Ártico

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

TENDÊNCIAS DE MARKETING PARA 2015



(Livremente adaptado de Meio e Mensagem)


Que tendências vistas durante este último ano irão impactar os profissionais de marketing no ano que vem? Segundo os experts, 2015 será o ano de interações cada vez mais personalizadas com os consumidores, uma época de ter ferramentas de mensuração mais precisas e, também, abraçar a rápida expansão dos dispositivos móveis em todo o mundo.

O que esperamos ver em 2015 é:

1. Dispositivos móveis continuarão a ganhar mais a atenção dos consumidores: celulares e tablets ganharam espaço na rotina das pessoas e estão mudando o modo como somos impactados pelas mídias – mais tipos de conteúdo (por ex: imagens, notícias e vídeos) e mais modos de descobrir, avaliar e comprar produtos. A publicidade precisa atingir as pessoas em todos esses espaços, por meio de diversas experiências.

2. Publicidade digital mudará de mensurável para “explicável”: formas básicas de mensuração, como cliques, somente 
contam uma pequena parte da história. Com mais escala, precisão e novas ferramentas de mensuração, profissionais do marketing poderão entender o que realmente funcionou e focar no que importa para seus negócios: métricas de marca e vendas.

3. Negócios precisam ter uma abordagem personalizada: há, mais do que nunca, informações e ferramentas para criar boas campanhas. As pessoas esperam que a publicidade seja relevante em todas as plataformas. De acordo com a eMarketer, só 5% das áreas de marketing B2C declararam estar personalizando suas campanhas extensivamente.

4. As mensagens estão se tornando a parte principal de como a marca interage diretamente com os consumidores: diálogos em tempo real são importantes para resolver as atuais necessidades dos clientes. As pessoas cada dia mais usam uma comunicação baseada em trocas de mensagens, então as empresas precisam usar esse tipo de canal para manter um diálogo construtivo com funcionários e consumidores.

5. O alto crescimento de dispositivos móveis: de acordo com a eMarketer, nos próximos três anos, a penetração de telefones móveis irá crescer de 61,1% para 69,4% do total da população global. Assim, conforme as pessoas se tornam mais “móveis”, negócios e profissionais do marketing devem ir na mesma direção. N
os EUA, a Starbucks registra 6 milhões de compras/semana via celular, algo em torno de 15% do seu faturamento no país. Os pagamentos via smartphones ganharão escala em ritmo exponencial em 2015, especialmente com o avanço da adoção do ApplePay e sistemas similares. No Brasil, onde há projetos pioneiros - como a parceria entre Bradesco, Visa e Claro na cidade de Ribeirão Preto - a quantidade de terminais capacitados para transações financeiras via celular é de aproximadamente 1,5 milhão de pontos — cinco vezes mais do que nos EUA. 



6. Valorização do marketing em tempo real: em 2014, a Copa do Mundo colocou o Brasil de vez na era do real-time marketing. Adidas, Itaú e Visa se mobilizaram neste sentido. Nenhuma estrutura, porém, foi comparável à da Coca-Cola, que montou a uma operação inédita no mundo e aproveitou o Festival Internacional de Criatividade de Cannes (paralelo à primeira fase da Copa) para apresentar ao vivo o projeto que acontecia no Brasil, em um telão no Palais des Festivals. Uma verdadeira operação de guerra foi montada pela empresa em sua sede no Rio de Janeiro, onde os jogos foram acompanhados por equipes multidisciplinares, envolvendo profissionais de todas as agências que atendem Coca-Cola e Powerade, marcas da companhia patrocinadoras da Copa. 




7. As marcas participam mais da vida da comunidade: este ano a movimentação das empresas em associar suas marcas a atividades, lugares e modismos em alta nas grandes metrópoles ampliou o leque de propriedades a serem exploradas. Marcas globais de bebidas, como Absolut, Heineken e Red Bull têm trabalhado a aproximação com o público jovem e formador de opinião ao colocarem seus nomes e fazerem a curadoria de espaços culturais. Doritos, Seara e Brastemp optaram por lançar suas próprias versões da nova mania gastronômica urbana, os food trucks.­ As bikes, por sua vez, tiveram mais um ano de popularidade em alta, com a expansão das ciclovias e ciclofaixas em vias e parques públicos, bem aproveitadas por marcas como o Itau e a Bradesco Seguros. 



Fontes:

http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/noticias/2014/12/23/Previsoes-para-o-marketing-digital-de-2015.html?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mmbymail-geral&utm_content=Previsoes-para-o-marketing-digital-de-2015#ixzz3Mo6IppzU

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

10 TENDÊNCIAS PARA 2015

O gigante global de comunicação Havas Worldwide publicou as "10 Tendências para 2015", que resumi aqui para vocês. 

Detalhe: há dois anos eles haviam previsto que a palavra-chave seria "Co" (co-working, co-create, co-fund) e estavam certíssimos. Vale, portanto, ver o que os caras estão prevendo agora e como o marketing deve lidar com cada tendência. 




1) A nova palavra-chave é SELF. 

Como eles interpretam isso? Em um mundo cheio de incertezas, a única pessoa com quem podemos contar somos nós mesmos. Viveremos o dilema entre o auto-centrismo (não confundir com egoísmo, mas com "eu mereço", "eu valho a pena", "do meu jeito") e a necessidade de estabelecer conexões com os outros, sermos relevantes para eles. As empresas e o marketing precisarão acolher e ajudar as pessoas a resolver esse conflito, principalmente em relação ao nosso convívio com os outros. 

