Ártico

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A prática da IKEA, ícone sustentável

Inspirada pela minha ida ao evento da Plataforma Liderança Sustentável, que somou mais 10 líderes empresariais aos 20 já existentes, resolvi fazer um resumo das recomendações de Steve Howard, Dir. Sustentabilidade da IKEA (um dos casos mais emblemáticos do mundo), no TED Talks. 


 
1o - Todas as metas devem ser compromisso de 100% . Se for 80% ou similar, as pessoas arrumam desculpas para ficar nos restantes 20%. Assim, a mensagem para os gestores fica inequívoca e desafiadora. Eles vão vender 100% de lâmpadas LED até 2020 (eliminar halógenas e fluorescentes totalmente), usar 100% de "better cotton" (metade de fertilizantes e de água na produção), entre outros.

2o - Rastreie toda a cadeia de suprimentos, pois é preciso melhorar as condições de produção desde a matéria-prima. Muitas vezes fomentando iniciativas junto com ONGs, como a Better Cotton. Assim o mercado todo ganha escala. Trabalham com 80 auditores junto aos fornecedores no mundo todo. 

3o - Crie um Código de Conduta para funcionários e fornecedores, alinhando toda a operação em questões como mão de obra, resíduos, leis, ética etc. 

4o - Invista em projetos que revertam para a sustentabilidade da empresa, como painéis solares, reflorestamento, resíduos. Até 2050 serão auto-suficientes em energia, com geração de excedente; têm área plantada maior que o território da Alemanha. O CFO está feliz da vida com as economias geradas ! 

5o - Escolha os temas socioambientais que são relevantes para o negócio, estabeleça métricas e aja de imediato para torná-los realidade. Não espere 100 anos ou deposite a responsabilidade em terceiros. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

RESUMO DO SUSTENTÁVEL 2013 DO CEBDS


Estive na conferência do CEBDS - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, e faço aqui um resumo das principais novidades trazidas por um elenco de notáveis do mundo empresarial, governo e 3o setor. 





76% dos CEOs acham essencial a sustentabilidade para os negócios, mas 67% chegaram ao limite do que podem fazer sozinhos. Falta um arcabouço de regulação para incentivar as empresas, baseado no tripé: 

- EDUCAÇÃO: incentivos públicos à ciência e tecnologia
- RISCOS: hoje a empresa enfrenta sozinha os riscos de investir em inovação
- SETORIAL: as entidades de classe trabalharem para influenciar políticas públicas

Teremos que mudar nossas práticas relativas à: DEMANDA (hábitos de consumo), PRODUÇÃO e INDICADORES DE SUCESSO das empresas. 

Isso vai requerer uma articulação entre o setor empresarial e o governo, buscando incentivos e políticas públicas mais coerentes com a sustentabilidade. Um exemplo emblemático (pesquisa na CNI, de 2003 a 2010): 

13% de crescimento populacional no Brasil
X
63% de crescimento na quantidade de automóveis despejados nas vias

As cidades já estão entrando em colapso, a política de incentivo à indústria está totalmente equivocada, idem a de investimentos em transporte público, sem contar as emissões de CO2 - o mundo já atingiu 550 Bi de toneladas de CO2 em 2013, com estimativa de 1 Trilhão até 2050. 

Tem que haver mudança na matriz energética, nos processos industriais e nas políticas de uso do solo, buscando cidades 100% elétricas e/ou movidas com energias limpas. Os ODS - Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estabelecidos na Rio+20 para o período 2016-2030 são considerados apenas "mais do mesmo" e é preciso agir imediatamente, em escala. 


Por isso o CEBDS criou a "Ação 2020" que pretende propor mudanças rápidas e radicais. O mote desse movimento será: 

ESCALA 
MENSURAÇÃO
ir ALÉM DO "BUSINESS AS USUAL" 
que se mostra cada vez mais inviável. 


(a esse respeito leia a iniciativa do B-TEAM publicada aqui no blog). 








