Ártico

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O papel dos Conselhos de Administração para disseminar a Sustentabilidade nas empresas

REPRODUZINDO IMPORTANTE PALESTRA DA CONFERÊNCIA ETHOS 2013



Com o papel de levar para dentro das empresas as agendas da sociedade, os Boards têm o desafio de deixar um legado, engajando executivos com a sustentabilidade
A necessidade de tornar transversal o tema da sustentabilidade nas empresas já é um consenso entre as corporações. Compreender qual o papel dos conselhos de administração nessa tarefa foi o objetivo do painel “Encontro Santander de presidentes de conselho de administração: A decisão estratégica e o modelo de negócio sustentável. Da visão para a ação”, promovido na manhã do segundo dia da Conferência Ethos 2013. As soluções propostas incluem condicionar a remuneração variável às metas de sustentabilidade, exigir dos conselheiros conhecimentos no tema e a troca de experiências entre as instituições. Contudo, todos os pontos convergem para uma única afirmação, a qual nenhum dos lideres presentes titubeou em referendar: é fundamental engajar as pessoas.
Celso Giacometti, vice-presidente do Conselho de Administração do Santander, lembrou a todos os presentes que abordar ou não a sustentabilidade já não é uma questão em nenhum conselho, mas sim como fazê-lo. “Temos que entrar no jogo, apoiar e estar capacitados”, enfatizou.
Presidente do Conselho de Administração do Grupo Promon há 37 anos, Luiz Ernesto Gemignani relatou que na empresa o mecanismo utilizado para conseguir esse engajamento é o condicionamento da remuneração variável dos colaboradores às metas de sustentabilidade. “Além disso, quando entram na empresa, todos são convidados a adquirir ações. Hoje, cerca de 80% dos nossos funcionários são acionistas. Se eles se desligam da empresa, são obrigados a vender as ações”, explicou.
A necessidade de os conselheiros cuidarem para que as pessoas tenham espaço para propor suas ideias foi destacada por José Édison de Barros Franco, presidente do Conselho de Administração da InterCement que já participou de 22 conselhos diferentes. “Falar de inovação é falar de gente. Isso não é diferente na área de sustentabilidade. Acredito que o tema ‘pessoas’ deve ser visto principalmente do ponto de vista de gestão participativa, para que as pessoas possam levar suas ideias e opiniões”. Com base em sua experiência ele ainda enfatizou: “a diversidade é muito importante para transportar as experiências das diferentes empresas umas para as outras. A troca tem um impacto muito grande”, complementou.
Lembrando da dinamicidade dos conselhos, que trocam seus membros periodicamente, Giacometti falou do trabalho que deve ser dispensado para perpetuar os temas da sustentabilidade. “Tem que ficar impregnado. O conselheiro tem que tentar deixar um legado. Entendo que a verdadeira missão está em engajar pessoas como os gestores”. Ele comenta ainda que ao longo de sua trajetória no banco ele já pode observar mudanças de comportamento. “Houve um tempo em que ter apenas um integrante do conselho versado nos temas de finanças era suficiente. Hoje, todos têm que ter conhecimento neste assunto. Estou vendo o mesmo acontecer com a sustentabilidade”, afirmou.
Para Sérgio Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, é papel dos conselhos trazer para dentro das empresas as agendas do país. Ele relacionou a necessidade de integração com o modelo antigo de se fazer economia. “A ideia de que as empresas podem não se envolver com a agenda do país é um pouco semelhante à ideia dos economistas de algum tempo atrás, que dizia que os sistemas produtivos não precisavam se importar com o que estava antes e depois de seus processos. Hoje, não é mais possível isolar um sistema. Vivemos em um mundo interligado. Se algo não vai bem, nada vai bem”, destacou.
Esta interligação foi também lembrada na análise de Luiz Ernesto, que enfatizou: “Nem as espécies evoluíram somente com a competição, elas cooperam entre si. As pessoas precisam estar genuinamente convencidas de o todo é mais importante do que a parte e que cooperar é mais importante do que competir”.
Por Alice Marcondes, especial para o Instituto Ethos
http://www3.ethos.org.br/ce2013/conselhos-empresariais-e-a-missao-de-engajar-pessoas/

Como a BIG DATA deve ser usada pelo Marketing

A área de Marketing sempre foi ultra-tecnológica. E com a BIG DATA estamos falando de processar um volume de dados e com uma velocidade que os atuais sistemas de Database Marketing não suportam. É necessária uma nova arquitetura e - por que não - talvez um novo cargo na estrutura organizacional: o Analista de Big Data. 