Se antes o Self era para geeks/nerds, agora ele é mainstream, como auto-monitorar nosso desempenho físico (Nike Fuel Band, iWatch, medidor de pressão e outros gadgets vestíveis), nosso humor, nossa dieta, nosso sono, nossa localização etc., permitindo gerenciar e compartilhar os dados, inclusive com médicos. 

Na educação, ao invés de cursos caros e demorados, entram novas opções de auto-didatismo, compartilhamento de conhecimento (grupos de ajuda, permutas), MOOCs (cursos abertos online como Coursera, EDX, Udacity) e a substituição dos programas de estágio remunerados em empresas por aprendizagem paga pelos interessados (ganha-ganha aluno/empresa). 

O "big brother" incomodativo, de sermos monitorados o tempo todo em todos os lugares, deixa de ser exceção e vira a regra. Vamos ver mais cenas chocantes, estar mais policiados, mais informação vai vazar. A revolta vai explodir mais rápido, e murchar mais rápido também. 

2) Uma nova Classe Média vai surgir

A automação vai aumentar o desemprego. As pessoas vão ganhar menos e o custo de vida vai aumentar. Por isso, vão buscar mais valor em tudo que consomem, mais eficiência, menos desperdício, seguros (de vida, de casa, de saúde...), e querer "luxo acessível"

3) Maior busca por atenção

A mídia social permite a qualquer um publicar qualquer coisa. Vamos conviver com mais imagens chocantes expondo os bastidores da notícia (videos pornô caseiros, selfies sexies, decapitações, manifestações), demonstrações de talento, tudo para chamar a atenção, nem que seja apelativo. Para as marcas, será preciso estudar os ingredientes do que fez sucesso, algumas delas poderão usar abordagens controvertidas ou ultrajantes, mas é preciso saber bem a diferença entre táticas de "olhe para mim" e "me dê valor".

Lembre-se: o sucesso tem vida curta no novo ambiente. 

4) Preocupação com pragas

O mundo viverá o medo de pragas biológicas (países pobres) e pragas digitais (países ricos). Seja por descontrole dos governos, terrorismo, ganância de empresas. A ansiedade das pessoas será maior do que o risco real, por desinformação, e o emocional vai embotar o racional. As empresas poderão lucrar ao oferecer "soluções de alívio", sejam quais forem. 

5) Segurança Alimentar

Cada vez mais o "comer saúdavel" entra em cena, colocando na berlinda glúten, açúcar, reabilitando o ovo, criando estrelas como goji berry, wheatgrass, chá verde e por aí vai. As comidas pouco saudáveis serão fortemente reguladas e taxadas, como aconteceu com o tabaco. As empresas precisam acompanhar os estudos científicos e modismos, saber que documentos internos comprometedores serão vazados e processos judiciais e boicotes serão contundentes. 

6) Amigo ou Inimigo?

Cada vez mais a fronteira ficará obscura. A tecnologia digital ajuda ou vicia? O governo monitora para proteger ou para nos controlar? As redes sociais aproximam ou afastam as pessoas? A marca é responsável ou oportunista? Os "frenemies" serão uma constante, e com isso a confiança nas empresas será abalada e cada vez mais difícil de conseguir. O patrulhamento por parte do consumidor vai aumentar e os mais esclarecidos estarão em estado de alerta permanente
Malala Yousafzai, Prêmio Nobel por lutar
pelo acesso das mulheres à educação

7) O poder feminino

O feminismo volta com tudo, mas repaginado. As mulheres cada vez mais assumirão postos de poder formal e influência cultural, travando lutas pró-igualdade e contra discriminação, violência doméstica, assédio e apelos sexistas, principalmente na comunicação das marcas, formatação de produtos e ambiente de trabalho.




8) De volta à selva

High Line Park, NY - onde antes era um viaduto abandonado
As cidades estão concretadas, climatizadas, cercadas e digitais demais, o homem sente-se domado, aprisionado. As pessoas vão querer se reconectar com a natureza, seja por meio de parques urbanos, pets, trilhas, alimentação e tratamentos estéticos mais naturais, rituais, iconografia (fotos, decoração, arquitetura). 

Cai o estereótipo de que esportes ou viagens X-treme são coisas para poucos, e homens. 

Os baby boomers (hippies) romperam com as normas nos anos 60, mas deixaram uma herança climática maldita; agora os millenials se vêm forçados a contragosto a pagar essa conta, e será que vão dar uma liberada geral também?  


9) Os Pequenos serão grandes

Pequenos empreendimentos serão a nova tônica de sucesso - feitos em casa, ajudados pelo digital ou sistemas de crowdfunding, com liberdade de espaço e horários, sem o risco da demissão, e fortes laços com a comunidade local. Há um ressentimento crescente com o "Big Business" e sua histórica abordagem nociva e gananciosa. A cultura corporativa das grandes empresas não é mais atraente para uma grande parte das pessoas. E as grandes terão que lidar com a concorrência de startups e dissidentes, com preços atraentes, boa qualidade e sem intermediários. Vejam os food trucks, bazares, feirinhas, coletivos, vendas de garagem, sacolões e tudo que anda pipocando em novos formatos. 


10) Minha casa é onde tudo está

Espaço de co-work em Melbourne, Austrália. 
O global está na palma da mão, então não é preciso viajar longas distâncias para trabalhar, socializar, comprar. As casas estão diminuindo de tamanho, os objetos ficando portáteis, muitos bens físicos são substituídos por digitais. O home office dá lugar o "me office" (em qualquer lugar, a qualquer hora, onde houver um wi-fi). 

Para as marcas, vale investir em portabilidade, flexibilidade, miniaturização e/ou "tudo em um", entender que as pessoas comprarão menos ítens, que não terão lugar para estocar. E que precisam se aproximar do consumidor participando de sua vida comunitária, ajudando nas suas causas relevantes, proporcionar o uso compartilhado dos bens. 