Jeffrey Sachs criou o SDSN - Sustainable Development Solutions Network, que terá sede no Rio de Janeiro, em parceria com universidades e fundações, pilotado por Israel Klabin. A idéia é formar boas parcerias com o poder público, por causa das graves crises climáticas iminentes (enchentes, nevascas, furacões) que afetarão patrimônio, mobilidade, seguridade e abastecimento. É consenso que o principal agente público no futuro serão os Prefeitos das grandes cidades. 



Iniciativas locais também serão importantes, e um exemplo é o sucesso da campanha "Rio eu Amo eu Cuido" de Joaquim Monteiro de Carvalho, que enxergou como problema os cariocas agirem como "cidadãos de 3o mundo numa cidade com eventos de 1o mundo" e se propôs a mudar comportamentos (limpeza, civilidade, conservação do patrimônio etc). Ponto para o movimento Cidades Sustentáveis de Oded Grajew e o Pacto Local do Barra Sustentável, da zona oesta carioca. 








quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Michael Porter cria novo indicador para medir Progresso Social


Durante a Conferência Ethos 2013, o renomado professor de estratégia de Harvard, Michael Porter, divulgou o seu recém lançado IPS - Índice de Progresso Social. Ele, que durante toda a sua carreira trabalhou com indicadores econômicos, reconheceu que não é só de economia que vive a humanidade e "o progresso social também induz o desenvolvimento". O Brasil aparece em 18º lugar no ranking geral de 50 nações avaliadas pelo Instituto Social Progress Imperative.

Um grande problema dos gestores de sustentabilidade é ter que lidar com tantos indicadores desalinhados. "É preciso que os indicadores possam dialogar entre si", disse Paulo Itacarambi, presidente do Ethos, que lançou sua 2a. geração de indicadores, alinhados com os ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, instituídos pela Rio+20, e fará o mesmo com o IPS e a equipe de Porter. “Dessa forma as empresas não têm de coletar os mesmos dados com caminhos e metodologias diferentes”, explicou.

Entretanto, o IPS traz problemas de aplicabilidade num país de grandes diferenças regionais. Segundo Vera Masagão, presidente da Abong, “Dados como o bem estar e garantias de direitos, além dos trabalhos realizados por centenas de ONGs por todo o país, não estão ainda refletidos”.

Para José Penido, do Conselho de Administração da Fibria, muitas informações por trás de indicadores merecem um olhar mais humano. Por exemplo, no trânsito, acidentes são relatados como vetores de congestionamentos e não como fatos que levam à morte de pessoas. “Morrem dois motoqueiros por dia em São Paulo e isso não sensibiliza as pessoas”. 

Porter ainda enfatizou que as empresas são o grande vetor de transformação social, pois detêm capital, conhecimento, tecnologia e visão estratégica. A mensagem que fica é que não basta às empresas atuar para reduzir seus riscos. É preciso que participem com inovações sociais e criação de soluções.

Fonte: http://www3.ethos.org.br/ce2013/progresso-economico-depende-do-desenvolvimento-social/

O papel dos Conselhos de Administração para disseminar a Sustentabilidade nas empresas