Segundo a The Economist, essas são as competências que os profissionais de marketing precisarão dominar. A Big Data está no topo.
















A curva de demanda dos consumidores só irá aumentar: quanto mais informações gerarem, mais informação vão querer, e de imediato, nos seus dispositivos móveis, acessíveis a qualquer hora e qualquer lugar, personalizadas e relevantes para seu perfil específico. 

Algumas Leis da Big Data:

#1 - Rapidez na análise dos dados é essencial, reagindo em tempo real e ganhando assim melhor capacidade preditiva

#2 - Excesso de backups e armazenamentos só vai dificultar o manejo e trazer redundância de dados

#3 - Quanto mais diversas as fontes, mais ricos os dados 

#4 - Os dados vão proporcionar valor para além do esperado, não descarte nada

#5 - Prepare-se para crescimento exponencial dos dados; quanto mais usar sensores de redes via GPS, smartphones e tablets, mais vai aumentar o volume

#6 - Bote os dados a serviço de resolver problemas reais do seu negócio

#7 - Quanto mais gente puder analisar os dados dentro da organização, melhor. Olha a gestão do conhecimento! 


Na prática, como lidar com isso na atividade de Marketing? Vão algumas dicas:

- Escolha um problema específico que deseja resolver pela análise dos dados; senão, vai perder o foco e se perder. 

- Olhe os dados sob uma nova perspectiva, não a forma habitual e viciada.

- Entenda o caminho que o consumidor percorre nas redes e estabeleça sua presença nele, garantindo que será achado: investir em site, otimização de busca orgânica, fan page e monitoramento de redes sociais. Sincronize os seus vários canais, pois o consumidor não pensa neles, mas sim na Marca. 



Algumas ferramentas para analisar o caminho e comportamento do internauta

- Invista em "marketing de algoritmo" automatizado, para processar volumes de dados massivos, em processos de auto-aprendizado. Estatísticas preditivas, language mining (rastrear palavras-chave e fazer atualizações a cada 15 segundos baseado na mudança de termos de busca orgânica), custos de anúncios (social ads, links patrocinados) ou comportamento do internauta (de onde veio, o que viu, para onde foi). Permite mudar instantaneamente preços de milhares de produtos, baseado nas preferências do cliente, comparativos de preço, inventário de estoques e análise preditiva. 

- Entregue para o funcionário na ponta do processo uma informação simples, e não uma montanha de dados. Desenvolva a análise e comunique apenas o resultado final e recomendações de ações naquele cenário, para o atendente ou força de vendas. 

- Personalize a mensagem: você descobre o perfil do cliente por pesquisas anteriores de produtos, a frequência e a natureza de compras já feitas, anúncios ou ofertas nos quais ele clicou, preferências demonstradas de serviços (por exemplo, numa cia aérea, o tipo de assento que costuma escolher ou o meio de check-in que utiliza). Mensagens personalizadas dão ROI 5 a 8 vezes maior e são 10% mais eficazes para fechar transações.  

- Não faça upselling ou cross-selling com ad-ons cedo demais, senão irritará o cliente. Oferecer extras que encarecem a compra original tem que encontrar o consumidor com esse perfil e entrar em cena na hora apropriada, senão retorna ao odiável marketing de interrupção e empurroterapia. 

- Não estabeleça conjunto de regrinhas. Isso nunca vai funcionar com milhões de consumidores, se deseja personalizar a experiência. Tem que usar análises automatizadas e de aprendizado permanente. Big Data, só com hi-tech e estatística altamente sofisticada. 