Em resumo:

Tempo e lugar se tornam irrelevantes, o mundo estará exposto diante de nossos olhos com tudo que tem de bom e ruim, as pessoas buscarão se reconectar local e fisicamente, as marcas deveriam estar presentes nessa vida mais local e próxima, haverá uma necessidade de quebrar as amarras e voltar à natureza, o que pode ser resumido em:

FIQUE LOCAL.

FIQUE SAUDÁVEL. 

PENSE VIRTUAL. 





Para ver o original, acesse : http://pt.slideshare.net/HavasWorldwide/10-trends-for-2015-presentation-42522352?utm_source=slideshow&utm_content=Marketing&utm_medium=ssemail&utm_campaign=personalized_digest














quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MAIS VÔOS "VERDES" NOS CÉUS DO PLANETA, AGORA COM A KLM

Quando fui medir minha Pegada Ecológica, que está publicada aqui no blog (1,4 Planetas), o maior "vilão" eram as intensas viagens aéreas que meu trabalho demanda. Bem, isso é questão de tempo, pois veja a iniciativa da KLM, que iniciou voos transatlânticos com biocombustíveis, em seus Airbus A330-200, um novo estímulo para uma aviação mais sustentável, com radical redução das emissões de CO2. 

Os voos escolhidos são as rotas para Aruba e Bonaire, nas Antilhas Holandesas no Caribe, destinos turísticos que já têm a meta de serem carbono neutros até 2020. A iniciativa durará seis meses, e tem como parceiros duas grandes empresas - a Friesland Campina e a Ricoh - que assim conseguirão reduzir a pegada de carbono do volume total de viagens dos seus executivos. 

A KLM assinou junto ao WWF na Holanda um compromisso de promover uma aviação mais sustentável em 2007 e reduzir suas emissões em 20% até 2020. A iniciativa servirá para a Comissão Européia demonstrar o potencial do biocombustível para as viagens aéreas e a redução do impacto ambiental da aviação comercial. 

No Brasil, a Embraer assinou em 2012 um termo de compromisso com a Airbus e a Boeing para desenvolverem biocombustíveis para aviação com custos econômicos acessíveis, e com desempenho similares aos de origem fóssil. A meta é alcançar um crescimento neutro em emissões de carbono após 2020 e cortar pela metade as emissões do setor até 2050, em relação aos níveis de 2005.

Durante a Rio+20 em 2013, a Azul fez vôos promocionais com suas aeronaves Embraer usando biocombustível. 




INICIATIVA "EMPRESAS B" GANHA FORÇA E PROPÕE UM NOVO ECOSSISTEMA DE MERCADO


Em 2008 surgiu a iniciativa EMPRESAS B, que hoje já tem mais de 800 participantes em 29 países, e se propõe a formatar e certificar empresas engajadas com um novo modelo de negócios mais inovador e sustentável. Não por acaso, tem um grande foco em startups e abrange diversos setores, que vão de ONGs a fabricantes de bens de consumos ou provedores de serviços. 


Por que isso é importante? Segundo a Harvard Business Review, os Millennials, com uma representação de aproximadamente 50% da força de trabalho mundial, quer trabalhos ligados a propósitos maiores (e não necessariamente "empregos"). A empresa de RH Hewitt Associates afirma que empresas com maiores níveis de envolvimento dos funcionários superaram o mercado de ações em quase 20%.

As Empresas B reconhecem que os atuais mecanismos do mercado  (legislações, indicadores de performance e relações da cadeia de produção e fornecimento) estão obsoletos e precisam ser radicalmente revistos. Entretanto, não se trata de abandoná-los, mas de transformar as políticas públicas, as medidas de desempenho empresarial, os compromissos do negócio, as relações com os stakeholders e investir em um novo sistema de formação de lideranças empresariais, criando todo um novo ecossistema de mercado



Para ser certificado, é preciso atender a três quesitos. Veja no filme abaixo. 


O Sistema B propõe investir em inovação radical para reduzir impactos socioambientais, criar sinergias de negócio entre as Empresas B, humanizar as relações trabalhistas - como por exemplo novos formatos de co-working, geração de valor compartilhado na cadeia de fornecimento -, e também o convívio nas cidades,  transformando os espaços urbanos públicos em locais de convívio e prazer, como é o caso da nova Pracinha Hub na R. Oscar Freire ou a horta comunitária da Praça das Corujas no Alto de Pinheiros, ambos em S.Paulo.

Veja a reportagem em http://tvcultura.cmais.com.br/jcprimeiraedicao/reportagens/rampa-de-estacionamento-vira-escritorio-em-plena-oscar-feire-em-sp-01-10-2014

Entrando no site www.sistemab.org é possível fazer o teste online "Avaliação de Impacto B" para checar se e o quanto sua empresa se enquadra no perfil de uma Empresa B. A partir daí, é preencher o formulário e se inscrever. Tomara que sua empresa seja mais uma a integrar essa importante iniciativa ! 

