Ártico

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

M-COMMERCE - O futuro das compras online

O céu é o limite para as possibilidades do Marketing Móvel (mobile), já que os aparelhos de celular passam 24h com seus donos (alguns nem desligam enquanto dormem!). E com tecnologia que usa QR-codes (mobile tagging, já disseminada em anúncios, rótulos e cartões de visita), agora é a vez do Mobile Commerce.

A rede Tesco chegou à Coréia e descobriu que os coreanos trabalham muito e odeiam a experiência de fazer compras de supermercado. Assim, desenvolveu uma ação no metrô e aproveitou o tempo ocioso dos passantes e o alto índice de portadores de smartphones para vender seus produtos online. Criou uma "loja virtual" com enormes painéis fotográficos das gôndolas contendo QR-codes. O cliente mirava os códigos com seu celular e ia enchendo o carrinho de compras virtual; os produtos eram enviados por delivery para a casa deles. Resultado: aumento de 130% nas vendas e #1 no mercado online o e quase empate com a concorrência no mundo físico. Veja a ação em http://www.youtube.com/watch?v=nJVoYsBym88

(contribuição de minha aluna Marcella Klebis Dias, Ger. Comercial da Diretoria de Novos Mercados da CIELO, sempre antenada com a evolução do varejo)

Se quiser mais informações interessantes sobre a evolução do marketing pelo celular em comparação às diferentes mídias, veja o video "The Future of M-Commerce" em  http://www.youtube.com/watch?v=quO-sxqFYcE&feature=related
 

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

[PLANETA] Produtos Eco-Inamistosos nem chegam à gôndola


Quem me conhece sabe que não acredito no consumidor como mola-mestra para a adoção da responsabilidade socioambiental pelas empresas. Para mim o papel de corrigir os impactos dos produtos tem que ser do fabricante, e o de “editar” as gôndolas para nós, dos varejistas. Por um motivo simples: nós consumidores NÃO TEMOS condição de resgatar toda a cadeia produtiva de cada item que colocamos no carrinho de compras. É um levantamento demorado, complexo e o máximo que podemos checar é se existe um selo/certificação/tabela qualquer validando a correção ecológica do produto. Isso se a gente enxergá-los, o que é mais provável não acontecer (por razões cognitivas amplamente estudadas pela sociologia e comunicação).

Já elogiei num artigo anterior (16/06/09) o avanço que representou a adesão dos maiores varejistas do país (Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour, depois seguidos pela ABRAS), aos Pactos da Carne e da Soja. O golpe de misericórdia foi o estudo do Greenpeace “A Farra do Boi”, levantando toda a cadeia produtiva da carne e a relação direta dela com o desmatamento da Amazônia, instrumentalizando as empresas com fatos, para fazerem exigências aos fornecedores de carne, ração e produtos afins. Resultado: no dia 05 de outubro, com a presença do Governador do Mato Grosso e o maior plantador de soja do mundo, Blairo Maggi, foi assinado em São Paulo o Protocolo de Moratória da Carne. Nele, grandes frigoríficos como JBS Friboi, Marfrig e Bertin se comprometem a não comprar mais carne oriunda de desmatamento ou área de preservação. Mato Grosso abriga o maior rebanho bovino do país (mais de 28 milhões de cabeças, chegando a 30 milhões em 2010). Então é isso: se o varejista fecha suas portas aos eco-inamistosos de toda espécie, os fornecedores/fabricantes vão ser obrigados a se mexer.

A sustentabilidade passa necessariamente pela inovação – o novo desafio é fazer diferente, menos nocivo e de melhor qualidade, como já percebeu a indústria de eletrônicos, que avança a passos largos. E o Governo vai começar a obrigar a consideração dos custos sócio-ambientais nos balanços financeiros e no preço dos produtos (Lei do Berço ao Túmulo, taxação das emissões de CO2 e por aí vai...)

E que papel cabe a nós, os clientes?