Não se trata de mais um modismo. É a natural evolução do CRM, e se bem feito, vale o investimento. Mas lembre-se: estamos falando de uma era de envolvimento sem precendentes, dentro da web 2.0. Veja no gráfico abaixo a migração de uma cultura de anúncio/monólogo/massa e depois segmentação/targetting para um novo conceito proporcionado pela alta tecnologia de personalização/diálogo/colaboração. 



Fontes: 
http://www.forbes.com/sites/davefeinleib/2012/07/24/big-data-trends/
http://www.forbes.com/sites/mckinsey/2013/07/22/big-data-analytics-and-the-future-of-marketing-sales/
http://www.forbes.com/sites/gyro/2013/06/03/using-big-data-to-target-the-right-consumers-with-the-right-offers/2/






quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O que o turbilhão da BIG DATA vai fazer com seu trabalho

O assunto do momento é BIG DATA, também referida como "a internet das coisas". Trocando em miúdos, o dia em que não tomaremos mais decisões com base intuitiva ou debruçados em pesquisas, deixando por conta de um processamento poderoso e cruzado de dados a escolha do melhor curso de ação. Isso vai valer para as estratégias de marketing, a gestão das cadeias de fornecimento e até a medicina.
O mundo físico transforma-se num sistema de informações, com sensores e atuadores embutidos em objetos (que podem até ser matérias-primas), interconectados por uma gigantesca rede, via protocolos IP. 
Na produção, por exemplo, processos que se auto-gerenciam, onde produtos "inteligentes" podem tomar medidas corretivas e evitar falhas, e os insumos serão automaticamente reabastecidos nos estoques. Essa tecnologia já existe, na Alemanha, e prenuncia a 4a Revolução Industrial. Na produção enxuta (Lean), a fábrica mantém estoques mínimos e os insumos estão constantemente viajando pelo planeta, chegando em 24h. Na Indústria 4.0, o sistema terá que se ampliar além dos limites de fábricas individuais e interconectar múltiplas fábricas ou mesmo regiões do globo. Um desafio de integração de cadeia de valor e logística sem precedentes. 
Outro desafio é criar uma arquitetura de rede e algorítmos que consigam interligar os dados de milhões de ítens e assegurar que tudo funcione com estabilidade e sincronia, ao longo de toda a cadeia de fornecimento. Veja um exemplo: um pedaço de metal sabe que fará a peça X que vai ser colocada no produto Y para o consumidor Z. Esse insumo sabe desde o começo para quem é endereçado e toda a informação de onde e quando será processado. Uma vez que entra na máquina, ele próprio identifica desvios, determina quando está pronto e sabe como vai chegar ao consumidor. Uau ! 
Agora pense em modelos de negócio: para o consumidor, quem é o "pai" do produto final? O designer, o fabricante ou a organização que gerencia o sistema de informações do produto? No passado, empresas como Nike já haviam separado o design da fabricação. 



Quem faz o que no cenário da Big Data - Fonte: Forbes

Na arena do Marketing, será mesmo necessário entender por que o cliente faz o que faz? O mundo digital oferece fartura de dados e facilidade de rastrear informação. Os clientes diariamente relatam preferências, vivências, realizam buscas e produzem conteúdos. Hoje esses dados estão desorganizados, mas os sistemas de Big Data poderão estruturar e analisar as informações, permitindo processos auto-reguladores - que decidem de forma orgânica o envio de mensagens promocionais, alocação dos investimentos e formatos, informações mais detalhadas que são do interesse do consumidor e até micro-mercados onde vale mais a pena concentrar esforços. Um estudo da McKinsey mostrou um aumento de 15 a 20% no ROI das estratégias de marketing de empresas que usam Big Data, equivalente a US$ 150 a 200 bilhões de valor adicionado sobre orçamentos globais de US$ 1 trilhão. 

O "marketing de algoritmo" será a nova fronteira das empresas, mas tem suas armadilhas. Não sabendo usar massas de informação - provenientes do histórico de transações, das mídias sociais, da própria empresa, de fontes públicas e universidades -, o gestor mais se perde do que se resolve. 
Mas isso é papo para outra postagem. 







quarta-feira, 14 de agosto de 2013

MEDIDAS PRÁTICAS PARA ACABAR COM A PRAGA DA CORRUPÇÃO

TRANSCREVO AQUI COMUNICADO DO INSTITUTO ETHOS, SOBRE O SEU PROGRAMA DE COMBATE À CORRUPÇÃO QUE JÁ DEU VÁRIOS FRUTOS CONCRETOS. 


