O que se
esperava da Rio+20?
Basicamente 2 coisas: definir o que é a tal “Economia
Verde” e uma Governança Global, ou seja, leis e agências internacionais com
poder de regular e punir infratores sócio-ambientais, como a OMS (saúde) e OMC
(comércio). Mas muita gente teme
que tudo não passe de um ôba-ôba de fotos marqueteiras e não traga medidas
práticas. Só o Greenpeace está produzindo sua energia limpa. No evento, imperam milhares de copos de isopor e geradores a diesel. O Forum Global que em 92 reuniu ONGs do mundo todo virou uma Cúpula dos Povos com entidades brasileiras sedentas por recursos e muitos índios e neo-hippies dançando e protestando no Aterro do Flamengo.
Para pautar a conferência dos Chefes de Estado no Riocentro, negociadores
de 193 países viraram noites fazendo o Rascunho Zero, termo de compromisso que será assinado
pelos governantes. O problema é que o documento decepciona – texto genérico, que não estabelece metas,
prazos, indicadores para monitoramento, ou seja, não traz compromissos para os governos
nem soluções operacionais para implantar a sustentabilidade. Só fala o óbvio –
a importância de perseguir o desenvolvimento sustentável – e empurra o problema
para futuras negociações. Disse a
ex-ministra Marina Silva: “O documento é pífio”. Manchete do jornal O Globo: “ONGs
rejeitam documento da Rio+20; ONU cobra ambição”. E o governo brasileiro comemora sua condução dos trabalhos (talvez tenha fumado a maconha que o Presidente uruguaio deseja produzir em seu país).
Rio Clima, iniciativa do Dep. Alfredo Sirkis, já que as Mudanças Climáticas ficaram de fora da agenda oficial (!!!!) |
Felizmente, na paralela do evento oficial,
ocorreram vários outros com a sociedade civil, meio empresarial e o poder
público, de onde saíram sugestões práticas e compromissos assinados: Rio Clima
(Mudanças Climáticas), Rio+C40 (Prefeituras de 40 megacidades), Fórum
Empresarial e o Pacto Global (ONU com grandes empresas).
Neles, houve
estabelecimento de tetos para emissão de gases de efeito estufa, metas de
redução e providências concretas, sugestão de impostos para produtos eco-sujos,
subsídios para iniciativas verdes, revisão e cumprimento das 8 Metas do
Milênio/ONU até 2015, entre outros.
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Prefeitos do C-40 se comprometem com redução de 45% das emissões de CO2 até 2030 |
O que mais se ouviu falar foi a
precificação dos serviços
ecológicos e do CO2, para contabilizar esses intangíveis nos balanços
financeiros das empresas e carregar esses custos no preço dos
produtos/serviços. Certamente, uma dinâmica muito diferente iria se criar no
mercado ! Produtos eco-sujos sairiam mais caros e as empresas não poderiam mais
externalizar seus passivos ambientais e sociais.
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