1) mudar nossa postura de desperdício (reciclar, reutilizar, reformar)
2) adotar a cultura do “chic simple” (valorizar menos embalagens, menos frufrus, refil)
3) usar os objetos até o limite de sua vida útil efetiva (incorporar o vintage, o imperfeito, o objeto carregado de simbolismo e história)
4) empoderar as ONGs para fazerem estudos como os do Greenpeace e denunciarem as empresas alienadas
5) desconfiar de preços excessivamente baixos (quando a esmola é muita...)
6) preferir “experiências” (fruição; processo dinâmico) em detrimento de “objetos” (posse; circunstância estática)
Do jeito que vamos, onde até já estamos até "consumindo gente" (mas isto é assunto para outro post futuro), não iremos chegar muito longe.

terça-feira, 16 de junho de 2009

[PLANETA] Varejo unido turbina a causa da Sustentabilidade



Tenho insistido que é irreal esperar dos consumidores a pressão central para os fabricantes se mexerem, porque não somos capazes de resgatar toda a cadeia produtiva (e portanto a responsabilidade) de cada produto que consumimos. Mas agora um torniquete real apertou na garganta das empresas: as três maiores redes varejistas do país – Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart se uniram e não vão aceitar fornecedores anti-ecológicos. A começar pelos frigoríficos cuja carne contribui para o desmatamento da Amazônia, para fazer pasto. Essa iniciativa foi viabilizada pelo relatório “Farra do Boi” produzido pelo Greenpeace, que expôs toda a cadeia produtiva da carne. O Wal-Mart já faz auditoria socioambiental de todos os fornecedores de quem compra acima de um determinado volume. O Pão de Açúcar tem gôndolas de Comércio Solidário, produtos de comunidades locais e ONGs, além de ter criado sua marca própria TAEQ de bem-estar (cama, banho, alimentos e higiene). Todos vêm aumentando seu portfolio de produtos orgânicos e naturais.

Outras providências interessantes estão sendo adotadas: a substituição das sacolas plásticas por eco-bags. Entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacos plásticos são consumidos/ano no mundo e menos de 1% é reciclado, porque é mais caro reciclar que produzir um novo. Logo, 4 milhões de quilos acaba no oceano, em regiões tão distantes como o Círculo Ártico e as Ilhas Malvinas, matando animais marinhos sufocados ou intoxicados. A eco-bag do Carrefour já está em 112 lojas ao preço de R$ 2,99 e economizou 10% de sacolas plásticas; a do Pão de Açúcar é parceria com a S.O.S. Mata Atlântica, para a qual reverte fundos.

O Wal-Mart Supercenter Granja Vianna é uma eco-loja modelo onde se gasta -17% de energia com ar condicionado (usando vidros reflexivos, uma “Parede Verde” vegetal, calibragem do equipamento na área de perecíveis) e com iluminação (lâmpadas eficientes e clarabóias). Usam -12% de água através de recaptação de águas pluviais e tratamento de esgoto, além de terem no entorno uma área de preservação, estacionamento com piso de concregrama e selo da LEED de construção sustentável.



A eco-loja Pão de Açúcar Indaiatuba tem estacionamento engajado, com placas que sinalizam preferência por carros flex, clientes que fazem reciclagem e usuários de bicicleta. Todas as gôndolas são de madeira de reflorestamento certificada pelo FSC, as bandejas de isopor foram susbtituídas por de fécula de mandioca, na entrada externa há um “Painel de Sustentabilidade” com todas as estatísticas dos ganhos ecológicos da loja e uma “Estação de Reciclagem” em parceria com a Unilever para coleta seletiva, inclusive de biodiesel. Junto aos Caixas, há uma “Caixa Verde” onde o cliente já pode descartar suas embalagens recicláveis antes mesmo de pagar a conta. E a loja neutraliza todas as suas emissões de CO2. Várias dessas ações já estão em outras lojas da rede.









Semana passada a convite da ABAP fiz palestra sobre “Varejo Sustentável” e quero enfatizar a grande importância que esse setor tem para a causa da Sustentabilidade, inclusive educativa, contribuindo para uma mudança cultural em todos os níveis: fornecedores, funcionários e consumidores.