Ártico

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SAI A LISTA DAS 50 MAIS INOVADORAS DO MUNDO



Todo ano acompanho o ranking da Fast Company das 50 empresas mais inovadoras do mundo. Em 2012 a Nike era a top, e havia um brasileiro, Lourenço Bustani (Mandalah) em 48o lugar. Em 2013, o Google encabeçava a lista, e agora cai para 4o lugar,  inovando ao lançar seus laptops Chromebooks nas salas de aula. 

Este ano, surpresa geral: no pódio está a Warby Parker, varejista de óculos concebida exclusivamente no digital, desbancando gigantes já manjadas do mundo tech, como Apple (2o lugar) e Alibaba (3o lugar). 

Fundada há cinco anos em Nova York, a receita anual da loja online ultrapassa os US$ 100 milhões. O segredo? Investir em realidade aumentada e em outras tecnologias para entregar uma experiência única para o consumidor. Além disso, a companhia hoje possui dez pontos físicos, cujas vendas rivalizam com marcas do porte de Tiffany & Co. Uma marca socialmente engajada, cujo nome vem de dois personagens de um livro de Jack Kerouak, escritor beatnik

Os Co-CEOs da Warby Parker, David Gilboa e Neal Blumenthal, que unem rigor analítico com uma cultura corporativa descontraída 
A vice Apple vendeu 74,5 milhões de iPhone 7 nos últimos três meses de 2014; a 8a. versão do sistema operacional iOs "empodera" desenvolvedores a construir novidades interessantes. Ao afrouxar seu controle sobre os widgets do futuro, a empresa reforça, de forma ousada, seu papel central no avanço dos serviços integrados – hardware, software e serviços – na vida dos consumidores.

A gigante chinesa do e-commerce Alibaba, definida como uma mistura de eBay, Amazon e Paypal, atingiu US$ 25 bilhões em seu IPO no ano passado. Prova do seu poder foi a criação da data comercial de 11 de novembro, o Singles Day (anti-Dia dos Namorados) que vendeu mais de US$ 9 bilhões de compras no portal.

O Instragram pegou o 5o lugar por ter se tornado a rede social da indústria da moda, ao ser avalizada pela editora-ícone Anna Wintour da Vogue e fazer parcerias com marcas fashion.  Hoje, possui uma equipe interna que mapeia os profissionais mais criativos da moda para inspirar a audiência da plataforma.

Tesla, Netflix, Soundcloud e Kickstarter também estão entre as 50 companhias do Most Innovative Companies (confira aqui). A Fast Company também publicou o top 10 das empresas mais inovadoras em subcategorias, como Big DataInternet das CoisasKickstarterRobôs e Social Media.

Curioso observar como vários negócios voltados à responsabilidade socioambiental vem sendo, a cada ano, integrados aos tops do ranking. Mas isso será conteúdo do próximo post, junto com a interessante história da Warby Parker. 









domingo, 8 de fevereiro de 2015

UMA EMPRESA DO BEM





Fico sempre muito feliz de encontrar negócios que nasceram de cabeças empreendedoras jovens e totalmente comprometidas com um mundo melhor. É o caso da empresa inglesa INNOCENT DRINKS, criada por três colegas de faculdade em 1999, que começaram vendendo Smoothies em um festival de música em Londres. Eles colocaram dois baldes "Yes" e "No" e um cartaz: "Você acha que deveríamos largar nossos empregos para vender Smoothies?". Hoje, também vendem sucos e comida vegan, em diversos tipos e tamanhos de embalagem.

A filosofia da marca é "Taste good, do good" (ter bom sabor, fazer o bem), ancorada em cinco valores: ser natural, generosa, comercial, empreendedora e responsável. Sua estratégia inclui a Nutrição Sustentável, compromisso de difundir a boa alimentação dentro dos limites do planeta (a Pegada Ecológica). 