REPRODUZINDO IMPORTANTE PALESTRA DA CONFERÊNCIA ETHOS 2013



Com o papel de levar para dentro das empresas as agendas da sociedade, os Boards têm o desafio de deixar um legado, engajando executivos com a sustentabilidade
A necessidade de tornar transversal o tema da sustentabilidade nas empresas já é um consenso entre as corporações. Compreender qual o papel dos conselhos de administração nessa tarefa foi o objetivo do painel “Encontro Santander de presidentes de conselho de administração: A decisão estratégica e o modelo de negócio sustentável. Da visão para a ação”, promovido na manhã do segundo dia da Conferência Ethos 2013. As soluções propostas incluem condicionar a remuneração variável às metas de sustentabilidade, exigir dos conselheiros conhecimentos no tema e a troca de experiências entre as instituições. Contudo, todos os pontos convergem para uma única afirmação, a qual nenhum dos lideres presentes titubeou em referendar: é fundamental engajar as pessoas.
Celso Giacometti, vice-presidente do Conselho de Administração do Santander, lembrou a todos os presentes que abordar ou não a sustentabilidade já não é uma questão em nenhum conselho, mas sim como fazê-lo. “Temos que entrar no jogo, apoiar e estar capacitados”, enfatizou.
Presidente do Conselho de Administração do Grupo Promon há 37 anos, Luiz Ernesto Gemignani relatou que na empresa o mecanismo utilizado para conseguir esse engajamento é o condicionamento da remuneração variável dos colaboradores às metas de sustentabilidade. “Além disso, quando entram na empresa, todos são convidados a adquirir ações. Hoje, cerca de 80% dos nossos funcionários são acionistas. Se eles se desligam da empresa, são obrigados a vender as ações”, explicou.
A necessidade de os conselheiros cuidarem para que as pessoas tenham espaço para propor suas ideias foi destacada por José Édison de Barros Franco, presidente do Conselho de Administração da InterCement que já participou de 22 conselhos diferentes. “Falar de inovação é falar de gente. Isso não é diferente na área de sustentabilidade. Acredito que o tema ‘pessoas’ deve ser visto principalmente do ponto de vista de gestão participativa, para que as pessoas possam levar suas ideias e opiniões”. Com base em sua experiência ele ainda enfatizou: “a diversidade é muito importante para transportar as experiências das diferentes empresas umas para as outras. A troca tem um impacto muito grande”, complementou.
Lembrando da dinamicidade dos conselhos, que trocam seus membros periodicamente, Giacometti falou do trabalho que deve ser dispensado para perpetuar os temas da sustentabilidade. “Tem que ficar impregnado. O conselheiro tem que tentar deixar um legado. Entendo que a verdadeira missão está em engajar pessoas como os gestores”. Ele comenta ainda que ao longo de sua trajetória no banco ele já pode observar mudanças de comportamento. “Houve um tempo em que ter apenas um integrante do conselho versado nos temas de finanças era suficiente. Hoje, todos têm que ter conhecimento neste assunto. Estou vendo o mesmo acontecer com a sustentabilidade”, afirmou.
Para Sérgio Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, é papel dos conselhos trazer para dentro das empresas as agendas do país. Ele relacionou a necessidade de integração com o modelo antigo de se fazer economia. “A ideia de que as empresas podem não se envolver com a agenda do país é um pouco semelhante à ideia dos economistas de algum tempo atrás, que dizia que os sistemas produtivos não precisavam se importar com o que estava antes e depois de seus processos. Hoje, não é mais possível isolar um sistema. Vivemos em um mundo interligado. Se algo não vai bem, nada vai bem”, destacou.
Esta interligação foi também lembrada na análise de Luiz Ernesto, que enfatizou: “Nem as espécies evoluíram somente com a competição, elas cooperam entre si. As pessoas precisam estar genuinamente convencidas de o todo é mais importante do que a parte e que cooperar é mais importante do que competir”.
Por Alice Marcondes, especial para o Instituto Ethos
http://www3.ethos.org.br/ce2013/conselhos-empresariais-e-a-missao-de-engajar-pessoas/

Como a BIG DATA deve ser usada pelo Marketing

A área de Marketing sempre foi ultra-tecnológica. E com a BIG DATA estamos falando de processar um volume de dados e com uma velocidade que os atuais sistemas de Database Marketing não suportam. É necessária uma nova arquitetura e - por que não - talvez um novo cargo na estrutura organizacional: o Analista de Big Data. 



Segundo a The Economist, essas são as competências que os profissionais de marketing precisarão dominar. A Big Data está no topo.
















A curva de demanda dos consumidores só irá aumentar: quanto mais informações gerarem, mais informação vão querer, e de imediato, nos seus dispositivos móveis, acessíveis a qualquer hora e qualquer lugar, personalizadas e relevantes para seu perfil específico. 

Algumas Leis da Big Data:

#1 - Rapidez na análise dos dados é essencial, reagindo em tempo real e ganhando assim melhor capacidade preditiva

#2 - Excesso de backups e armazenamentos só vai dificultar o manejo e trazer redundância de dados

#3 - Quanto mais diversas as fontes, mais ricos os dados 

#4 - Os dados vão proporcionar valor para além do esperado, não descarte nada

#5 - Prepare-se para crescimento exponencial dos dados; quanto mais usar sensores de redes via GPS, smartphones e tablets, mais vai aumentar o volume

#6 - Bote os dados a serviço de resolver problemas reais do seu negócio

#7 - Quanto mais gente puder analisar os dados dentro da organização, melhor. Olha a gestão do conhecimento! 