Quer saber mais e se envolver? Duas oportunidades dias 16 e 30 de Outubro:


LINK PARA INSCRIÇÃO: https://docs.google.com/forms/d/15cFz0B4KfKdQV9VNa7ZyyXaUUqZNXIiqVBHr55ToqHs/viewform
LINK PARA INSCRIÇÃO: https://docs.google.com/forms/d/1LgP1mK2ZdEu4nbs8MqBHAQBNRQC45uxnHxtoqT8GshU/viewform





sexta-feira, 5 de setembro de 2014

CAMPANHAS CRIATIVAS CONTRA O DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS

A União Européia declarou "Ano contra o desperdício de alimentos". No Brasil, 4o maior produtor do mundo, mais de 26 milhões de toneladas (64% da produção) vão para o lixo anualmente (40 mil/ton por dia, o que poderia alimentar 19 milhões de pessoas), perdidos ao longo da cadeia de fornecimento e mau preparo em casa. No mundo, 925 milhões de pessoas passam fome diariamente. Como desperdiçamos:

20% na colheita;
8% no transporte e armazenagem;
15% na indústria de processamento;
1% no varejo;
20% no processamento culinário e hábitos alimentares.


Por isso, é de se aplaudir duas iniciativas para lá de criativas para conscientizar as pessoas, que geraram muito buzz na imprensa e mídias sociais. Uma delas européia, a outra brasileira.



A maior rede de supermercados da França, o Intermarché, lançou a campanha "Frutas e Vegetais Inglórios", colocando nas gôndolas produtos descartados pela indústria de alimentos por fugirem do "padrão de beleza" do mercado. Mas que ainda são perfeitos do ponto de vista nutricional. Era preciso educar as pessoas, então houve um importante suporte de marketing por meio de displays de loja e até amostragem de pratos prontos (sopas e sucos) feitos com os "feiosos". Os resultados foram incríveis. Veja o filme


No Brasil, a ONG Ecobenefícios (ecobeneficios.com.br/consumoconsciente) usou um grande restaurante de Porto Alegre e surpreendeu os clientes no Dia Mundial da Alimentação (16/outubro) com pratos especiais 20% menores, o equivalente ao que vai para o lixo diariamente. Na borda da louça lia-se "Por que 20% dos alimentos são desperdiçados todos os dias?"

Segundo a 13a. Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro da ABRAS em 2013, os supermercados perderam 1,95% de seu faturamento com desperdícios, sendo 4,22% em perecíveis. Além disso, uma estimativa realizada pela Coordenadoria de Abastecimento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo indica que perdas na cadeia produtiva dos alimentos equivalem a 1,4% do PIB. 


quarta-feira, 16 de julho de 2014

MARKETING ALEMÃO FOI A MAIOR GOLEADA NESSA COPA

Show de bola, sem trocadalhos, a campanha de marketing da Seleção alemã, que começou a ser planejada em 2013. Pensando em estratégias comerciais, parceiros, TV, propaganda e como iriam agir, estar no Brasil e fazer parte do torneio. O objetivo era ser o 2o time mais popular da Copa, segundo Patrick Kisko, chefe de marketing da DFB (Federação Alemã), em entrevista ao SporTV. 

A grande sacada envolveu o Flamengo. Através da Adidas, fornecedora de material esportivo em comum, a seleção alemã criou uma camisa reserva rubro-negra, aproveitando que havia uma insatisfação com o modelo antigo, o verde utilizado na Eurocopa de 2012. 

A Alemanha usou a camisa rubro-negra em duas ocasiões: na vitória por 1x0 sobre os Estados Unidos no Recife, e no histórico 7x1 contra o Brasil, na semifinal, em Belo Horizonte. A seleção jogou de branco no Maracanã, mas via-se nas arquibancadas que a novidade encantou os rubro-negros e não gerou rejeição nem mesmo dos rivais (torcedores de Fluminense, Vasco e Botafogo).  

Lukas Podolski, amigo de André Santos desde os tempos de Arsenal, recebeu do lateral uma camisa do Flamengo personalizada com o seu nome. Em seguida, o próprio marketing do Rubro-Negro entrou em ação e presenteou Poldi, Schweinsteiger e outros jogadores, quando vieram ao Rio para enfrentar a França. Os alemães bombardearam as redes sociais com pedidos de torcida no Maracanã. Repetiram a dose antes da decisão contra a Argentina. 

Schweinsteiger vestiu também as camisas de Bahia e Grêmio – também cantou o hino do Tricolor baiano com o goleiro Manuel Neuer num vídeo para o amigo Dante. Antes, durante e depois do Mundial, a DFB utilizou as mídias sociais de diversas maneiras para mostrar o quão confortável estava sua seleção. Em outros casos, os jogadores trataram de nos lembrar com cenas marcantes, como Neuer e Schweini dançando "Lepo-Lepo" na praia com o amigo brasileiro Tibúrcio, ou Podolski e o camisa 7 enrolado numa bandeira verde-amarela, torcendo na disputa de pênaltis contra o Chile? 

Um excelente videoclip mostrando o time interagindo com a comunidade indígena e baiana durante os treinos e concentração no Campo Bahia, angariou a simpatia geral e viralizou. Mas foi retirado do YouTube a pedido de Paula Lavigne, por usar sem autorização a música "A luz de Tieta" de Caetano Veloso.  

Fechando com chave de ouro, a chanceler Angela Merkel veio torcer entusiasticamente na final da Copa e produziu o selfie do ano ! 


Sem contar o Marketing Social, deixando uma obra social em Santo André, doações para a comunidade baiana (inclusive indígena) - leia mais na página www.facebook.com/amoraoplaneta. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

COMO A CONECTIVIDADE ESTÁ MATANDO A PRODUTIVIDADE


Que atire a primeira pedra quem não recebe "plim-plim" de notificações várias vezes ao dia... A "indústria da distração" está cada vez mais presente na nossa vidaficamos conectados direto, com nossos smartphones, tablets e laptops recebendo avisos de postagens no Face, no WhatsApp, Snapchat, Skype, SMS etc. 