A empresa doa 10% do seu lucro, por meio da Fundação Innocent, que já ajudou mais de 530 mil pessoas globalmente, e tem um forte compromisso com reciclagem e agricultura sustentável. 




Este é um caso de criatividade, persistência e foco nos valores. Animados com a receptividade do público, fizeram onze versões de Business Plan e nada de investidores. Acionaram seus networks pedindo ajuda financeira, até conseguirem um. Depois de nove meses buscando um nome, começaram a vender três sabores do Innocent Juice numa lanchonete próxima (só um deles existe até hoje), ganharam prêmio regional de empreendedorismo e lançaram os Thickies (smoothies feitos com iogurte) em vans pintadas de vaquinha, bem chamativas. No ano seguinte, conseguiram entrar na rede de supermercados Waitrose, participam de um trade show e ganharam mídia. Naquela altura, eram apenas seis funcionários. 

O food truck Hungry Grazzy
Numa boa sacada comercial para chamar a atenção de cinco grandes redes varejistas, colocaram outdoors com o tema "Feito pela Natureza" bem em frente de seus escritórios-sede. E começaram uma inteligente estratégia de comunicação: uma webnews (desde 2000), livros de receitas promovendo alimentação saudável e caseira,  vans de entrega recobertas de grama batizadas de "Dancing Grass", food trucks "Hungry Grazzy" que fazem road-shows, os festivais ao ar livre "Fruitstocks" e "Villa Fest" (desde 2003), concursos de talentos musicais, o encontro anual de funcionários "Nature Weekend" e o uso dos rótulos e embalagens para um diálogo bem humorado com os clientes. Por exemplo, "Agite antes de abrir (não depois!)", "Se você não achar que nosso suco de laranja está o mais fresco possível, iremos à sua casa e espremeremos algumas pra você. Basta nos mandar a chave da porta". Em 2008, criaram a "Reunião de Adultos", onde abrem as portas para visitas dos clientes. E têm o simpático projeto "Big Knit", onde idosos e voluntários tricotam gorros de lã para decorar as garrafinhas e parte da venda reverte para campanhas de alimentação e agasalho da ONG Age UK, de velhinhos. 

Garrafas com gorrinhos do projeto Big Knit


Selo de garantia nutricional
Entretanto, o que mais chama a atenção é como estruturaram o negócio em sólidas bases sustentáveis. Desde a missão de promover a boa nutrição até os impactos da cadeia de fornecimento e embalagens. Foram os primeiros no mundo a lançar bebidas em vasilhames 100% rPet (reciclado), as caixas longa-vida são certificadas FSC, fazem parte da Iniciativa Agricultura Sustentável que garante produção socioambientalmente correta, introduziram um selo de garantia "2 porções de fruta por bebida" depois de uma briga com o próprio governo, e hoje tem programas de reciclagem e KPIs para economia de água, energia e redução de resíduos dentro da própria operação e toda sua cadeia de fornecimento. 

A empresa chegou aos 10 anos com 100 funcionários, operação em vários países europeus e a Coca-Cola como uma de suas investidoras, nada mal para quem nem conseguia captar financiamento para a start-up

Para conhecer melhor esta empresa engajada e criativa, entre em www.innocentdrinks.co.uk



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SUPERBOWL 2015 FOI UM FESTIVAL DE MARKETING 3.0

O SuperBowl é um dos espaços publicitários mais caros da TV americana (e do mundo). Cada inserção de 30s custou em 2015 USD 4,5 milhões, ou USD 150 mil por segundo! Saiba que não é só pagar: o anúncio tem que passar no crivo da NFL e da emissora, e não pode conter armas, pornografia, homofobia ou qualquer postura que se considere ofensiva ao público. 

