Ártico

sexta-feira, 9 de março de 2012

CONSUMO CONSCIENTE É ATO POLÍTICO, DIZ TRIGUEIRO

O jornalista engajado André Trigueiro foi homenageado e abriu semana passada o seminário "Sustentabilidade Urbana - o desafio do Século 21" na Acad. Bras. de Filosofia, sendo aplaudido com gritos de "pra Presidente do Brasil!". Trouxe dados muito importantes e interessantes da situação do país e boas idéias, colhidas em suas reportagens por todo o país. Vamos a elas:

Segundo o IBGE, mais de 50% dos domicílios do país nem são conectados à rede de saneamento. O tratamento de água é péssimo, onde perduram doenças da época medieval, com diarréia e desidratação.

Petrópolis é a capital brasileira do biodigestor (sem uso de produtos químicos nem energia), e produz gás para a comunidade local.

A construção civil é uma grande vilã do aquecimento global: gera 30% das emissões de CO2 e consome 12% da água do planeta. É urgente, portanto, alinhar esse setor com construções sustentáveis.

Até 2015 será essencial proteger os mananciais de água, senão pelo menos 55 municípios enfrentarão problemas graves. Porém, nem existe dotação orçamentária do Gov.Federal para isso. São Paulo há 30 anos tem que "importar" água a mais de 100km de distância do sistema Capivari, e vai demandar mais água do R. Paraíba, o que deve gerar briga feia com o Rio de Janeiro.

30% da conta de energia dos pobres vem do chuveiro elétrico. É fundamental perseguirmos eficiência energética com relógios digitais que permitem ao consumidor saber o quanto cada eletrodoméstico gasta (isso já existe lá fora) e usar o cidadão como produtor de energia para a rede, com cataventos, painéis solares etc.

A Gestão dos Resíduos tem que ser feita com inovações, por meio de parcerias com universidades, desenvolvimento de uma indústria de reciclagem que quebre a "máfia do lixo" formada por caminhões que hoje ganham por peso transportado aos aterros.

A mobilidade urbana também deve confrontar os impostos sobre os automóveis que "engordam" o governo e geram emprego/renda sem levar em conta os demais custos associados aos atrasos (trânsito), saúde (inalação de gases) e de valor intangível (perda da qualidade de vida e tempo de lazer).

"Consumo consciente é um ato político"e passa pela educação ambiental. O "american way of life" consumista é um estilo de vida falido e insustentável que precisa ser repensado e substituído.

terça-feira, 6 de março de 2012

É ANO DE RIO+20 - VOCÊ SABE EM QUE PÉ ESTAMOS?

Ano de Rio+20. Pra começar, você sabe o que quer dizer o título da conferência da ONU que acontece este ano no Brasil de 20 a 22 de junho? Não se trata de discutir sustentabilidade 20 anos pós Rio 92 - e sim projetar os próximos 20 anos à frente

Das 8 "METAS DO MILÊNIO" estabelecidas pela ONU e pactuadas pelos seus 191 Estados-membros, como estamos no cumprimento: 

1) Erradicar pobreza e fome
O objetivo global de até 21% já foi ultrapassado. Mas é pouco aceitar quase 80% da humanidade nessas condições !

2) Ensino básico universal
90% em 60 países em desenvolvimento. Caiu de 115 milhões (2001) para 72 milhões (2007) o número de crianças fora da escola, apesar do aumento da população mundial. Na Africa Subsaariana, há 41 milhões ainda excluídos.

3) Igualdade entre os sexos/autonomia das mulheres
Até 2005, paridade de gênero nas escolas alcança 2/3 dos países em desenvolvimento. Meta global deve ser atingida em 2015. No Brasil, representação política das mulheres é de menos de 14% nas 3 esferas (Legislativo, Senado, Câmara) e sendo 57,6% dos trabalhadores ativos, ganha salários menores e tem cargos piores. 

4) Redução da Mortalidade Infantil
A taxa global é de 74 óbitos/1000 nascimentos (2007), ainda longe do objetivo. No Brasil, está em 19 óbitos/1000 e expectativa é chegar a 17,9.

5) Melhorar a Saúde Materna
Em 2005, mais de meio milhão de mulheres morreram durante ou após gravidez.