Antes de mais nada, vamos entender como funciona a psicologia humana: se houver chance, tendemos a interromper o que estamos fazendo a cada três minutos. Paramos de digitar uma página word para checar novos emails, ou dar uma olhada no mural da rede social, ou consultar um site. Muitas dessas interrupções não têm nada a ver com a tarefa que estava sendo executada. Nossa produtividade (e até nosso cérebro, leia mais adiante) está sendo devastada pelas interrupções não-convidadas, especialmente se desviam nossa atenção para outro assunto que nada vai agregar ao trabalho original. 

Um estudo da Microsoft indicou que os programadores que eram interrompidos por alertas de chegada de email perdiam dez minutos toda vez que desviavam de sua tarefa original, além do tempo que a mensagem levava para ser respondida. Colaboradores chegam a perder 40% de seu tempo produtivo quando são interrompidos regularmente. Óbvio: leva um tempo para se desligar do assunto anterior, se concentrar no novo e voltar ao antigo - quando não se desvia para outras direções totalmente. 



Apesar disso, a tendência da tecnologia voltada para o consumidor é fornecer interrupções cada vez mais frequentes e eficazes. Em 2009 foi introduzida a notificação por push nos celulares. Antes disso, somente mensagens de texto apareciam na tela. Hoje, qualquer aplicativo pode emitir algum sinal sonoro ou musiquinha de alerta, e não só nos smarthphones e tablets, mas também nosso laptop. Agora mesmo, enquanto eu escrevia esta postagem, já apareceram quatro notificações do Face e um plim-plim do WhatsApp. Como a curiosidade mata... é preciso ter nervos de aço para não sucumbir - e confesso que o do celular eu olhei! 

Verdadeiros impérios corporativos foram erguidos sobre a notificação por push, razão para que aplicativos de mensagem como WhatsApp e Snapchat funcionem, e eles são essenciais para engajar as pessoas com serviços como Facebook e Twitter. Neste último, usuários que visitam o site ou abrem o aplicativo pelo menos uma vez ao mês checam o serviço uma dúzia de vezes ao dia. No caso do Face, ele representa 20% do tempo que um americano médio usa seu celular (fonte: comScore). Será que o tempo seria tão grande se nossos aparelhos não ficassem nos mandando alertas toda vez que há alguma atividade em nossas redes? Quanto mais entrarmos, mais veremos os anúncios e forneceremos dados comportamentais para esses serviços. 


E só vai piorar: os smart-relógios usando Android do Google vibrarão toda vez que o usuário receber alguma notificação em seu celular - e se ele estiver configurado para dar alertas de emails, postagens e calendários, o pulso vai tremer dezenas ou até centenas de vezes ao dia! O Google Glass vai dar um flash das notificações bem diante dos seus olhos. E o novo sistema operacional do iPhone promete transformar esses alertas em sistemas ainda mais sofisticados de interrupção, permitindo interagir com os aplicativos lá mesmo nos alertas, sem nem desbloquear o celular. 



Você deve estar pensando: mas basta configurar para desligar essas notificações. Só que não é tão fácil assim. A FOMO (Fear of Missing Out), é uma das novas doenças "tecnológicas", já que temos medo de perder alguma informação ou oportunidade interessante se não estivermos acessíveis em tempo real. Em alto grau da neurose, a pessoa se sente angustiada, tem mais de um aparelho, não desconecta nunca e jamais se acha suficientemente informada sobre tudo que todos estão fazendo em todos os lugares, o tempo todo. Os usuários de redes sociais já pressupõem que os outros estejam online direto. Não é comum um amigo mandar convite em cima da hora ou recado importante usando Face ou WhatsApp, certo de que você vai ler imediatamente?
O custo dessas interrupções é alto. Segundo os neuropsicólogos, o cérebro fica sem "combustível", glucose, quando temos que operar cognitivamente tarefas pesadas, como exercitar o auto-controle diante de uma grande tentação. Exatamente o que as inúmeras notificações nos impõem, com maior ou menor sucesso, ao longo de um dia. Tanto faz sucumbir ou não à leitura, igualmente gastamos a glucose. E novamente quando nos sentimos desconcentrados ou atrasados para executar as tarefas importantes. 
Não há nada de errado com a tecnologia. Como sempre, é o USO que fazemos dela, os limites que impomos para nosso próprio bem. Ao invés do cérebro travar dezenas de batalhas de auto-controle ao dia, que tal apenas uma escolha binária: estar ou não conectado em alguns momentos que nos sirvam de "respiro" (a hora da ginástica? da aula? de assistir um filme? de jantar com amigos? de transar?). Pense nisso. 

Fonte: livremente adaptado de Wall Street Journal, por Christopher Mims, em http://online.wsj.com/articles/say-no-to-the-distraction-industrial-complex-1404081926

terça-feira, 29 de abril de 2014

EXECUTIVOS DE SUSTENTABILIDADE CONTAM SUAS HISTÓRIAS DE LUTA PELO TEMA DENTRO DAS EMPRESAS

Continuando seu processo de disseminar a sustentabilidade pelo país, a PLATAFORMA LIDERANÇA SUSTENTÁVEL, depois de três anos de palestras e road shows com CEOs de empresas benchmarks na área, realizou um encontro com quem bota a mão na massa e briga por ela nessas organizações: os diretores de sustentabilidade.

Num formato intimista de teatro de arena, rodeados de público por todos os lados, eles deram o seu recado. 


