção, já que trabalhamos com saúde e sinistros. A forma de trabalhar é transdisciplinar, o que representa um desafio maior.

5) Os executivos das empresas estão suficientemente preparados para utilizar os instrumentos de controle e reporte da Sustentabilidade atualmente existentes ?

CLAUDIA E ROSANA – como “dominar” instrumentos para usar em algo ao qual nem se dá importância? Infelizmente é a realidade nas empresas. Somente quando as próprias lideranças estiverem envolvidas e comprarem a idéia é que será possível realmente implementar a sustentabilidade. Ao formalizar um relatório, isso obriga os gestores a parar, pensar no assunto, unir especialistas de diferentes áreas para refletir sobre os temas, debater e achar soluções consensadas. Precisamos, entretanto, simplificar as legislações tornando-as mais compreensíveis.

6) Vocês mencionaram que, antes de mais nada, Sustentabilidade é uma questão de Gestão de Risco. Por que ?


CLAUDIA e ORLANDO –
temos que mudar a mentalidade de que isso não é nem questão de investimento (retorno) nem de custo (algo que não agrega valor), mas de hedge. Além dos riscos envolvidos nas questões jurídicas (licenciamentos ambientais, embargos etc) o maior risco é a “Licença Social para Operar”, ou seja, a comunidade comprar a idéia e aceitar a empresa. Há muitos casos emblemáticos, como a Union Carbide, que após o acidente em Bophal/Índia, teve que pagar indenizações milionárias, fechou e acabou falindo a matriz. Ou o Instituto Italiano de Design na Urca/RJ, que está pronto mas embargado por pressão da associação de moradores, devido aos custos sociais envolvidos (estresse dos acessos viários do bairro, poluição sonora e sobrecarga do sistema de água e esgoto). A sustentabilidade tem que fazer parte do planejamento de todos os projetos e até mesmo ser incorporada aos sistemas de remuneração variável dos funcionários. É preciso inserir esses quesitos, segundo as características que impacatam cada empresa e setor mais diretamente, e estipular um percentual para eles na matriz da remuneração que realmente estimule os gestores ou, contrariamente, os penalize caso as metas não sejam atingidas.


Foi consenso de todos que o protagonismo do Brasil nos mais diversos fóruns internacionais vai nos colocar mais expostos e obrigar o governo a endurecer a cobrança sobre as empresas, que precisarão estar preparadas. Mas para isso é preciso melhorar a formação dos gestores, urgentemente. Não de forma ideologizada, pois assim um ambientalista e um diretor comercial não se sentariam juntos nem por cinco minutos. Mas quando se entende que Sustentabilidade requer um esforço cooperado, técnico e multidisciplinar, a coisa muda de figura.