Nota pública do Instituto Ethos

Diante do noticiário sobre suposto cartel em licitações de trens e metrôs, vimos esclarecer a natureza da parceria que desenvolvemos com a Siemens.

Nas últimas semanas, a imprensa tem veiculado uma série de notícias acerca da investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a respeito do suposto cartel em licitações de trens e metrôs em diferentes Estados do Brasil, que envolve empresas como Alstom, a Bombardier, a CAF, a Mitsui e a Siemens, entre outras.

O Instituto Ethos vem a público esclarecer a natureza da parceria que desenvolvemos desde 2010 com a Siemens, por meio do Siemens Integrity Initiative para financiamento do projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios. Essa parceria tem como objetivo buscar acordos de integridade com empresas e compromissos de transparência com governantes, além de oferecer ferramentas para ações coletivas de monitoramento e controle social sobre os investimentos públicos, especialmente os destinados à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada e Paraolimpíada de 2016. As contas do projeto Jogos Limpos são auditadas anualmente por uma consultoria independente (BDO) e estão à disposição do público em:

O que é o Siemens Integrity Initiative
Após ser comprovado o envolvimento de seus executivos em casos de subornos internacionais até 2007, a Siemens global celebrou, em julho de 2009, um acordo com o Banco Mundial para, entre outras ações, criar um fundo de financiamento de  projetos de combate à corrupção nos diversos países do mundo, num total de US$ 100 milhões a serem gastos em 15 anos. Esse fundo chama-se Siemens Integrity Initiative. No primeiro semestre de 2010, foi realizada a primeira chamada pública para apresentação de projetos pelas organizações não governamentais. Aproximadamente 300 ONGs de 66 países se apresentaram, inclusive o Instituto Ethos.

O Projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, apresentado pelo Instituto Ethos, foi um dos 30 escolhidos para receber recursos daquele fundo, por cinco anos, ou seja, até 2015. Esse projeto foi lançado oficialmente em 9 de dezembro de 2010, no Dia Mundial de Combate a Corrupção. Durante os três meses seguintes, a equipe do projeto foi contratada e o primeiro órgão de acompanhamento do projeto foi criado – o Comitê Nacional de Coordenação e Mobilização, instalado no dia 23 de março de 2011. Esse comitê é constituído por organizações da sociedade civil, órgãos de controle, entidades de classe, órgãos multilaterais e universidades.

As atuais revelações divulgadas pela imprensa a respeito da ação do Cade não questionam e nem invalidam o programa Siemens Integrity Initiative, uma vez que os fatos ora divulgados ocorreram antes de 2007 e estão entre as razões que motivaram a criação dessa iniciativa global da empresa.

Ações do Instituto Ethos em favor da integridade e de combate à corrupção

1. Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção
Em 2006, como forma de reagir às denúncias de empresas que participavam do que se convencionou chamar de “mensalão”, o Ethos e várias organizações multilaterais e da sociedade civil criaram o Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, um compromisso voluntário que as empresas assumem para aprofundar a ética e a transparência nas relações entre si, com o mercado e com o setor público.  As organizações que ajudaram a articular esse Pacto junto com o Instituto Ethos foram: o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC); o Pacto Global da ONU, a Patri Políticas Públicas, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Fórum Econômico Mundial. A Alston e a Siemens estão entre 349 signatárias dessa iniciativa. Para se manterem no pacto, as empresas e entidades de classe signatárias precisam responder anualmente um questionário de 70 perguntas que pede evidências de que elas estão pondo em prática os compromissos assumidos. Conheça a lista de empresas signatárias neste link.

2. Grupo de Trabalho Empresas pela Integridade
Foi criado em 2007 pelas mesmas entidades que instituíram o Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, com o objetivo de promover a troca de experiências entre as empresas signatárias, em suas ações de implantação de sistemas de compliance e gestão de risco voltadas à promoção da integridade e combate à corrupção, e para propor o aperfeiçoamento das políticas públicas de promoção da integridade e da transparência. São 43 empresas participantes do GT, a Alstom e a Siemens entre elas.