O mais surpreendente, entretanto, foi ver como a abordagem dos anúncios das marcas mais bem cotadas tornou-se totalmente Marketing 3.0 (focadas em valores mais filosóficos ou causas), especialmente retratando uma figura masculina mais humanizada, em categorias de produto como cerveja e carros. Outros dos anúncios preferidos eram vinculados a superação de limites psicológicos e físicos














Vejam os exemplos:

SUSTENTABILIDADE/MUNDO MELHOR

BMW i3 "Hello Future" - carro elétrico, com carroceria em fibra de carbono, produzido em fábrica com energia eólica. 

Mc Donald's "Pay with Love" (slogan da marca é "I'm loving it") - a partir de 02/Fev/2015, os caixas vão selecionar aleatoriamente clientes, que poderão pagar o lanche com atitudes amorosas, como declarações de afeto a pais, filhos, abraços, dancinhas e agradecimentos sinceros, ao invés de dinheiro. 

Always "Rewrite the rules" (reescreva as regras) - criou a campanha #likeagirl para estimular o empoderamento e a auto-estima das meninas, que vai sendo destruída pela sociedade a partir da puberdade, por meio de estereótipos e bullying

Coca Cola "The world is what we make it" (slogan da marca "Make it Happy") - tendo ao fundo uma trilha que sugere "demonstre amor", a mensagem é mudar atitudes negativas para construir um mundo melhor, ou seja, "o mundo é o que fazemos dele". 

Carnival Cruises "We all came from the sea" - mostra a relação da vida humana com o mar, desde sua origem até o usufruto para diversão e paz espiritual. 

HOMEM HUMANIZADO

Dove Man "Care makes a man stronger" (o carinho torna o homem mais forte) - desconstrói a imagem do superhomem insensível, mostrando pais cuidando e demonstrando amor a seus filhos pequenos.

Nissan "With Dad" - enfatiza como os filhos homens se espelham no exemplo do pai, numa relação muito próxima e cúmplice.

Budweiser "Best Buds" (melhores amigos) - já imaginou anúncio de cerveja retratando a amizade profunda de um homem, um cachorrinho e um cavalo? Parece história da Disney, mas foi o anúncio mais bem votado do SuperBowl, e é para adultos. 

SUPERAÇÃO DE LIMITES

Microsoft "Empowering all of us" (empoderando nós todos) - em estilo storytelling, a empresa se anuncia em parceria com outras marcas que estão contribuindo para que pessoas deficientes ou em desvantagem social melhorem suas vidas, como a empresa de próteses Braylon.

Toyota Camry "One bold choice" (slogan da marca é "Let's go places") - mostra uma mulher com próteses que dança, faz esportes, pilota carros de corrida, enfim, faz "escolhas ousadas" como forma de viver, reforçando metaforicamente o conceito de "ir a lugares", ou seja, ir mais longe e não aceitar limites. 

Se quiser ver a coleção completa e votar, entre em: 

http://graphics.wsj.com/superbowlads2015/3AB8E7DD-96A8-4236-AEE0-D188C51ED025








quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

LUGAR DE HISTÓRIA FALSA É NA LITERATURA, NÃO NO MARKETING

Não custa insistir, já que começa um novo ano: se há um PECADO MORTAL para uma marca nos dias atuais é mentir. Criar e contar histórias falsas em tempos de redes sociais e algoritmos de busca, que têm capacidade para rastrear fotos e reconhecimento facial, é mais que um risco: é burrice mesmo. 


Agora em janeiro bombou na web o clipe da banda Maroon5 lançando a canção "Sugar", mostrando que iam aparecer de surpresa no "máximo de casamentos onde conseguirmos penetrar". Um mini-palco era montado vapt-vupt pela produção no salão de festas, noivos e convidados atônitos e excitados viam a banda entrar e tocar a animada música. Mas... em 48 horas internautas já haviam descoberto que pelo menos dois casamentos eram falsos, que os noivos eram atores e, inclusive, casados com outras pessoas. Que vergonha...! 



