Ártico

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

RESUMO DO SUSTENTÁVEL 2013 DO CEBDS


Estive na conferência do CEBDS - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, e faço aqui um resumo das principais novidades trazidas por um elenco de notáveis do mundo empresarial, governo e 3o setor. 





76% dos CEOs acham essencial a sustentabilidade para os negócios, mas 67% chegaram ao limite do que podem fazer sozinhos. Falta um arcabouço de regulação para incentivar as empresas, baseado no tripé: 

- EDUCAÇÃO: incentivos públicos à ciência e tecnologia
- RISCOS: hoje a empresa enfrenta sozinha os riscos de investir em inovação
- SETORIAL: as entidades de classe trabalharem para influenciar políticas públicas

Teremos que mudar nossas práticas relativas à: DEMANDA (hábitos de consumo), PRODUÇÃO e INDICADORES DE SUCESSO das empresas. 

Isso vai requerer uma articulação entre o setor empresarial e o governo, buscando incentivos e políticas públicas mais coerentes com a sustentabilidade. Um exemplo emblemático (pesquisa na CNI, de 2003 a 2010): 

13% de crescimento populacional no Brasil
X
63% de crescimento na quantidade de automóveis despejados nas vias

As cidades já estão entrando em colapso, a política de incentivo à indústria está totalmente equivocada, idem a de investimentos em transporte público, sem contar as emissões de CO2 - o mundo já atingiu 550 Bi de toneladas de CO2 em 2013, com estimativa de 1 Trilhão até 2050. 

Tem que haver mudança na matriz energética, nos processos industriais e nas políticas de uso do solo, buscando cidades 100% elétricas e/ou movidas com energias limpas. Os ODS - Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estabelecidos na Rio+20 para o período 2016-2030 são considerados apenas "mais do mesmo" e é preciso agir imediatamente, em escala. 


Por isso o CEBDS criou a "Ação 2020" que pretende propor mudanças rápidas e radicais. O mote desse movimento será: 

ESCALA 
MENSURAÇÃO
ir ALÉM DO "BUSINESS AS USUAL" 
que se mostra cada vez mais inviável. 


(a esse respeito leia a iniciativa do B-TEAM publicada aqui no blog). 








Jeffrey Sachs criou o SDSN - Sustainable Development Solutions Network, que terá sede no Rio de Janeiro, em parceria com universidades e fundações, pilotado por Israel Klabin. A idéia é formar boas parcerias com o poder público, por causa das graves crises climáticas iminentes (enchentes, nevascas, furacões) que afetarão patrimônio, mobilidade, seguridade e abastecimento. É consenso que o principal agente público no futuro serão os Prefeitos das grandes cidades. 



Iniciativas locais também serão importantes, e um exemplo é o sucesso da campanha "Rio eu Amo eu Cuido" de Joaquim Monteiro de Carvalho, que enxergou como problema os cariocas agirem como "cidadãos de 3o mundo numa cidade com eventos de 1o mundo" e se propôs a mudar comportamentos (limpeza, civilidade, conservação do patrimônio etc). Ponto para o movimento Cidades Sustentáveis de Oded Grajew e o Pacto Local do Barra Sustentável, da zona oesta carioca. 








Um comentário:

Saulo Segurado - Construção Sustentável disse...

Ótimo post, Patricia! Pra quem também gostou e quer aprofundar ainda mais no assunto, sugiro este artigo que explica porque a Construção Sustentável = mais dinheiro, saúde e produtividade: http://www.construcaosustentavel.net/2013/12/construcao-sustentavel-mais-dinheiro-saude-e-produtividade.html