3. Cadastro Empresa Pró-Ética
Lançado em 9 de dezembro de 2010, para marcar o Dia Mundial de Combate à Corrupção, o Cadastro Nacional de Empresas Comprometidas com a Ética e a Integridade – Cadastro Empresa Pró-Ética – é uma iniciativa da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Instituto Ethos para avaliar e divulgar as empresas voluntariamente engajadas na construção de um ambiente de integridade e confiança nas relações comerciais, inclusive naquelas que envolvem o setor público. Para fazer parte desse cadastro, a empresa precisa preencher um questionário que exige documentos comprobatórios para cada resposta dada. Caso apresente todos esses documentos e seu nome não conste do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), ela poderá fazer parte do Cadastro Pró-Ética.

Ao aderir ao Cadastro Empresa Pró-Ética, a organização assume o compromisso público e voluntário, perante o governo e a sociedade, de que adota medidas para prevenir e combater a corrupção dentro de sua instituição, em favor da ética nos negócios. O cadastro possui um comitê gestor formado pela Controladoria-Geral da União (CGU), Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Confederação Nacional de Indústrias (CNI), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), BM&F Bovespa, Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Instituto de Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Até o momento, quinze empresas foram aceitas no cadastro: 3M do Brasil, AES Eletropaulo, AES Sul, AES Tietê, Banco do Brasil, Banco Santander do Brasil, Caixa Econômica Federal, Celesc, CPFL Energia, Dudalina, Duratex, Siemens, EDP Energias do Brasil, Infraero e Johnson Controls Building Efficiency.

4. Mobilização

Ao longo dos últimos dois anos, o Ethos divulgou posicionamentos, mobilizou empresas e sociedade civil e participou de audiências públicas na defesa da transparência pública e da responsabilização civil da pessoa jurídica. Com isso, contribuiu para a aprovação de duas leis importantes para o avanço da transparência e do combate à corrupção: a Lei de Acesso à Informação Pública (nº 12.527/11) e a Lei Anticorrupção Empresarial (nº 12.846/13), sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no dia 1º de agosto de 2013.
O Instituto Ethos apresentou em 2008, durante reunião do Conselho Nacional de Transparência Pública e Combate à Corrupção da Presidência da República, proposta oriunda da Conferência Ethos para a criação de uma legislação com os mesmos objetivos da Lei nº 12.846. Essa lei pode ajudar a impedir que questões como as que estão sendo denunciadas pela imprensa se repitam, ao punir diretamente as empresas pegas em atos de corrupção, e não os funcionários envolvidos.

No caso da Lei de Acesso à Informação Pública, também acompanhamos a regulamentação nos Estados e municípios que receberão jogos da Copa.

5. Consocial
O Instituto Ethos participou ativamente da convocação e da organização da 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social (Consocial), integrando a Comissão Organizadora Nacional (CON), presidida pela Controladoria-Geral da União (CGU).

6. Jogos Limpos (principais resultados)
Em seus três anos de atividade, o projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios conseguiu alguns resultados importantes, vários deles noticiados nas mídias locais, nacional e internacional:

6.1. A constituição e manutenção dos Comitês Locais nas doze cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Esses comitês reúnem quase uma centena de entidades da sociedade civil, empresas, entidades de classe e órgãos de controle externo e interno. Organizam atividades públicas, debates e oficinas sobre transparência e participação social, além de dialogar com os poderes públicos locais (Estado e município).
Os dados levantados nas oficinas e diálogos ajudaram a construir os Indicadores de Transparência Municipais e Estaduais. Essas atividades, por outro lado, garantiram a diminuição de famílias despejadas pelas obras da Copa e a participação social na regulamentação local da Lei de Acesso à Informação e no monitoramento dos orçamentos nas cidades-sede.