Ano passado tivemos a Friboi enfrentando o problema de um garoto-propaganda de suas carnes (Roberto Carlos) que notoriamente sempre foi vegetariano. Tantas críticas, que retomaram o uso de Tony Ramos e Roberto rompeu o contrato com a marca. Logo em seguida veio Fátima Bernardes (também vegetariana) anunciando os frios Seara. Tiveram que fazer campanha no Natal mostrando a apresentadora levando um naco generoso de tender à boca, só por garantia, e ainda lançar um video "Seara Verdade", onde a apresentadora diz que é sempre possível mudar. 



A Diletto fez história ao ser a primeira empresa punida pelo CONAR por falso storytelling: a família Scabin inventou um suposto antepassado "vovô Vittorio", para ilustrar suas embalagens e anúncios, como criador das receitas de sorvete da marca. "Acho que fomos longe demais", disse o empresário Leandro Scabin à Exame.  


E o que não dizer da propaganda política brasileira? Tanto que, em entrevista ao Meio & Mensagem, em novembro 2014, Paulo de Tarso (responsável pelas campanhas de Lula em 1989 e Marina Silva em 2010) revelou que um grupo de profissionais de marketing político pretende criar uma entidade que regulamente e fiscalize a atividade, nos moldes do CONAR. Paralelamente, a Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), presidida por Carlos Manhanelli, desenvolve um código de ética para o segmento. Tomara! 

Então, ficam os conselhos: 

  • se a marca não tem história, não invente; 
  • se o "embaixador" do produto não tem real conexão com ele, escolha outro;
  • se quiser agregar storytelling ao marketing, deixe claro que trata-se de um universo ficcional criado para compor o ambiente do produto. 
Bons exemplos:  as historinhas da Nespresso com George Clooney e outros atores convidados, o gentleman's waiger da Johnnie Walker Blue, o Segredo dos Vales Mágicos da Del Valle/Kapo, as histórias da Nextel com artistas e atletas. 












quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

TENDÊNCIAS DE MARKETING PARA 2015



(Livremente adaptado de Meio e Mensagem)


Que tendências vistas durante este último ano irão impactar os profissionais de marketing no ano que vem? Segundo os experts, 2015 será o ano de interações cada vez mais personalizadas com os consumidores, uma época de ter ferramentas de mensuração mais precisas e, também, abraçar a rápida expansão dos dispositivos móveis em todo o mundo.

O que esperamos ver em 2015 é:

1. Dispositivos móveis continuarão a ganhar mais a atenção dos consumidores: celulares e tablets ganharam espaço na rotina das pessoas e estão mudando o modo como somos impactados pelas mídias – mais tipos de conteúdo (por ex: imagens, notícias e vídeos) e mais modos de descobrir, avaliar e comprar produtos. A publicidade precisa atingir as pessoas em todos esses espaços, por meio de diversas experiências.

2. Publicidade digital mudará de mensurável para “explicável”: formas básicas de mensuração, como cliques, somente 
contam uma pequena parte da história. Com mais escala, precisão e novas ferramentas de mensuração, profissionais do marketing poderão entender o que realmente funcionou e focar no que importa para seus negócios: métricas de marca e vendas.

3. Negócios precisam ter uma abordagem personalizada: há, mais do que nunca, informações e ferramentas para criar boas campanhas. As pessoas esperam que a publicidade seja relevante em todas as plataformas. De acordo com a eMarketer, só 5% das áreas de marketing B2C declararam estar personalizando suas campanhas extensivamente.

4. As mensagens estão se tornando a parte principal de como a marca interage diretamente com os consumidores: diálogos em tempo real são importantes para resolver as atuais necessidades dos clientes. As pessoas cada dia mais usam uma comunicação baseada em trocas de mensagens, então as empresas precisam usar esse tipo de canal para manter um diálogo construtivo com funcionários e consumidores.