Na prática, como lidar com isso na atividade de Marketing? Vão algumas dicas:

- Escolha um problema específico que deseja resolver pela análise dos dados; senão, vai perder o foco e se perder. 

- Olhe os dados sob uma nova perspectiva, não a forma habitual e viciada.

- Entenda o caminho que o consumidor percorre nas redes e estabeleça sua presença nele, garantindo que será achado: investir em site, otimização de busca orgânica, fan page e monitoramento de redes sociais. Sincronize os seus vários canais, pois o consumidor não pensa neles, mas sim na Marca. 



Algumas ferramentas para analisar o caminho e comportamento do internauta

- Invista em "marketing de algoritmo" automatizado, para processar volumes de dados massivos, em processos de auto-aprendizado. Estatísticas preditivas, language mining (rastrear palavras-chave e fazer atualizações a cada 15 segundos baseado na mudança de termos de busca orgânica), custos de anúncios (social ads, links patrocinados) ou comportamento do internauta (de onde veio, o que viu, para onde foi). Permite mudar instantaneamente preços de milhares de produtos, baseado nas preferências do cliente, comparativos de preço, inventário de estoques e análise preditiva. 

- Entregue para o funcionário na ponta do processo uma informação simples, e não uma montanha de dados. Desenvolva a análise e comunique apenas o resultado final e recomendações de ações naquele cenário, para o atendente ou força de vendas. 

- Personalize a mensagem: você descobre o perfil do cliente por pesquisas anteriores de produtos, a frequência e a natureza de compras já feitas, anúncios ou ofertas nos quais ele clicou, preferências demonstradas de serviços (por exemplo, numa cia aérea, o tipo de assento que costuma escolher ou o meio de check-in que utiliza). Mensagens personalizadas dão ROI 5 a 8 vezes maior e são 10% mais eficazes para fechar transações.  

- Não faça upselling ou cross-selling com ad-ons cedo demais, senão irritará o cliente. Oferecer extras que encarecem a compra original tem que encontrar o consumidor com esse perfil e entrar em cena na hora apropriada, senão retorna ao odiável marketing de interrupção e empurroterapia. 

- Não estabeleça conjunto de regrinhas. Isso nunca vai funcionar com milhões de consumidores, se deseja personalizar a experiência. Tem que usar análises automatizadas e de aprendizado permanente. Big Data, só com hi-tech e estatística altamente sofisticada. 

Não se trata de mais um modismo. É a natural evolução do CRM, e se bem feito, vale o investimento. Mas lembre-se: estamos falando de uma era de envolvimento sem precendentes, dentro da web 2.0. Veja no gráfico abaixo a migração de uma cultura de anúncio/monólogo/massa e depois segmentação/targetting para um novo conceito proporcionado pela alta tecnologia de personalização/diálogo/colaboração. 



Fontes: 
http://www.forbes.com/sites/davefeinleib/2012/07/24/big-data-trends/
http://www.forbes.com/sites/mckinsey/2013/07/22/big-data-analytics-and-the-future-of-marketing-sales/
http://www.forbes.com/sites/gyro/2013/06/03/using-big-data-to-target-the-right-consumers-with-the-right-offers/2/






quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O que o turbilhão da BIG DATA vai fazer com seu trabalho