6.2. Participação do Ethos, desde a criação, em 2011, da Câmara Temática de Transparência da Copa do Mundo de 2014, que tem como objetivo desenvolver soluções para garantir a transparência e a publicidade das ações preparatórias para o Mundial da Fifa. Essa câmara é composta por representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios que participam do evento como cidades-sede, além de entidades da sociedade civil.

6. 3. Obtenção do compromisso público com a transparência municipal de todos os prefeitos eleitos em 2012 nas cidades-sede da Copa 2014. Neste momento, estamos em diálogo com todas essas prefeituras, para ampliar e aperfeiçoar os seus mecanismos de transparência.

6. 4. Lançamento, em novembro de 2012, durante a Conferência Internacional de Combate à Corrupção (IACC), realizada em Brasília, dos Indicadores de Transparência Municipal,com os resultados apurados nas onze cidades-sede mais o Distrito Federal.

Esses indicadores medem a transparência das informações, verificam a existência e funcionamento dos canais de informação e dos mecanismos de participação e servem de estímulo e referência ao aperfeiçoamento desses mecanismos.

6.5. Aplicação nos Estados das cidades-sede da mesma metodologia, já que várias obras e investimentos são de responsabilidade dos governos estaduais, como consta na Matriz de Responsabilidades. Os resultados foram publicados em junho deste ano.

6.6. Processo de estabelecimento de acordos setoriais de integridade em quatro grandes segmentos da economia: energia, saúde, transportes e construção civil. Trata-se de uma iniciativa pioneira no Brasil, inspirada por metodologia da Transparência Internacional, a qual acreditamos ser de extrema relevância para o avanço da agenda de prevenção e combate à corrupção em nosso país.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

MOVIMENTO "PLANO B" REÚNE "Os Vingadores" DO MUNDO EMPRESARIAL

Visionários de vida toda, um grupo de poderosos empresários globais se reuniu e criou um movimento para renovar a forma como os negócios são feitos - que se chama PLANO B. Ele reúne líderes como Richard Branson (Virgin) e Jochen Zeitz (ex-Puma), que são os co-fundadores, mais um timaço de donos e presidentes de empresas muito inovadoras na forma de gestão, que acreditam e seguem o Triple Bottom Line da sustentabilidade, proposto na década de 90 por John Elkington.

Chegaram à conclusão que os governos estão desinteressados e as ONGs impotentes para resolver os crescentes problemas de miséria, desigualdade e degradação ambiental. E resolveram arregaçar as mangas de forma prática, começando com firmar um Pacto. Assim como o grupo "The Elders" reúne líderes para tentar solucionar conflitos globais, os membros do PLANO B querem estabelecer um novo modelo de fazer negócios começando por encarar o desafio com suas próprias empresas.



Um brasileiro, Guilherme Leal da Natura, integra o B-Team. Merecido: quando trabalhei para eles há 18 anos, já eram frequentes as discussões sobre ética nos negócios e sustentabilidade dentro da empresa, como construir um mundo melhor e proporcionar bem-estar às pessoas, sendo lucrativo com integridade e justiça. Guilherme foi, inclusive, um dos fundadores do Inst. Ethos. (curiosidade: hilário Richard Branson tentando pronunciar o nome dele no evento de lançamento)

Aspirações corretas, novas estruturas, contabilização verídica, retornos reais, bem-estar, nivelar o jogo, transparência total, redefinir educação, modelar a natureza, pensar no longo prazo

Quem é o B-Team
Shari Arison, dona/Arison Group
Kathy Calvin, Presidente e CEO/United Nations Foundation
Arianna Huffington, Presidente e Ed.Chefe/The Huffington Post Media Group
Mo Ibrahim, Fundador/Celtel
Guilherme Leal, Fundador e Co-Chairman/Natura
Strive Masiyiwa, Fundador e Co-Chairman/Econet Wireless
Dr. Ngozi Okonjo-Iweala, Ministro das Finanças e Ministro coordenador para a Economia/ Governo Nigéria  
François-Henri Pinault, CEO e Chairman/Kering
Paul Polman, CEO/Unilever
Ratan Tata, Chairman Emérito/Tata Group
Zhang Yue, Fundador e Chairman/Broad Group
Professor Muhammad Yunus, Chairman/Yunus Centre e Prêmio Nobel (Graamen Bank)