5. O alto crescimento de dispositivos móveis: de acordo com a eMarketer, nos próximos três anos, a penetração de telefones móveis irá crescer de 61,1% para 69,4% do total da população global. Assim, conforme as pessoas se tornam mais “móveis”, negócios e profissionais do marketing devem ir na mesma direção. N
os EUA, a Starbucks registra 6 milhões de compras/semana via celular, algo em torno de 15% do seu faturamento no país. Os pagamentos via smartphones ganharão escala em ritmo exponencial em 2015, especialmente com o avanço da adoção do ApplePay e sistemas similares. No Brasil, onde há projetos pioneiros - como a parceria entre Bradesco, Visa e Claro na cidade de Ribeirão Preto - a quantidade de terminais capacitados para transações financeiras via celular é de aproximadamente 1,5 milhão de pontos — cinco vezes mais do que nos EUA. 



6. Valorização do marketing em tempo real: em 2014, a Copa do Mundo colocou o Brasil de vez na era do real-time marketing. Adidas, Itaú e Visa se mobilizaram neste sentido. Nenhuma estrutura, porém, foi comparável à da Coca-Cola, que montou a uma operação inédita no mundo e aproveitou o Festival Internacional de Criatividade de Cannes (paralelo à primeira fase da Copa) para apresentar ao vivo o projeto que acontecia no Brasil, em um telão no Palais des Festivals. Uma verdadeira operação de guerra foi montada pela empresa em sua sede no Rio de Janeiro, onde os jogos foram acompanhados por equipes multidisciplinares, envolvendo profissionais de todas as agências que atendem Coca-Cola e Powerade, marcas da companhia patrocinadoras da Copa. 




7. As marcas participam mais da vida da comunidade: este ano a movimentação das empresas em associar suas marcas a atividades, lugares e modismos em alta nas grandes metrópoles ampliou o leque de propriedades a serem exploradas. Marcas globais de bebidas, como Absolut, Heineken e Red Bull têm trabalhado a aproximação com o público jovem e formador de opinião ao colocarem seus nomes e fazerem a curadoria de espaços culturais. Doritos, Seara e Brastemp optaram por lançar suas próprias versões da nova mania gastronômica urbana, os food trucks.­ As bikes, por sua vez, tiveram mais um ano de popularidade em alta, com a expansão das ciclovias e ciclofaixas em vias e parques públicos, bem aproveitadas por marcas como o Itau e a Bradesco Seguros. 



Fontes:

http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/noticias/2014/12/23/Previsoes-para-o-marketing-digital-de-2015.html?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mmbymail-geral&utm_content=Previsoes-para-o-marketing-digital-de-2015#ixzz3Mo6IppzU

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

10 TENDÊNCIAS PARA 2015

O gigante global de comunicação Havas Worldwide publicou as "10 Tendências para 2015", que resumi aqui para vocês. 

Detalhe: há dois anos eles haviam previsto que a palavra-chave seria "Co" (co-working, co-create, co-fund) e estavam certíssimos. Vale, portanto, ver o que os caras estão prevendo agora e como o marketing deve lidar com cada tendência. 




1) A nova palavra-chave é SELF. 

Como eles interpretam isso? Em um mundo cheio de incertezas, a única pessoa com quem podemos contar somos nós mesmos. Viveremos o dilema entre o auto-centrismo (não confundir com egoísmo, mas com "eu mereço", "eu valho a pena", "do meu jeito") e a necessidade de estabelecer conexões com os outros, sermos relevantes para eles. As empresas e o marketing precisarão acolher e ajudar as pessoas a resolver esse conflito, principalmente em relação ao nosso convívio com os outros. 

Se antes o Self era para geeks/nerds, agora ele é mainstream, como auto-monitorar nosso desempenho físico (Nike Fuel Band, iWatch, medidor de pressão e outros gadgets vestíveis), nosso humor, nossa dieta, nosso sono, nossa localização etc., permitindo gerenciar e compartilhar os dados, inclusive com médicos. 

Na educação, ao invés de cursos caros e demorados, entram novas opções de auto-didatismo, compartilhamento de conhecimento (grupos de ajuda, permutas), MOOCs (cursos abertos online como Coursera, EDX, Udacity) e a substituição dos programas de estágio remunerados em empresas por aprendizagem paga pelos interessados (ganha-ganha aluno/empresa). 