Diretores da AES, Alcoa, Braskem,
Natura, Whirlpool, Santander, Itau, Duratex,
Tetra Pak, Even e Votorantim com o organizador
Ricardo Voltolini da Ideia Sustentável


Foram onze executivos, contando as histórias de como entraram nessa área, os desafios que enfrentaram e dicas de como encará-los. Nada foi nem é fácil, e o que pude resumir do que aprendi lá e compartilho como vocês:

1) A sustentabilidade é multidisciplinar e ainda confusa em termos de formação profissional - cada um veio de uma área diferente (engenharia química, artes plásticas, marketing, engenharia civil, jornalismo, finanças), foi parar nesse cargo por acaso e de repente, quando a empresa sentiu no mercado a necessidade, e precisava colocar alguém para cuidar. Compreensível: enquanto a medicina tem 600 anos de vida, a sustentabilidade tem no máximo 40. 

2) O tempo da empresa é diferente (e mais lento) que o drive da área de sustentabilidade. Os resultados das ações demoram a aparecer e muitas vezes ocorrem muito longe de onde se está atuando (por ex num fornecedor ou numa comunidade) e não em processos internos da empresa. E cada produto (e portanto departamento) terá uma forma diferente de contribuir para o resultado global. 

3) É preciso ser RESILIENTE - ter paciência e não desistir nunca, pois os obstáculos são muitos e os céticos também (os colegas gestores e até os consumidores). Agarre-se na sua convicção, motive e traga para perto os crentes, conecte as pessoas internamente com o tema, trabalhando em parceria com cada departamento para entender como seus processos funcionam e idem a cabeça do consumidor. Ex: na Natura, questionou-se um frasco de perfume que usava muito vidro, no meio de um projeto de redução dos resíduos. A resposta da área de marketing: o consumidor de perfumaria premium só reconhece valor se o frasco for pesadão ! 

4) É preciso aturar REJEIÇÃO - por falta generalizada de entendimento do que essa área faz, se é tratado como chato, supérfluo, ingênuo e tem que encarar a eterna briga entre fazer o que seria melhor  a longo prazo versus agradar o cliente e assim contribuir para as vendas e o EBITDA  (curto prazo). Ex: na construtora Even, a área de sustentabilidade só ganhou peso quando a empresa queria entrar no ISE da Bovespa e, graças ao que já estava implementado, conseguiu fazer parte dessa carteira de ações premium, atraindo de imediato investimentos de seis grandes Fundos. 

5) Cumprir metas é diferente de cumprir os OBJETIVOS - uma meta pode ter sido atingida, mas cabe perguntar: o processo melhorou? Estamos oferecendo mais qualidade? Tendo mais cuidado nas decisões gerenciais? Senão a cultura não está mudando, o modelo de negócio continuará o mesmo, sem evoluir. Ex: na AES, o Comitê definiu 5 temas e cada executivo ganhou um deles para cuidar, independentemente de sua área específica na empresa. 

7) É preciso criar indicadores para medir a criação de VALOR COMPARTILHADO, desdobrando em GOVERNANÇA (políticas, comitês, relatórios, programas de remuneração atreladas a metas de sustentabilidade). Só assim se poderá continuar a ter a preferência das pessoas. Ex: a Natura acaba de fazer um Plano Estratégico de 50 Anos, onde apresentará o conceito de REGENERAÇÃO, um degrau acima da prática de reciclagem, neutralização e responsabilidade. A Votorantim adotou 33mil hectares de floresta e criou indicadores de valor para provar que "floresta em pé se paga". 

8) Gente não muda por download ! É preciso engajar, fazer as mudanças através das pessoas, ajudá-las a compreender e atuar no tema. Dinheiro é importante, mas as pessoas são mais. Só vai acontecer mudando o modelo mental e conciliando nossa Pessoa Física com a Pessoa Jurídica. 


As histórias podem ser lidas no livro que acaba de ser lançado, e em breve também nos vídeos do evento que estarão disponíveis no site www.ideiasustentavel.com.br. 


terça-feira, 22 de abril de 2014

CÉUS MAIS AZUIS GRAÇAS AO LIXO !


Grande notícia vinda dos ares ! (pelo menos dos céus internacionais)



Responsáveis por uma parte significativa das emissões de CO2, as companhias aéreas estão se organizando rapidamente para se tornar mais sustentáveis. A British Airways vai usar combustível feito de lixo de aterros sanitários, resultado de uma parceria com a Solena Fuels. O equivalente a retirar 150 mil carros de circulação das ruas, são 50 mil toneladas de combustível/ano, começando em 2017. A fábrica fica em Essex, UK, e transformará 575 mil toneladas de lixo que seria incinerado em 120 mil toneladas de combustível limpo. 

Outro grupo formado pela KLM, Virgin Atlantic e United está explorando o potencial de biocombustíveis. A Virgin foi a primeira a adotar, em 2008. A United já tem uma parceria com a AltAir Fuels para 15 milhões de galões de combustível de fonte renovável e com baixa emissão de carbono. Foi a pioneira nos EUA ao voar com biocombustível à base de algas em 2009. 

Embora já existissem agências propondo aos clientes neutralizarem suas emissões de viagens comprando carbon offsets, o resultado ainda era muito tímido. Infelizmente, o consumidor tende a ser muito acomodado. 

Calcule o quanto as viagens aéreas representam no impacto total da sua Pegada Ecológica, usando o teste que está no link abaixo. Você nunca fez o teste? Prepare-se para uma surpresinha... provavelmente desagradável. 

http://amoraoplaneta.blogspot.com.br/2008/06/qual-o-tamanho-da-sua-pegada-ecolgica.html

A minha Pegada certamente vai diminuir muito, já que os voos de trabalho Brasil afora são o maior "vilão" da minha estatística ! 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

ME ENGANA QUE EU POSTO (E NÃO GOSTO)

Cada vez mais pessoas desmascaram empresas ao postar filmes e compartilhar comentários no YouTube e redes sociais. Esteja certo: tem um monte de desocupados e blogueiros especializados em denunciar propagandas e promoções enganosas, foto-montagens, imagens retocadas em Photoshop e todo tipo de fraude ou discurso duplo das corporações. Sem falar, claro, no patrulhamento em cima de anúncios e declarações sem responsabilidade socioambiental ou anti-éticas.