Líderes Honorárias:Gro Harlem Brundtland, Membra do The Elders e presidiu o Comitê preparatório da Rio92
Mary Robinson, Secretária, Membra do The Elders e Presidente/Mary Robinson Foundation -- Climate Justice


A 1a. Fase: Depois de consultarem cientistas, ONGs, experts e jovens empresários, identificaram as 10 mais críticas barreiras aos negócios sustentáveis e estabeleceram uma agenda para removê-las. Sendo a maior e mais importante mudar o atual modelo financeiro global e seus indicadores de performance - herdados de uma época quando a natureza ainda era abundante e as empresas excluíam os danos ambientais e sociais da sua contabilidade. Hoje o cenário é dramaticamente diferente. As primeiras frentes serão: 

  • Bottom Line do Futuro - valorar e contabilizar os serviços ecossistêmicos, inclusão social, criar novas formas de relatórios e accountability. 
  • Incentivos do Futuro - mudar leis e alocação dos investimentos governamentais e mapear incentivos nocivos, para eliminá-los.
  • Futuro da Liderança - disseminar e incorporar melhores práticas e formar uma nova geração de líderes que questionem o status quo e coloquem valores morais e pensamento holístico como prioridade.

Como se tratam de empresas muito bem sucedidas e líderes com longo histórico de engajamento, é de se esperar um resultado eficiente e rápido para essa iniciativa. Vale a pena seguir o canal deles e acompanhar os novos videos em https://vimeo.com/thebteamhq










terça-feira, 11 de junho de 2013

QUEM SÃO AS MARCAS MAIS SIGNIFICATIVAS DO MUNDO?


A pesquisa Meaningful Brands do Havas Media Group foi feita com base em 700 marcas, mais de 134 mil consumidores, 23 países. Ela  mede o impacto dos benefícios das marcas em 12 áreas de bem-estar (saúde, felicidade, financeiro, relacionamentos e comunidade, entre outros), para uma visão profunda do seu efeito sobre a qualidade de vida. Marcas com scores mais altos têm mais força, maior brand equity, preferência, lealdade e vínculo emocional. Mas acima de tudo, essa pesquisa nos revela importantes tendências. 

O que se descobriu em 2013:
1. As empresas top do índice superam em 120% a performance do mercado de ações – em linha com os melhores fundos de hedge.
2. A maioria das pessoas do mundo não se importaria se 73% das marcas simplesmente desaparecessem.
3. Só 20% das marcas em todo o mundo são consideradas como tendo um impacto positivamente siginificativo na vida das pessoas.
As marcas Top do ranking
Em 2013 a pesquisa mostrou interessantes mudanças tanto nos setores quanto nas marcas desde a edição anterior de 2011. As 5 primeiras são todas de tecnologia. “As marcas de tecnologia estão se transformando em ícones pessoais, nos empoderando para expandir nosso potencial.” diz Sara de Dios, Diretora Global da Meaningful Brands. “Ajudam as pessoas a se expressar e conectar com os outros, fazendo-as se sentirem melhores, mais felizes e mais satisfeitas com suas vidas.”
As marcas que subiram neste ranking incluem a Nike (7o), Mercedes Benz e Adidas (ambas 11o) e Dove (6o). As que continuam se mantendo bem são Walmart, Microsoft, P&G e Samgung, entre outras.
Tendências Geográficas
Quanto mais desenvolvida a região (Europa e EUA), maior o percentual de indiferença e falta de confiança, sentimento de que as marcas não estão atendendo as expectativas, nem trabalhando o suficiente para melhorar a qualidade de vida ou se comunicando honestamente. Na América Latina e Ásia, os consumidores são seis vezes mais conectados com as marcas do que nos mercados do Ocidente.
Interessante notar que desde 2011, nos mercados ocidentais desenvolvidos, aumentam as exigências relativas à qualidade de vida individual e bem-estar pessoal, enquanto nas economias emergentes o foco é maior na contribuição à comunidade e meio-ambiente. Em alguns mercados como México, China e Índia, a relação com as marcas funciona como um símbolo aspiracional de estilo de vida e status. Entretanto, ao verificar as marcas no topo do ranking, elas adotam uma abordagem mais holística, investindo em ambos os aspectos – individual e coletivo.
Segundo Umair Haque, diretor da Havas Media Group, “Um novo modelo de prosperidade está surgindo em torno da idéia de potencial humano e bem-estar” (de fato, o desenvolvimento de indicadores como o FIB demonstra isso). “Neste mundo hiperconectado e transparente, as pessoas estão mais inclinadas e capazes de punir marcas que falham nisso. Por outro lado, as organizações que conseguem criar marcas significativas não apenas vencem no curto prazo, mas superam suas rivais no mercado e na Bolsa a longo prazo. A pesquisa não trata de altruísmo, responsabilidade ou reputação, mas da criação de real valor financeiro por meio da entrega do que realmente importa em termos econômicos”.
Moral da História
Para sobreviver no século 21, as marcas devem sair da cilada da comoditização/indiferenciação e de orçamentos cada vez maiores de marketing. É necessário revigorar a marca, seu papel na sociedade e o valor humano que criam. O perfil das marcas que lideram ou subiram expressivamente no ranking este ano mostra isso claramente: as marcas que sobreviverão serão aquelas que conseguirem fazer a vida das pessoas melhor. 