6) Combater Aids, Malária, Tuberculose etc
Número vem diminuindo, mas só 28% das pessoas recebem tratamento. A malária mata 1 M de pessoas/ ano, principalmente na África e a tuberculose 2 M/ano em todo o mundo. O Brasil é modelo no combate à Aids. 

7) Garantir a sustentabilidade ambiental
Refere-se a esgotamento de recursos naturais, biodiversidade, água e saneamento. 86% da humanidade ganhou acesso à água potável. É a meta mais difícil para o Brasil cumprir, por causa do saneamento deficiente. Diz o Secretário-Geral da ONU, Sha Zukang: "O atual padrão de produção e consumo não pode continuar. É uma questão de sobrevivência da humanidade. Se Brasil, China e Índia resolverem copiar o estilo de vida dos países ricos, a conta não fecha. Seriam necessários 5 planetas para atender a demanda." 

8) Parceria Mundial para o Desenvolvimento
Descontado o perdão das dívidas, a assistência estrangeira ao desenvolvimento cresceu 6,8%. A crise econômica tem atrapalhado as parcerias, que incluem questões como subsídios, protecionismo, especulação financeira e comércio justo.

Se quiser saber mais das metas, visite o site do PNUD em http://www.pnud.org.br/odm/objetivo_1/ e vá clicando sobre os 8 objetivos. 

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/meta-de-acesso-agua-potavel-no-mundo-batida-antes-do-prazo-4227785#ixzz1oLrEeDd8 e a entrevista com Sha Zukang em http://oglobo.globo.com/economia/vamos-precisar-de-cinco-planetas-terra-diz-sha-zukang-4224746  

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

BRASIL EMPLACA 3 EMPRESAS NAS GLOBAL 100 SUSTENTÁVEIS


A revista Corporate Knights publicou seu relatório 2012 GLOBAL 100 com as cem empresas mais sustentáveis do mundo e - surpresa - lá estão 3 brasileiras, sendo que a Natura figura em 2o lugar, perdendo apenas para a Novo Nordisk (Dinamarca). As outras são o Bradesco em 61o e a Petrobras em 81o. Segundo eles, trata-se das lista de companhias praticando um capitalismo mais limpo.

Os critérios levaram em conta:
Emissões de Carbono; 
Uso racional de Energia e Água; 
Produção de resíduos; 
% de impostos pagos; 
Diversidade (% de mulheres na diretoria); 
Defasagem entre o salário do CEO e a média dos funcionários; 
Índice de Segurança (acidentes de trabalho); 
Turnover
Capacidade de inovação (Investimento em P&D x receita). 

(veja o pdf completo em www.slideshare.net/patsario)

A Grã Bretanha liderou o ranking com 16 empresas, seguida do Japão com 12 e os EUA e França empatados com 8.

Toby Heaps, CEO da Corporate Knights diz “As Global 100 servem como embaixadoras de um tipo melhor e mais limpo de capitalismo que se prova, também, mais lucrativo". Recentemente, um meta-estudo da renomada consultoria SustainAbility reconheceu o Global 100 com um padrão de transparência e objetividade. Os dados foram obtidos pela maior aliança de estudos em sustentabilidade do mundo, formada pela Legg Mason’s Global Currents Investment Management e pela Phoenix Global Advisors, que isolaram os top 10% de empresas num universo de 3.500 ações globais, processo auditado pela Bloomberg Professional®.

Está aí para quem duvida: sustentabilidade se paga. Veja mais em http://www.corporateknights.ca/about

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

M-COMMERCE - O futuro das compras online

O céu é o limite para as possibilidades do Marketing Móvel (mobile), já que os aparelhos de celular passam 24h com seus donos (alguns nem desligam enquanto dormem!). E com tecnologia que usa QR-codes (mobile tagging, já disseminada em anúncios, rótulos e cartões de visita), agora é a vez do Mobile Commerce.