O "big brother" incomodativo, de sermos monitorados o tempo todo em todos os lugares, deixa de ser exceção e vira a regra. Vamos ver mais cenas chocantes, estar mais policiados, mais informação vai vazar. A revolta vai explodir mais rápido, e murchar mais rápido também. 

2) Uma nova Classe Média vai surgir

A automação vai aumentar o desemprego. As pessoas vão ganhar menos e o custo de vida vai aumentar. Por isso, vão buscar mais valor em tudo que consomem, mais eficiência, menos desperdício, seguros (de vida, de casa, de saúde...), e querer "luxo acessível"

3) Maior busca por atenção

A mídia social permite a qualquer um publicar qualquer coisa. Vamos conviver com mais imagens chocantes expondo os bastidores da notícia (videos pornô caseiros, selfies sexies, decapitações, manifestações), demonstrações de talento, tudo para chamar a atenção, nem que seja apelativo. Para as marcas, será preciso estudar os ingredientes do que fez sucesso, algumas delas poderão usar abordagens controvertidas ou ultrajantes, mas é preciso saber bem a diferença entre táticas de "olhe para mim" e "me dê valor".

Lembre-se: o sucesso tem vida curta no novo ambiente. 

4) Preocupação com pragas

O mundo viverá o medo de pragas biológicas (países pobres) e pragas digitais (países ricos). Seja por descontrole dos governos, terrorismo, ganância de empresas. A ansiedade das pessoas será maior do que o risco real, por desinformação, e o emocional vai embotar o racional. As empresas poderão lucrar ao oferecer "soluções de alívio", sejam quais forem. 

5) Segurança Alimentar

Cada vez mais o "comer saúdavel" entra em cena, colocando na berlinda glúten, açúcar, reabilitando o ovo, criando estrelas como goji berry, wheatgrass, chá verde e por aí vai. As comidas pouco saudáveis serão fortemente reguladas e taxadas, como aconteceu com o tabaco. As empresas precisam acompanhar os estudos científicos e modismos, saber que documentos internos comprometedores serão vazados e processos judiciais e boicotes serão contundentes. 

6) Amigo ou Inimigo?

Cada vez mais a fronteira ficará obscura. A tecnologia digital ajuda ou vicia? O governo monitora para proteger ou para nos controlar? As redes sociais aproximam ou afastam as pessoas? A marca é responsável ou oportunista? Os "frenemies" serão uma constante, e com isso a confiança nas empresas será abalada e cada vez mais difícil de conseguir. O patrulhamento por parte do consumidor vai aumentar e os mais esclarecidos estarão em estado de alerta permanente
Malala Yousafzai, Prêmio Nobel por lutar
pelo acesso das mulheres à educação

7) O poder feminino

O feminismo volta com tudo, mas repaginado. As mulheres cada vez mais assumirão postos de poder formal e influência cultural, travando lutas pró-igualdade e contra discriminação, violência doméstica, assédio e apelos sexistas, principalmente na comunicação das marcas, formatação de produtos e ambiente de trabalho.




8) De volta à selva

High Line Park, NY - onde antes era um viaduto abandonado
As cidades estão concretadas, climatizadas, cercadas e digitais demais, o homem sente-se domado, aprisionado. As pessoas vão querer se reconectar com a natureza, seja por meio de parques urbanos, pets, trilhas, alimentação e tratamentos estéticos mais naturais, rituais, iconografia (fotos, decoração, arquitetura). 

Cai o estereótipo de que esportes ou viagens X-treme são coisas para poucos, e homens. 

Os baby boomers (hippies) romperam com as normas nos anos 60, mas deixaram uma herança climática maldita; agora os millenials se vêm forçados a contragosto a pagar essa conta, e será que vão dar uma liberada geral também?  