domingo, 19 de maio de 2013

CEO QUE COMANDOU NESTLÉ POR ANOS QUER PRIVATIZAR A ÁGUA !

Estou PASMA com esta notícia, e não acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos o ex-CEO da Nestlé declarar que a água não deveria ser um direito da humanidade, mas um produto vendido por grandes corporações, além de criticar os alimentos orgânicos, as ONGs e defender irrestritamente os transgênicos.



Vindo de uma empresa que sempre admiramos e confiamos ser realmente comprometida com a saúde humana, com a qual convivemos em nossos lares desde criancinha, fiquei chocada e decepcionada. Mas pensando bem, não é a primeira vez que a Nestlé está envolvida com acusações de falta de responsabilidade socioambiental.

Em São Lourenço/MG, enfrentou o "Movimento Cidadania pelas Águas", quando a população local se uniu ao Min.Público e se organizou para rechaçar a superexploração do Poço Primavera (que compraram da Vichy) para produzir a água Pure Life, que estaria enfraquecendo as fontes de águas medicinais essenciais à economia da região. Resultado: tanto escândalo internacional que descontinuaram a produção. Vale dizer: o lucro da Nestlé com o negócio de água mineral é de US$ 35 bilhões/ano.

Depois foi a vez da campanha do Greenpeace, que a acusou de - diferentemente de Unilever e Kraft Foods - recusar-se a dar um basta à compra de óleo de palma da Sin Mar, empresa indonésia que estava devastando as florestas e os organgotangos que nela tinham seu habitat. Só depois de milhares de emails de ativistas para o CEO, o Board e todos os maiores acionistas da empresa é que a Nestlé cedeu e declarou moratória à compra do produto, que é usado em seus chocolates como Kit Kat.

Tascam fogo na floresta para plantar palm oil ! 

Falando em chocolate, em 2001, junto com outras empresas, ela foi acusada de comprar cacau da Costa do Marfim, que era quase todo produzido por mão de obra escrava, muitas vezes crianças traficadas da República do Mali e Burkina Faso. Um documentário do Channel 4 "Slavery - a global investigation by Brian Woods and Kate Blewett" e outro da produtora Bastard TV "The Dark Side of Chocolate" mostram isso claramente, com entrevistas, cobertura de batidas policiais e depoimentos de ex-trabalhadores escravizados e até traficantes de gente. Se jornalistas facilmente descobrem essa perversa cadeia de suprimentos, como é possível que as grandes corporações não o façam ??? Só se pode chegar a uma conclusão: por que não as interessa saber.

Basta botar alguns milhões de dólares em projetos sociais marqueteiros e lucrar seus bilhões com a consciência apaziguada. Afinal, o que os olhos não veem...



E você, vai fazer o que a respeito? 

Repense o que você consome, de quem, e divulgue ao maior número de pessoas. Todos têm que saber !