O assunto do momento é BIG DATA, também referida como "a internet das coisas". Trocando em miúdos, o dia em que não tomaremos mais decisões com base intuitiva ou debruçados em pesquisas, deixando por conta de um processamento poderoso e cruzado de dados a escolha do melhor curso de ação. Isso vai valer para as estratégias de marketing, a gestão das cadeias de fornecimento e até a medicina.
O mundo físico transforma-se num sistema de informações, com sensores e atuadores embutidos em objetos (que podem até ser matérias-primas), interconectados por uma gigantesca rede, via protocolos IP. 
Na produção, por exemplo, processos que se auto-gerenciam, onde produtos "inteligentes" podem tomar medidas corretivas e evitar falhas, e os insumos serão automaticamente reabastecidos nos estoques. Essa tecnologia já existe, na Alemanha, e prenuncia a 4a Revolução Industrial. Na produção enxuta (Lean), a fábrica mantém estoques mínimos e os insumos estão constantemente viajando pelo planeta, chegando em 24h. Na Indústria 4.0, o sistema terá que se ampliar além dos limites de fábricas individuais e interconectar múltiplas fábricas ou mesmo regiões do globo. Um desafio de integração de cadeia de valor e logística sem precedentes. 
Outro desafio é criar uma arquitetura de rede e algorítmos que consigam interligar os dados de milhões de ítens e assegurar que tudo funcione com estabilidade e sincronia, ao longo de toda a cadeia de fornecimento. Veja um exemplo: um pedaço de metal sabe que fará a peça X que vai ser colocada no produto Y para o consumidor Z. Esse insumo sabe desde o começo para quem é endereçado e toda a informação de onde e quando será processado. Uma vez que entra na máquina, ele próprio identifica desvios, determina quando está pronto e sabe como vai chegar ao consumidor. Uau ! 
Agora pense em modelos de negócio: para o consumidor, quem é o "pai" do produto final? O designer, o fabricante ou a organização que gerencia o sistema de informações do produto? No passado, empresas como Nike já haviam separado o design da fabricação. 



Quem faz o que no cenário da Big Data - Fonte: Forbes

Na arena do Marketing, será mesmo necessário entender por que o cliente faz o que faz? O mundo digital oferece fartura de dados e facilidade de rastrear informação. Os clientes diariamente relatam preferências, vivências, realizam buscas e produzem conteúdos. Hoje esses dados estão desorganizados, mas os sistemas de Big Data poderão estruturar e analisar as informações, permitindo processos auto-reguladores - que decidem de forma orgânica o envio de mensagens promocionais, alocação dos investimentos e formatos, informações mais detalhadas que são do interesse do consumidor e até micro-mercados onde vale mais a pena concentrar esforços. Um estudo da McKinsey mostrou um aumento de 15 a 20% no ROI das estratégias de marketing de empresas que usam Big Data, equivalente a US$ 150 a 200 bilhões de valor adicionado sobre orçamentos globais de US$ 1 trilhão. 

O "marketing de algoritmo" será a nova fronteira das empresas, mas tem suas armadilhas. Não sabendo usar massas de informação - provenientes do histórico de transações, das mídias sociais, da própria empresa, de fontes públicas e universidades -, o gestor mais se perde do que se resolve. 
Mas isso é papo para outra postagem. 







quarta-feira, 14 de agosto de 2013

MEDIDAS PRÁTICAS PARA ACABAR COM A PRAGA DA CORRUPÇÃO

TRANSCREVO AQUI COMUNICADO DO INSTITUTO ETHOS, SOBRE O SEU PROGRAMA DE COMBATE À CORRUPÇÃO QUE JÁ DEU VÁRIOS FRUTOS CONCRETOS. 


Nota pública do Instituto Ethos

Diante do noticiário sobre suposto cartel em licitações de trens e metrôs, vimos esclarecer a natureza da parceria que desenvolvemos com a Siemens.

Nas últimas semanas, a imprensa tem veiculado uma série de notícias acerca da investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a respeito do suposto cartel em licitações de trens e metrôs em diferentes Estados do Brasil, que envolve empresas como Alstom, a Bombardier, a CAF, a Mitsui e a Siemens, entre outras.

O Instituto Ethos vem a público esclarecer a natureza da parceria que desenvolvemos desde 2010 com a Siemens, por meio do Siemens Integrity Initiative para financiamento do projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios. Essa parceria tem como objetivo buscar acordos de integridade com empresas e compromissos de transparência com governantes, além de oferecer ferramentas para ações coletivas de monitoramento e controle social sobre os investimentos públicos, especialmente os destinados à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada e Paraolimpíada de 2016. As contas do projeto Jogos Limpos são auditadas anualmente por uma consultoria independente (BDO) e estão à disposição do público em:

O que é o Siemens Integrity Initiative
Após ser comprovado o envolvimento de seus executivos em casos de subornos internacionais até 2007, a Siemens global celebrou, em julho de 2009, um acordo com o Banco Mundial para, entre outras ações, criar um fundo de financiamento de  projetos de combate à corrupção nos diversos países do mundo, num total de US$ 100 milhões a serem gastos em 15 anos. Esse fundo chama-se Siemens Integrity Initiative. No primeiro semestre de 2010, foi realizada a primeira chamada pública para apresentação de projetos pelas organizações não governamentais. Aproximadamente 300 ONGs de 66 países se apresentaram, inclusive o Instituto Ethos.

O Projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, apresentado pelo Instituto Ethos, foi um dos 30 escolhidos para receber recursos daquele fundo, por cinco anos, ou seja, até 2015. Esse projeto foi lançado oficialmente em 9 de dezembro de 2010, no Dia Mundial de Combate a Corrupção. Durante os três meses seguintes, a equipe do projeto foi contratada e o primeiro órgão de acompanhamento do projeto foi criado – o Comitê Nacional de Coordenação e Mobilização, instalado no dia 23 de março de 2011. Esse comitê é constituído por organizações da sociedade civil, órgãos de controle, entidades de classe, órgãos multilaterais e universidades.

As atuais revelações divulgadas pela imprensa a respeito da ação do Cade não questionam e nem invalidam o programa Siemens Integrity Initiative, uma vez que os fatos ora divulgados ocorreram antes de 2007 e estão entre as razões que motivaram a criação dessa iniciativa global da empresa.

Ações do Instituto Ethos em favor da integridade e de combate à corrupção

1. Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção
Em 2006, como forma de reagir às denúncias de empresas que participavam do que se convencionou chamar de “mensalão”, o Ethos e várias organizações multilaterais e da sociedade civil criaram o Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, um compromisso voluntário que as empresas assumem para aprofundar a ética e a transparência nas relações entre si, com o mercado e com o setor público.  As organizações que ajudaram a articular esse Pacto junto com o Instituto Ethos foram: o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC); o Pacto Global da ONU, a Patri Políticas Públicas, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Fórum Econômico Mundial. A Alston e a Siemens estão entre 349 signatárias dessa iniciativa. Para se manterem no pacto, as empresas e entidades de classe signatárias precisam responder anualmente um questionário de 70 perguntas que pede evidências de que elas estão pondo em prática os compromissos assumidos. Conheça a lista de empresas signatárias neste link.

2. Grupo de Trabalho Empresas pela Integridade
Foi criado em 2007 pelas mesmas entidades que instituíram o Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, com o objetivo de promover a troca de experiências entre as empresas signatárias, em suas ações de implantação de sistemas de compliance e gestão de risco voltadas à promoção da integridade e combate à corrupção, e para propor o aperfeiçoamento das políticas públicas de promoção da integridade e da transparência. São 43 empresas participantes do GT, a Alstom e a Siemens entre elas.

3. Cadastro Empresa Pró-Ética
Lançado em 9 de dezembro de 2010, para marcar o Dia Mundial de Combate à Corrupção, o Cadastro Nacional de Empresas Comprometidas com a Ética e a Integridade – Cadastro Empresa Pró-Ética – é uma iniciativa da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Instituto Ethos para avaliar e divulgar as empresas voluntariamente engajadas na construção de um ambiente de integridade e confiança nas relações comerciais, inclusive naquelas que envolvem o setor público. Para fazer parte desse cadastro, a empresa precisa preencher um questionário que exige documentos comprobatórios para cada resposta dada. Caso apresente todos esses documentos e seu nome não conste do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), ela poderá fazer parte do Cadastro Pró-Ética.

Ao aderir ao Cadastro Empresa Pró-Ética, a organização assume o compromisso público e voluntário, perante o governo e a sociedade, de que adota medidas para prevenir e combater a corrupção dentro de sua instituição, em favor da ética nos negócios. O cadastro possui um comitê gestor formado pela Controladoria-Geral da União (CGU), Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Confederação Nacional de Indústrias (CNI), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), BM&F Bovespa, Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Instituto de Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Até o momento, quinze empresas foram aceitas no cadastro: 3M do Brasil, AES Eletropaulo, AES Sul, AES Tietê, Banco do Brasil, Banco Santander do Brasil, Caixa Econômica Federal, Celesc, CPFL Energia, Dudalina, Duratex, Siemens, EDP Energias do Brasil, Infraero e Johnson Controls Building Efficiency.