9) Os Pequenos serão grandes

Pequenos empreendimentos serão a nova tônica de sucesso - feitos em casa, ajudados pelo digital ou sistemas de crowdfunding, com liberdade de espaço e horários, sem o risco da demissão, e fortes laços com a comunidade local. Há um ressentimento crescente com o "Big Business" e sua histórica abordagem nociva e gananciosa. A cultura corporativa das grandes empresas não é mais atraente para uma grande parte das pessoas. E as grandes terão que lidar com a concorrência de startups e dissidentes, com preços atraentes, boa qualidade e sem intermediários. Vejam os food trucks, bazares, feirinhas, coletivos, vendas de garagem, sacolões e tudo que anda pipocando em novos formatos. 


10) Minha casa é onde tudo está

Espaço de co-work em Melbourne, Austrália. 
O global está na palma da mão, então não é preciso viajar longas distâncias para trabalhar, socializar, comprar. As casas estão diminuindo de tamanho, os objetos ficando portáteis, muitos bens físicos são substituídos por digitais. O home office dá lugar o "me office" (em qualquer lugar, a qualquer hora, onde houver um wi-fi). 

Para as marcas, vale investir em portabilidade, flexibilidade, miniaturização e/ou "tudo em um", entender que as pessoas comprarão menos ítens, que não terão lugar para estocar. E que precisam se aproximar do consumidor participando de sua vida comunitária, ajudando nas suas causas relevantes, proporcionar o uso compartilhado dos bens. 

Em resumo:

Tempo e lugar se tornam irrelevantes, o mundo estará exposto diante de nossos olhos com tudo que tem de bom e ruim, as pessoas buscarão se reconectar local e fisicamente, as marcas deveriam estar presentes nessa vida mais local e próxima, haverá uma necessidade de quebrar as amarras e voltar à natureza, o que pode ser resumido em:

FIQUE LOCAL.

FIQUE SAUDÁVEL. 

PENSE VIRTUAL. 





Para ver o original, acesse : http://pt.slideshare.net/HavasWorldwide/10-trends-for-2015-presentation-42522352?utm_source=slideshow&utm_content=Marketing&utm_medium=ssemail&utm_campaign=personalized_digest














quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MAIS VÔOS "VERDES" NOS CÉUS DO PLANETA, AGORA COM A KLM

Quando fui medir minha Pegada Ecológica, que está publicada aqui no blog (1,4 Planetas), o maior "vilão" eram as intensas viagens aéreas que meu trabalho demanda. Bem, isso é questão de tempo, pois veja a iniciativa da KLM, que iniciou voos transatlânticos com biocombustíveis, em seus Airbus A330-200, um novo estímulo para uma aviação mais sustentável, com radical redução das emissões de CO2. 

Os voos escolhidos são as rotas para Aruba e Bonaire, nas Antilhas Holandesas no Caribe, destinos turísticos que já têm a meta de serem carbono neutros até 2020. A iniciativa durará seis meses, e tem como parceiros duas grandes empresas - a Friesland Campina e a Ricoh - que assim conseguirão reduzir a pegada de carbono do volume total de viagens dos seus executivos. 

A KLM assinou junto ao WWF na Holanda um compromisso de promover uma aviação mais sustentável em 2007 e reduzir suas emissões em 20% até 2020. A iniciativa servirá para a Comissão Européia demonstrar o potencial do biocombustível para as viagens aéreas e a redução do impacto ambiental da aviação comercial. 

No Brasil, a Embraer assinou em 2012 um termo de compromisso com a Airbus e a Boeing para desenvolverem biocombustíveis para aviação com custos econômicos acessíveis, e com desempenho similares aos de origem fóssil. A meta é alcançar um crescimento neutro em emissões de carbono após 2020 e cortar pela metade as emissões do setor até 2050, em relação aos níveis de 2005.

Durante a Rio+20 em 2013, a Azul fez vôos promocionais com suas aeronaves Embraer usando biocombustível.