Recentemente, circularam pelo Face alguns exemplos de celebridades sem retoques: 
Tara Reid
Cameron Diaz
Alicia Keys


A Courofino foi obrigada pelo CONAR a tirar do ar sua campanha do Dia das Crianças, por estar supostamente estimulando a pedofilia. Ficou na nostalgia do passado a inocência de uma campanha-ícone como a da Coppertone. 







Olha só esta campanha da Ricardo Eletro em 2013, do "Melhor Natal do Mundo": o carismático dono da empresa viaja para NY para pesquisar preços nas lojas e garantir que os brasileiros não vão pagar mais caro que os americanos pelos produtos. O filme é ágil, energético, convincente. Principalmente para quem se deixa levar pelo impulso, confia na marca, no seu principal executivo e não tem tempo para fazer grandes pesquisas. Foram R$ 300 mil de investimento em mídia online, inclusive Ads em filmes no YouTube.

Os próprios seguidores do blogueiro Carlinhos Troll lhe enviaram print screens alertando de que um comercial duvidoso aparecia antes dos seus filmes: era o anúncio da Ricardo Eletro. A resposta dele veio rápida e contundente, apontando todas as mentiras e meias-verdades: 


Mas a questão é que a loja bateu o seu recorde de vendas após a ação (125% da cota de uma 2a.feira, quando o normal é entre 95-102%), exceto no dia do Black Friday (600%). Há 30 milhões de brasileiros que usam três ou mais dispositivos móveis por dia, e a classe C já possui smartphones, que usa para pesquisar informação e e-mails. Então fica a pergunta: se houve um aumento de vendas nesse nível, mesmo usando um discurso falso, vale a pena investir no curto prazo em detrimento da reputação de longo prazo da empresa?

O Google divulgou um estudo sobre o que seria o novo processo de decisão de compras, e inspirado pela metodologia F-Mot da P&G ("First Moment of Truth"), propôs o Z-Mot ("Zero Moment of Truth"), alegando que hoje qualquer processo se inicia com consulta online, especialmente via smartphone. Veja abaixo:





Conclusão: como as pessoas estão na correria e não checam a maior parte do que lêem na web, uma campanha viral bem feita vai convencer e gerar vendas, votos, o que seja. Entretanto, passado o tempo, podem surgir os desmentidos, as denúncias, e fazer um estrago no brand equity, quebrando um ciclo de confiança nas novas promessas da marca.  Também de nada adiantará vender sem suportar serviço de entrega, e o Reclame Aqui está cheio de postagens de clientes irados dizendo, basicamente: "vende mas não entrega". 

Como o primeiro lugar onde as pessoas vão buscar informação é na web… é como dar um tiro no pé depois de cruzar a linha de chegada. 

domingo, 30 de março de 2014

O NARIZINHO DA ANITTA E OS PERIGOS DO BRANDING


Anitta antes e depois - irreconhecível
Vamos falar de Anitta, mas antes: todo artista ou celebridade é uma marca. Da mesma forma que se constrói com cuidado uma marca empresarial, também é preciso trabalhar o branding de um "produto" do entretenimento. Ele vale muito dinheiro no mercado e sem um gerenciamento correto não tem uma vida útil muito longa. 

Artistas/Celebs são pessoas que se distinguem por criar algum tipo de identificação especial com um segmento de público, baseado no seu talento, carisma, personalidade e aparência. Isso já pode vir pronto ou estar em estado "bruto" e ser lapidado por especialistas em branding

Adam Lambert e seu estilo glam, meio Ziggy Stardust
Às vezes o artista intuitivamente define sua persona e espontaneamente gera um resultado interessante, como é o caso de Lady Gaga e Adam Lambert. Mas geralmente trata-se de um grande esforço profissional. Escolhe-se o corte de cabelo, o estilo da roupa e do repertório, gerencia-se as oportunidades de geração de mídia, ensaia-se as declarações em entrevistas e às vezes até opta-se por esconder namorados ou alguma preferência sexual. Tudo composto e pensado para posicionar aquele "produto" de forma consistente junto à sua audiência (os demographics).

Keanu Reeves e Ricky Martin foram firmemente orientados esconder sua homossexualidade caso não quisessem perder, respectivamente, o status de herói de filmes de ação e latin lover da música. Mesma sorte não teve o ator inglês Rupert Everett, que já declarou em entrevistas como sua carreira foi ladeira abaixo depois que saiu do armário. Quando a cantora teen Britney Spears foi morar com Justin Timberlake, ficou impossível sustentar a identidade da santinha virgem; quando tornou-se mãe de duas crianças, ficou difícil manter o posicionamento de lolita sexy e rebolativa, vivenciando um período de perda de identidade artística que a levou a raspar a cabeça, engordar, apresentar-se no MTV Awards embriagada e beijar Madonna na boca.

Mais que uma camaleoa, uma excepcional mulher de marketing
Falando em Madonna, esta soube reinventar-se aproveitando todos os modismos culturais (já fez a linha trash, latina, anti-católica, fashion, disco, erótica e clubber), sempre produzindo shows ousados e  imagens icônicas em figurinos e cortes de cabelo, sacando desde cedo a ruptura do modelo de negócios do setor fonográfico e investindo nos mega-espetáculos ao invés dos CDs. 