A rede Tesco chegou à Coréia e descobriu que os coreanos trabalham muito e odeiam a experiência de fazer compras de supermercado. Assim, desenvolveu uma ação no metrô e aproveitou o tempo ocioso dos passantes e o alto índice de portadores de smartphones para vender seus produtos online. Criou uma "loja virtual" com enormes painéis fotográficos das gôndolas contendo QR-codes. O cliente mirava os códigos com seu celular e ia enchendo o carrinho de compras virtual; os produtos eram enviados por delivery para a casa deles. Resultado: aumento de 130% nas vendas e #1 no mercado online o e quase empate com a concorrência no mundo físico. Veja a ação em http://www.youtube.com/watch?v=nJVoYsBym88

(contribuição de minha aluna Marcella Klebis Dias, Ger. Comercial da Diretoria de Novos Mercados da CIELO, sempre antenada com a evolução do varejo)

Se quiser mais informações interessantes sobre a evolução do marketing pelo celular em comparação às diferentes mídias, veja o video "The Future of M-Commerce" em  http://www.youtube.com/watch?v=quO-sxqFYcE&feature=related
 

domingo, 29 de janeiro de 2012

147 EMPRESAS CONTROLAM O MUNDO

Ao mapear a composição acionária de 43.060 corporações transnacionais em um banco de dados com 37 milhões de empresas, pesquisadores do Swiss Federal Institute of Technology em Zurique descobriram um fato surpreendente e alarmante: que uma espécie de “super-entidade” de 147 pessoas jurídicas, na maioria instituições financeiras, controla 40% da riqueza mundial. As 20 do topo da lista são:

1) Barclays; 2) Capital Group Companies; 3) FMR; 4) AXA; 5) State Street Corporation; 6) JP Morgan Chase; 7) Legal & General Group; 8) Vanguard Group; 9) UBS; 10) Merrill Lynch; 11) Wellington Mgmt Co.; 12) Deutsche Bank; 13) Franklin Resources; 14) Credit Suisse; 15) Walton Enterprises; 16) Bank of NY Mellon Corp; 17) Natixis; 18) Goldman Sachs Group; 19) T.Rowe Price Group; 20) Legg Mason.

Mas o que é umasuper-entidade”? Ela se caracteriza por uma tendência natural dos membros de se associarem às suas conexões mais próximas; só representariam uma “conspiração malévola" caso conseguissem exercer poder político e seus membros se unissem para perseguir interesses comuns – como influenciar políticas públicas eliminando barreiras, facilitando operações, privatizando lucros e socializando prejuízos; finalmente, caso se desobriguem de prestar de contas e ter posturas transparentes.

Os premiados filmes “Grandes demais para quebrar” e "Trabalho Interno" mostram os bastidores da crise financeira norte-americana em 2008 e toda a conjuntura que levou até ela, quando o Governo “pagou a fiança” das empresas envolvidas, para revolta dos contribuintes. 
Embora participação acionária não signifique controle gerencial, vê-se claramente que as instituições financeiras funcionam como a pior das “super-entidades”: benefício próprio às custas da economia e da sociedade; controle dos mercados ao patrocinarem massivamente campanhas eleitorais e fundos de fomento do Governo, livrando-se de arcar com as consequências dos seus atos. Não exercem competição saudável entre si, bem ao contrário, se aliam por interesses comuns.
Recentemente, quando o congresso americano começou as discussões para votar em leis para pretensamente proteger propriedade intelectual que acabariam trazendo, dentre outras consequências perigosas a censura da internet, o grupo hacker Anonymous postou vários filmes explicando melhor o que está por trás da ACTA e da SOPA, revelando a existência de 39 corporações (ou seja, não representantes da sociedade) que na surdina se reuniram para desenhar uma legislação que dá a elas e governo superpoderes sobre os cidadãos
Para saber mais, entre no link Revealed – the capitalist network that runs the world – physics-math – 19 October 2011 – New Scientist e veja os filmes nos links postados no nosso perfil do Facebook em www.facebook.com/amoraoplaneta.
INFORMAÇÃO É O MELHOR ANTÍDOTO CONTRA AS SUPER-ENTIDADES ! 
TÁ DUVIDANDO DO PODER DOS HACKERS? NÃO CONSEGUI SALVAR NENHUMA DAS IMAGENS DO ANONYMOUS (ROSTO MASCARADO) DISPONÍVEL NO GOOGLE IMAGES !  
Bom, graças a meu aluno mineiro com Mestrado em TI, Breno Araújo Santos, finalmente consegui salvar imagens do Anonymous. O slogan é um show ! Vamos ver se eles não se ferram ao se expor demais como vêm fazendo...