4. Mobilização

Ao longo dos últimos dois anos, o Ethos divulgou posicionamentos, mobilizou empresas e sociedade civil e participou de audiências públicas na defesa da transparência pública e da responsabilização civil da pessoa jurídica. Com isso, contribuiu para a aprovação de duas leis importantes para o avanço da transparência e do combate à corrupção: a Lei de Acesso à Informação Pública (nº 12.527/11) e a Lei Anticorrupção Empresarial (nº 12.846/13), sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no dia 1º de agosto de 2013.
O Instituto Ethos apresentou em 2008, durante reunião do Conselho Nacional de Transparência Pública e Combate à Corrupção da Presidência da República, proposta oriunda da Conferência Ethos para a criação de uma legislação com os mesmos objetivos da Lei nº 12.846. Essa lei pode ajudar a impedir que questões como as que estão sendo denunciadas pela imprensa se repitam, ao punir diretamente as empresas pegas em atos de corrupção, e não os funcionários envolvidos.

No caso da Lei de Acesso à Informação Pública, também acompanhamos a regulamentação nos Estados e municípios que receberão jogos da Copa.

5. Consocial
O Instituto Ethos participou ativamente da convocação e da organização da 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social (Consocial), integrando a Comissão Organizadora Nacional (CON), presidida pela Controladoria-Geral da União (CGU).

6. Jogos Limpos (principais resultados)
Em seus três anos de atividade, o projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios conseguiu alguns resultados importantes, vários deles noticiados nas mídias locais, nacional e internacional:

6.1. A constituição e manutenção dos Comitês Locais nas doze cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Esses comitês reúnem quase uma centena de entidades da sociedade civil, empresas, entidades de classe e órgãos de controle externo e interno. Organizam atividades públicas, debates e oficinas sobre transparência e participação social, além de dialogar com os poderes públicos locais (Estado e município).
Os dados levantados nas oficinas e diálogos ajudaram a construir os Indicadores de Transparência Municipais e Estaduais. Essas atividades, por outro lado, garantiram a diminuição de famílias despejadas pelas obras da Copa e a participação social na regulamentação local da Lei de Acesso à Informação e no monitoramento dos orçamentos nas cidades-sede.

6.2. Participação do Ethos, desde a criação, em 2011, da Câmara Temática de Transparência da Copa do Mundo de 2014, que tem como objetivo desenvolver soluções para garantir a transparência e a publicidade das ações preparatórias para o Mundial da Fifa. Essa câmara é composta por representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios que participam do evento como cidades-sede, além de entidades da sociedade civil.

6. 3. Obtenção do compromisso público com a transparência municipal de todos os prefeitos eleitos em 2012 nas cidades-sede da Copa 2014. Neste momento, estamos em diálogo com todas essas prefeituras, para ampliar e aperfeiçoar os seus mecanismos de transparência.

6. 4. Lançamento, em novembro de 2012, durante a Conferência Internacional de Combate à Corrupção (IACC), realizada em Brasília, dos Indicadores de Transparência Municipal,com os resultados apurados nas onze cidades-sede mais o Distrito Federal.

Esses indicadores medem a transparência das informações, verificam a existência e funcionamento dos canais de informação e dos mecanismos de participação e servem de estímulo e referência ao aperfeiçoamento desses mecanismos.

6.5. Aplicação nos Estados das cidades-sede da mesma metodologia, já que várias obras e investimentos são de responsabilidade dos governos estaduais, como consta na Matriz de Responsabilidades. Os resultados foram publicados em junho deste ano.

6.6. Processo de estabelecimento de acordos setoriais de integridade em quatro grandes segmentos da economia: energia, saúde, transportes e construção civil. Trata-se de uma iniciativa pioneira no Brasil, inspirada por metodologia da Transparência Internacional, a qual acreditamos ser de extrema relevância para o avanço da agenda de prevenção e combate à corrupção em nosso país.