Bem, chegamos em Anitta. Uma menina que tem o mérito de ser ousada, muito focada, vendendo uma imagem forte e independente de mulher que explora sua sensualidade. Compreendeu os riscos da profissão e logo tratou de estudar inglês e contratar um terapeuta para o sucesso não lhe tirar do prumo. Ganhou fama rápido, reinvestiu seu dinheiro em melhorar a estrutura dos shows e foi crescendo no mercado. A ponto da marca de coloração Koleston usá-la para um buzz marketing ao tingir seus cabelos negros de loiro, ação semelhante à que fizeram tornando Xuxa morena. E de repente, quando deveria ser o auge do buxixo, a menina sai de cena e ressurge irreconhecível após uma rinoplastia, roubando totalmente o foco da ação promocional. Se eu fosse o gerente de marketing da empresa, estaria bem irritado e me amaldiçoando por não ter amarrado melhor o contrato. Você contrata uma pessoa e recebe outra. 

Jennifer Gray, antes/depois
Mas o fator mais grave não é a "traição" ao patrocinador. É a traição aos fãs daquela morena forte e de traços exóticos bem brasileiros, que agora se tornou uma loirinha banal. Me lembra um caso semelhante ocorrido com a atriz Jennifer Grey, que no auge da fama pós Dirty Dancing fez uma rinoplastia que a deixou irreconhecível. A atriz chegou a considerar mudar de nome e iniciar sua carreira do zero, pois "Entrei na sala de operações uma celebridade - e saí anônima. Era como estar em um programa da proteção às testemunhas ou ser invisível", disse ela. 

Anitta tem a vantagem de viver em um mundo de mídias sociais onde sua nova cara pode ser exibida e disseminada à exaustão. Não creio que corra o risco do anonimato, mas a identificação com o seu público cativo ela já perdeu. Vejamos que imagem ela projetará daqui em diante, pois a brasilidade e a personalidade forte não colam mais nesse novo rosto de patricinha. 




quarta-feira, 5 de março de 2014

A CARNE É FRACA E O PECADO QUASE MORTAL

A polêmica da hora é a campanha da Friboi usando o sabidamente vegetariano Roberto Carlos como garoto-propaganda. Estamos falando, na verdade, de duas marcas distintas: a do frigorífico e a do artista, ambas com indiscutível alto valor de mercado. E o que ela nos ensina sobre branding? 


A Friboi vinha de um abalo reputacional ao ser relacionada com Lulinha, filho do ex-presidente Lula, seu pretenso sócio, que ficou milionário da noite para o dia com negócios cuja lisura até hoje se questiona. A marca conseguiu dar a volta por cima lindamente, ao utilizar o acima-de-qualquer-suspeita, admirado e carismático Tony Ramos para fazer suas campanhas na mídia, alavancando R$ 300 milhões em vendas de produtos. 

Embalados pelo sucesso, mas equivocados na forma, pagaram R$ 25 milhões de cachê para o "Rei" da música romântica ser o novo porta-voz da empresa. Se o anúncio pretendia criar buzz, conseguiu. Mas como sempre é preciso qualificar: foi positivo ou negativo? Se a intenção era fazer uma paródia, tipo "o bife é tão bom que até vegetariano balança", o texto mal escrito e a interpretação canastrona do cantor não entregaram esse efeito e soaram como tentativa de enganação. E ficou ainda pior para a marca "Roberto Carlos": um artista que estaria em decadência e perverteu seus princípios, se vendendo por dinheiro. O cineasta Fernando Meirelles da Conspiração filmes foi honesto e entregou que Roberto nem tocou na carne. 

Outra empresa do Grupo JBS, a Seara cometeu o mesmo pecado ao usar a também vegetariana Fátima Bernardes para anunciar seus embutidos, primeira e única vez que a apresentadora fez campanha publicitária na vida. E embolsou R$ 5 milhões pelo pacote merchandising/anúncios. Uma gota d'água no oceano para um grupo empresarial que faturou R$ 100 bilhões em 2013


Associar celebridades e formadores de opinião a produtos não é novidade e funciona. Mas tem que ser bom para ambos os lados e gerar CREDIBILIDADE. Alguém acredita que a Hebe pintava seus loiros cabelos com Cor&Tom? Que Adriane Galisteu bebia Tang? No entanto, você pode bem acreditar que Neymar use cuecas Lupo, seja correntista do Santander e assista TV Panasonic; ou que Gisele Bundchen use jóias Vivara e trate seus cobiçados cabelos com Pantene. A aderência dos produtos ao porta-voz é grande. 

Para se ter uma idéia, as ações da Victoria’s Secret caíram 31,5% em 2007 quando a modelo deixou de ser uma das Angels. O economista americano Fred Fuld calculou que o valor de mercado de Gisele pode chegar a US$ 445 milhões (R$ 1,05 bilhão), engolindo o de Neymar (US$ 77,5 milhões ou R$ 183 milhões). 

Ou seja, o brand equity de uma celebridade é altíssimo,  precisa ser preservado e pode render muitos frutos ao longo dos anos se trabalhado de forma consistente e cuidadosa. 


De volta aos bifes e salsichas, em tempos de rede social, me parece equivocado que qualquer formador de opinião arrisque o valor de sua marca pessoal por uma transação comercial individual. E a máxima do "falem bem, falem mal, mas falem de mim" já causou muitos assassinatos de produtos e demissões de diretores de marketing, como foi o emblemático anúncio viral "Lelek Lek" do Mercedes Classe A, repudiado pela própria matriz, que deu munição para a concorrente BMW fazer várias paródias e foi eleito uma das "gafes de marketing do ano" pelo Meio & Mensagem.