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Não é horóscopo chinês: saem a Era do Touro e do Dragão, entra a Era da Fênix


Não se engane: a atual crise não é nem uma recessão nem uma depressão, mas uma descontinuidade, daí a perplexidade dos estudiosos e a impotência de governos e empresas. É chegada a Era da Fênix (ave que renasce das cinzas), ou seja, ruptura nas formas de pensar e trabalhar que vêm se provando obsoletas. Como um paradigma funciona:  persiste durante longo tempo e num instante se rompe e implode o que está estabelecido, nos pegando desprevenidos, trazendo desafios inéditos e oportunidades.

A Era do Touro (ícone de Wall Street - 2000 a 2009), que entrou em colapso primeiro nos EUA, depois na Europa, é ilustrada por instituições financeiras e conglomerados industriais como Ford, GM, AIG, Citicorp e Lehmann Brothers. É o modelo neoliberal (single bottom line) de busca imediatista de lucros, visão egoísta e de curto prazo. A crise continua se alastrando, agora na União Européia, com a África totalmente abandonada à própria desgraça há tempos.

A Era do Dragão, quando emergiram os “tigres asiáticos” e os BRICs, trouxe planejamento de longo prazo turbinado por modelos de negócio e cadeias de valor tipo double bottom line – crescimento econômico acelerado e grande coesão social (muitas vezes nacionalismo exagerado, como China) – enfrentando passivos ambientais e restrição de recursos naturais.

Entra em cena a Economia Fênix, novo paradigma econômico pós-crise de 2008. Nome criado por John Elkington, pai do termo triple bottom line, que define o moderno conceito de sustentabilidade. Em parceria com a Skoll Foundation, mapeou 50 companhias (empreendedores, investidores e corporações) que estão liderando uma revolução de inovação, enfrentando os enormes desafios impostos por essa ruptura e desenhando os rumos desse novo paradigma.

Alguns exemplos, pra quem pensa que é utopia: 

GE com sua iniciativa Ecoimagination de energias renováveis; 

Google.org – a ONG do Google

GSK e sua redução radical dos preços de remédios para os países pobres; 

TNT e sua logística para ajuda em catástrofes e iniciativas de larga escala como reflorestamento na África; 

Better Place do empresário Shai Agassi, que desenvolve a rede de abastecimento para veículos elétricos; 

Grameen Group, fundado pelo Nobel de Economia Mohammed Yunus, que difundiu o microcrédito na Índia e inspirou iniciativas do Banco Real e Unibanco;

Arup, o escritório de design, arquitetos e planejadores de eco-cidades como Dongtan e Xangai; 

A microempresa Apopo, com sua tecnologia de ratos farejadores de minas terrestres;  

Water.Org, ONG do ator Matt Damon que financia poços artesianos e a Pure da P&G, que distribui purificadores de água na África, onde a desertificação é calamitosa.

A eles somam-se ONGs, parcerias público-privadas para incubar empresas, organizar cooperativas desde catadores de lixo/reciclagem até trabalhadores informais (geração de emprego e renda), ou empresas desenvolvedoras de tecnologias sociais e metodologias que dão conta de processos de gestão sustentáveis e certificações globais confiáveis e até movimentos como o Projeto Gota D'Água de artistas contra a hidrelétrica de Belo Monte.

Para ver a lista completa e os exemplos fantásticos das iniciativas, entre em www.volans.com e também visite o site do forum de inovação TED Global e de seus eventos regionais, com muitos videocasts das palestras. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

[SOCIAL] Espírito natalino não é comprar, é compartilhar

Você sabia que U$ 25 alimentam uma criança por 6 meses na África, onde a seca e a fome continuam implacáveis?  A LG Electronics vai dobrar o que vc doar ao World Food Programme da ONU. Eu acabo de doar U$ 35. Entre no link munido do seu cartão de crédito, é super fácil !

https://www.wfp.org/donate/ethiopia-lgC?utm_source=ethiopia-match&utm_medium=email&utm_campaign=ethiopia-match-donors-d1  



O programa ainda dá suporte de atendimento médico e capacitação para proporcionar renda e uma verdadeira possibilidade de transformar a vida dessas pessoas que vivem de um modo que nem podemos imaginar, totalmente sub-humano e indigno.

Vamos repensar em 2012 o nosso estilo de vida e tentar simplificar um pouco as coisas?